domingo, 29 de setembro de 2013

Stuck in Love



Realizador: Josh Boone
Argumento: Josh Boone
Actores: Lily CollinsLogan LermanJennifer Connelly, Nat Wolff, Liana Liberato

Um Filme que aglomera várias fases da nossa vida enquanto amantes. Desde a inocência do 1º amor, à devastação do 1º desgosto, passando pelo 1º namoro em que realmente nos entregamos, às segundas oportunidades em amores antigos que sentiram necessidade de algo mais mas que afinal a casa da partida era mesmo a certeira. 

Tudo isto retratado usando como base uma só família, um seio de gerações pronto para nos dar a conhecer todas as fases daquilo que os românticos gostam de dizer que nos faz mover. 

Nesta família de artistas, maioritariamente escritores, a ficção mistura-se com a realidade e uma não vive sem a outra. Sem as experiências da vida real não se constrói nada coeso na ficção. Isto é obviamente um cliché e este filme não nos traz nenhuma novidade, no entanto os clichés quando são bem usados são muito valiosos e uma história bem contada não tem de nos surpreender, tem de nos cativar. Não acredito que alguém tenha visto este filme e não se tenha sentido minimamente cativado logo nos primeiros planos... 

É aqui que a frescura deste jovem realizador vinga, é tudo muito cativante sem ser minimamente presunçoso. É super simples mas penso que consegue cativar-nos com lugares comuns que nos fazem sentir confortáveis, algo que nos é familiar mesmo que não tenhamos vivido as situações retratadas.

Todos os actores principais (família e "casos" da mesma) estão muito bem e a facilidade com que entramos na história é muito por culpa deles. Visto que o Realizador quis proteger a história da sua técnica, expôs muito os personagens que lidaram com essa responsabilidade da melhor maneira possível.

São várias histórias muito bonitas que trabalham num espectro enorme de temáticas relacionadas com relações, impossível não nos identificarmos aqui e ali. 

Um filme simples muito bom de se ver, daqueles que nos deixam um pouco mais calmos no final de um dia de stress e de vida real... 


Golpes Altos: História, Actores, Dinâmica da família, O que deixa em quem o vê.

Golpes Baixos: Final muito "arranjadinho", Previsibilidade de algumas situações que precisavam estar um pouco menos expostas. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

The Kings of Summer



Realizador: Jordan Vogt-Roberts
Argumento: Chris Galletta
Actores: Nick Robinson, Gabriel Basso, Moises Arias, Nick Offerman, Erin Moriarty, Megan Mullally

O excesso de contacto com uma realidade imposta e jamais questionada leva-nos a fantasias semelhantes à que este filme retrata. Este tipo de fantasia, desejo, o que quiserem chamar, surge em qualquer idade. Normalmente retratada na adolescência ou pós-adolescência a verdade é que muitas vezes faz-nos muita falta o contacto com o que de mais natural nos rodeia.

Pisar terra em vez de alcatrão, colher flores selvagens em vez de controlar o seu crescimento em canteiros de pedra, saltar de árvores em vez de escorregas, mergulhar no rio em vez de ir à praia, viver rodeado de animais que não nos obedecem em vez de domesticar um, correr em vez de andar, saltar sem pensar o que pensam de nós, perceber que respirar é bom, ter uma casa de madeira na floresta em vez de um apartamento na cidade...

Este filme leva-nos de forma muito descontraída e inocente a uma experiência deste género e deixa-nos água na boca para tudo o que já pensámos fazer ou sonhámos tentar. A verdade é que as pessoas continuam a ser pessoas seja em que cenário for, essa é que é a única realidade natural com que nos deparamos diariamente, a única que seja em que cenário for se manterá intacta... Em qualquer cenário eu vou-me chatear com os meus amigos, apaixonar-me pela miúda errada, não querer aturar um Pai ou uma Mãe nesta ou naquela situação, tudo... A única natureza que ainda não conseguimos destruir.

Este filme conta uma história de forma extremamente simples, muito ligada a pequenas emoções e detalhes. A história flui naturalmente e torna-se mesmo confortável acompanhá-la.

Um filme surpreendente por essa simplicidade e ao mesmo tempo emotividade.

Será que um dia vamos pisar novamente terra todos os dias?


Golpes Altos: Nick Offerman é super cómico, os Pais do Patrick são hilariantes, os puto John (Nick Robinson) vai melhor que muitos graúdos, a história, as árvores, a terra, a banda sonora, a simplicidade e o Realizador que não exige protagonismo.

Golpes Baixos: Podia ter mais uns minutos (e isto até pode ser outro elogio), Nick Robinson podia estar acompanhado de putos mais talentosos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Golpes Rápidos

Fui ao Japão e isso requer muitas horas de voo, com isto acabei por ver muitos filmes nesses mesmos voos. Vou tecer então alguns comentários rápidos a todos:

The Internship:
Diverte, é super previsível e tem alguns personagens divertidos. A química Vince Vaughn/Owen Wilson é sempre fácil de se conseguir e aqui volta a funcionar. Não acrescenta nada à história do cinema mas entretém pessoas como eu fechadas num avião sem nada mais para fazer.

Blancanieves:
Que adaptação tão bem conseguida... Tudo bate certo, tudo é bem feito, tudo é exagerado no bom sentido. Nunca quis tanto matar uma personagem como quis fazê-lo a esta madrasta... Os pormenores do filme fazem o filme e não há confusão nenhuma em qualquer fase da narrativa.

The Hangover Part III:
O 1º foi surpreendente... Nunca quis ser um enorme filme mas surpreendeu e roubou gargalhadas a meio mundo. Este 3º filme só não é o melhor de todos porque já vimos 2 (sendo que o 2º é o pior de todos). Nesta 3ª parte vemos um filme mais maduro, personagens com mais para contar e com problemas menos superficiais. Gostei muito mais deste filme do que esperava, não sei se isso é bom ou mau.

Borgman:
Que filme f*... Fortíssimo, tem um imaginário que parece misturar o Stalker do Tarkovski com a frieza nórdica a estalar por todos os lados. Dão-nos elementos durante o filme que temos de aceitar sem questionar e envolvem-nos num cenário estupidamente visceral e violento. Grande filme.

A Busca:
Desespero de um aparente mau Pai que procura redimir-se de tudo o que fez mal na vida no momento em que é chamado à realidade com o desaparecimento do filho. História muito bem contada e com uma dose muito real de emoções. Gostei do filme e o Wagner é mesmo bom.

Oblivion:
Muito muito fraco. Um filme de ficção científica tem de primar pela inovação e tem de surpreender por nos trazer algo de novo nem que seja no imaginário. Este filme não traz nada de novo, tudo o que se passa são lugares comuns já antes vistos e trabalhados de forma bem mais eficaz. Ia adormecendo.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Golpes de Génio - Hotaru No Haka (Grave of the Fireflies)


Realizador: Isao Takahata
Argumento: Akiyuki Nosaka (novel)Isao Takahata

Longe vai o tempo em que os filmes de animação não eram 90% para crianças e 10% para adultos... Todos sabemos que os Japoneses (especialmente eles) sempre nos trouxeram uma percentagem inversa à que se vive hoje em dia quando nos vemos perante filmes de animação, este filme não é excepção e muito outros seguem a mesma regra. 

Estamos perante uma história extremamente real que nos transporta para o final da 2ª Guerra Mundial num Japão destruído pelos bombardeamentos constantes dos aliados.
Neste Japão vive um rapaz (Seita) que tem uma ligação extremamente paternal com a sua irmã mais nova (Setsuko) devido à ausência do Pai que pertence à Marinha Japonesa. A Mãe está presente mas sofre do coração, algo que "obriga" Seita a impor-se como o protector oficial de Setsuko. 

Partindo desta premissa entramos num filme carregado de sentimento e de sensibilidade. O Autor do mesmo tinha 4 anos quando a Guerra começou e 10 anos quando a mesma acabou, assim sendo, o ponto de vista que ele usa para este filme é o de 2 personagens que rondam essas mesmas idades. E ele consegue transmitir essa experiência como acho que nunca tinha visto em nenhum dos 100000000 filmes sobre a 2ª Guerra Mundial.

Vemos uma ligação quase umbilical entre os personagens, algo que se retrata até na forma como andam juntos e ele a carrega às costas ou junto ao peito. 
Takahata desvenda o final do filme logo na primeira cena, é um momento de pura inspiração porque é o primeiro momento em que ele mostra que não está ali para surpreender (no sentido foleiro da palavra), para criar twists, para fazer pensar "será que ele morre?", "será que ela morre?", "será que o Pai volta?", bla bla bla... Não interessa... Ele "limita-se" a contar uma das histórias mais bonitas que o Cinema já viu e que mesmo sabendo o final, nada nos desprende do Filme nem por um segundo.

Foi dos filmes que mais me surpreenderam de sempre... Um dos filmes que fez melhor o trabalho de campanha anti-guerra, seja ele intencional ou não.

Uma história de Amor, das mais bonitas e devastadoras contadas até hoje.


Golpes Altos: A facilidade com que a história se desenrola, não importar como acaba, ser maravilhoso tanto esteticamente como em pequenos pormenores "infantis" do enredo, a banda sonora e o seu incrível timing, tudo... mesmo tudo.

Golpes Baixos: Haver quem nunca tenha visto este filme... 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

RPG

Realização: David Rebordão e Tino Navarro
Argumento: Tino Navarro
Elenco: Rutger Hauer e os 10 piores actores do mundo

Tino Navarro virou Takeshi Kitano da Reboleira


Tino Navarro não gosta do cinema português. Esta é a única explicação para a qualidade do seu último filme. RPG é passado num futuro próximo, em que um grupo de idosos milionários volta à juventude para lutar num jogo pseudo-violento do qual apenas um sairá vencedor. O problema de RPG, é que se fica com a sensação que ninguém ganhou nada – nem o espectador, nem a equipa de produção, nem os actores, nem o país.

Tino Navarro, cuja carreira de produtor começou há mais de 20 anos, terá concluído que o cinema não lhe trouxe nada de bom, e decidido vingar-se da indústria e de Portugal. Juntou esforços com o inexperiente David Rebordão e, juntos, assassinaram o cinema nacional. Foi uma morte triste, porque veio numa altura em que nomes como Miguel Gomes e João Salaviza começam a florescer e a mostrar o que de bom se faz em Portugal. E, como se isto não fosse grave o suficiente, Tino Navarro decidiu ainda arrastar pela lama o actor icónico Rutger Hauer e convencer 10 modelos/apresentadores de que até têm talento para o cinema. Não têm. Tal como não teve Tino Navaro, David Rebordão ou qualquer outro criativo na rodagem deste projecto. A pergunta surge incessantemente ao longo da história: “O que farias para ficar jovem?”. Uma coisa é certa, não voltava a ver este filme.


Artigo publicado em Jornal i

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Elysium

Realização: Neill Blomkamp
Argumento: Neill Blomkamp
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Wagner Moura, Alice Braga e Diego Luna


Lembro-me daquele horrível cliché saído do Gladiator - 'What we do in live, echoes in eternity'. A frase, antes de ter sido tomada refém por Ridley Scott no seu épico de Sábado à tarde, pertenceu a Marcus Aurelios (o verdadeiro, não Richard Harris) e aplica-se perfeitamente à carreira do mais recente talento sul-africano Neill Blomkamp. Blomkamp começou a sua carreira como animador 3D em séries e curtas de ficção científica, e teve o seu début como realizador de grandes metragens em 2009 com o aclamado District 9. O filme foi um sucesso, e com razão. A abordagem era brilhante. Blomkamp e a mulher Terri Tatchell resolveram prever um segundo apartheid para a nação arco-íris - desta vez com extra-terrestres em vez de negros ainda que, curiosamente, os maus da fita continuassem a ser os boers (brancos sul-africanos). Para além do argumento, District 9 mostrou o vanguardismo de Blomkamp por detrás da câmera e o talento inquestionável do seu protagonista Sharlto Copley. Com Elysium, fico com a sensação que o bom argumento de District 9 foi mais responsabilidade de Tatchell que de Blomkamp.

Elysium é uma crítica social pouco subtil, com os ricos a terem acesso ao sistema de saúde e os pobres a definharem com doenças terminais. Ok, percebemos a ideia. É legítimo, ninguém gosta de ver ninguém a morrer à porta de um hospital. A única questão é que este tema já foi abordado demasiadas vezes para justificar mais um filme sobre ele. Se já estamos fartos de filmes a criticarem a privatização do sistema de saúde, não me façam falar de filmes de ficção científica. Em cima disto, acrescente-se um argumento fraquinho com diálogos francamente maus e incoerências que, caso o filme fosse melhor, até estaríamos dispostos a ignorar. Outro ponto contra o filme é a direção de actores. O casting é interessante, junta brasileiros talentosos (Wagner Moura), mexicanos menos talentosos (Diego Luna) e uma fufa em hora de despedida (Jodie Foster, finalmente vais-te embora do cinema!). Mas Blomkamp não parece conseguir puxar pelo melhor que há nestes artistas, e o resultado são personagens pouco credíveis com reações pouco espontâneas. Tudo isto, devo dizer, à excepção de Sharlto Copley, que é um dos melhores vilões que tenho visto ultimamente.

O que compensa todas estas falhas, é uma realização espetacular, efeitos magníficos, grandes cenas de acção e o sorriso de Alice Braga. Continuo a gostar de Blomkamp, continuo a achar que é um grande realizador com muito potencial, mas gostava que se rodeasse de uma melhor equipa que o ajudasse a escrever um guião decentemente e a guiar actores de forma a potencializar os seus atributos. E secalhar também já chega de críticas sociais no espaço, que tal uma abordagem mais filosófica? Fica a ideia.


Golpes Altos: Sharlto Copley é um achado. A Realização de Blomkamp, os efeitos e, repito, o sorriso de Alice Braga.

Golpes Baixos: Argumento medíocre e tema esgotado. Péssima direcção de actores.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Golpes Indie - What Maisie Knew

Realização: Scott McGehee e David Siegel
Argumento: Nancy Doyne e Carroll Cartwright (baseado num romance de Henry James)
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile


Ter filhos não é para todos. A algumas pessoas, nunca deveria ser permitido procriar. Não quer dizer que sejam más pessoas, com más intenções ou psicopatias latentes. São, normalmente, pessoas egoístas, imaturas, demasiado focadas em si mesmo e nos seus problemas para poderem abdicar da sua existência pela existência de uma criança. Filhos de lares despedaçados raramente dão adultos equilibrados, e esta é uma verdade que falta dizer em voz alta. Se a Igreja Católica nos serviu para alguma coisa - e, admito, não serviu para quase nada - foi para nos dizer que um casamento é eterno, principalmente se envolver uma criança. A "santidade do casamento" não é obra do espírito santo, não existe para glorificar a Igreja - serve para glorificar os seus filhos, que não têm culpa que o mundo seja um lugar frio e difícil.

What Maisie Knew é um livro do escritor realista Henry James. No livro, Maisie é uma criança dividida entre dois pais divorciados, egoístas e irresponsáveis. No livro, James crítica o divórcio, o casamento, as relações, tudo. No livro, Maisie não acaba bem.
No novo filme da dupla Scott McGehee e David Siegel, a história é outra. Os realizadores decidiram manter a perspectiva do filme pelos olhos e pelo entendimento da criança. Essa abordagem está bem feita, a realização é sólida e as coisas que ficam por entender têm uma explicação simples: só sabemos o que Maisie sabe, só sentimos o que Maisie sente.

Paralelamente à história da criança, o filme é uma bonita história de amor contada em plano secundário. Não estamos habituados a isto. Uma boa história de amor é primeira página. Sempre foi. Por isso é refrescante que esta nos seja mostrada pelos olhos da criança, que vê nos seus dois novos pais uma casa que que não conhecia. Quando somos pequenos, e nos vimos apanhados em fogo cruzado entre dois adultos egoístas e irresponsáveis, ficamos com memórias negras e confusas daquilo que foi a nossa infância. Se, como Maisie, tivemos a sorte de ser adotados por duas pessoas puras e boas de coração, as nossas memórias passam a casas de praia, passeios ao pôr do sol, viagens de barco, sorrisos e muito amor. O amor é a coisa mais importante para a memória de uma criança. Nesse ponto, o filme é firme: se não o têm, não tentem ser pais.

O filme conta com um grande leque de actores, um argumento fantástico e uma realização audaz. Todos os elementos parecem funcionar em uníssono e isso traz uma harmonia fresca a um filme que, de outra forma, poderia tornar-se demasiado chato e negro. É uma lufada de ar fresco, quando temas clássicos são abordados por mentes jovens e criativas.


Golpes Altos: Adaptação original e ousada de um romance clássico. Realização sólida e inovadora. Boas interpretações. Joanna Vanderham é uma delícia.

Golpes Baixos: Gostava de ter visto uma melhor banda sonora, e uma melhor publicitação.


sábado, 17 de agosto de 2013

A Gaiola Dourada


Realizador: Ruben Alves
Argumento: Ruben Alves, Hugo Gélin, Jean-André Yerles
Actores: Rita Blanco, Joaquim de Almeida, Roland Giraud, Chantal Lauby, Bárbara Cabrita, Lannick Gautry


Todos já vimos retratos dos nossos emigrantes feitos por outros, pelos que estão do lado de lá da barricada. O Ruben Alves é Luso-Descendente e fez um filme que serve como ele próprio diz para homenagear os Pais... Estamos no bom caminho portanto.

Quem não gostar deste filme tem um problema grave com actores Portugueses, mais que um problema, terá um preconceito que simplesmente não faz sentido.
Quem não gostar deste filme não o vai saber justificar de forma categórica.
Quem não se divertir a ver este filme, tem o humor de um camião TIR...
Quem achar que este filme reduz de alguma forma os Portugueses, não percebeu puto do que se passou nestes 100 minutos.

É um filme fácil de gostar, é um Almodovar com sangue Português que retrata TODOS os clichés do "Emigrante" e é algo assumido. Os retratos têm de recorrer aos clichés, os clichés existem precisamente para serem BEM usados. Estamos perante um caso desses, um filme onde os pormenores são uma perfeita delícia sejam eles em diálogos, em roupas, em adereços, em expressões... TUDO pensado e, acima de tudo, tudo muito sentido e retratado por alguém que viveu uma história semelhante.

História essa que retrata uma família de emigrantes sediados em França, país que viu nascer os seus filhos e que com maior ou menos dificuldade os recebeu bem e lhes ofereceu oportunidades. A dada altura a família recebe uma inesperada notícia: são herdeiros de uma fortuna significativa e... tudo muda a partir daí! Ciumeiras alheias, elogios e benefícios tardios de quem não os quer ver partir, dúvidas, dramas familiares... um autêntico caos à Portuguesa.

Claro que também não gosto que falem em Francês em casa.
Claro que também preferia que eles não tivessem enfiado ali a Maria Vieira.
Claro que me chateia que 70% dos risos na sala sejam quando eles dizem asneiras numa forma de humor muito fácil.
Claro que não é um filme de topo...

Mas ADOREI vê-lo e aconselho a todos os que gostarem de se divertir a ver um bom filme. Entretenimento puro, coisa que é raro vermos quando temos Portugueses associados, pelo menos no que toca a Cinema.


Golpes Altos: Os pormenores, a boa disposição, a Rita Blanco (digo e repito, é das melhores Actrizes que já vi... Está ao nível das melhores de Hollywood), o Joaquim de Almeida a fazer de Pedreiro, as miúdas giras que aparecem (e sim, também aparecem miúdos giros...), a Realização!

Golpes Baixos: Porquê o Francês em casa? Para pouparem nas dobragens? A Maria Vieira? A sério?


PS: Adoro ser Português.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

The Lone Ranger

Realização: Gore Verbinski
Argumento: Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio
Elenco: Armie Hammer, Johnny Depp, William Fichtner e Tom Wilkinson

Tempos houve em que os grandes ícones do Oeste americano simbolizavam alguma coisa. Tempos houve em que os heróis que pisavam a terra transmitiam valores, lutavam em nome do bem, cavalgavam qual justiceiros alados em busca de justiça! Pronto... excedi-me um pouco. Mas a verdade é que, nos dias que correm, valores como a justiça e a integridade são geralmente postos de lado, em prol de ganâncias, corrupções e outras maleitas monetárias.

Gore Verbinski é um realizador de massas, aparentemente sem grande talento nem grandes aspirações intelectuais. A sua grande obra até ao momento foi o aterrorizante The Ring, que trouxe um novo fôlego ao cinema de horror e deixou a sensação de que talvez Verbinski seja apenas mais um realizador incompreendido, perdido no grande oceano da indústria americana. Depois seguiram-se os blockbusters das aventuras de Jack Sparrow e cedo esquecemos o nome do realizador, associando-o à decadência artística de Johnny Depp e do cinema franchising. Com The Lone Ranger, Gore Verbinski não só limpou o seu cadastro, como fez as pazes com o cinema de aventura. O problema, digo eu, é que o filme corre o risco de ficar incompreendido.

O filme ressuscita a história do Mascarilha e do seu fiel amigo Tonto - ou será Tonto e o seu fiel amigo Mascarilha? Seja como for, a história remonta aos anos '50, entre populares livros de quadradinhos e menos populares tentativas no grande ecrã e conta como, em tempos difíceis, bons homens são obrigados a usar máscaras. É uma grande crítica social à destruição do velho Oeste pela construção de caminhos de ferro e pela incessante fome da industrialização. Associa-se a isto um conjunto de bons valores, materializados na loucura do índio Tonto que, pela mão de Verbinski, larga a pele do personagem subserviente de "fiel companheiro" e se torna uma personagem com vontade própria, com sede de vingança. Na versão de Verbinski, Tonto é mais inteligente e mais capaz que o Mascarilha. No início do filme, é Tonto quem está esquecido, deixado a apodrecer num museu para ser encontrado por uma criança vestida de cowboy. Gosto de acreditar que essa criança é Verbinski, são os seus três guionistas e somos todos nós. Os nossos heróis não nos deixaram, mas nós virámos-lhes as costas, deixando-os para serem tratados como peças de museu.

The Lone Ranger é uma oportunidade para nos lembrarmos de como era ter exemplos de justiça, de como se podem fazer bons filmes de aventura, repletos de referências que vão de John Ford a Buster Keaton, fazendo-nos rir e apertar as mãos de emoção com os benefícios das grandes produções e dos efeitos CGI. O novo Mascarilha não é um filme perfeito, não me deixem enganar-vos. É demasiado longo, tem partes um pouco chatas e Armie Hammer não foi a melhor escolha possível. No entanto, é um filme bem intencionado, cheio de bons valores, que nos faz pensar no rumo que as coisas levaram. A sociedade evoluiu no sentido errado, não há dúvida. Nas palavras do índio Tonto - 'Nature is out of balance, Kemosabe'.


Golpes Altos: Um filme feito com o coração, de um amante do cinema de aventura. Bem escrito e bem interpretado, é uma aposta segura para uma ida ao cinema.

Golpes Baixos: A duração, algumas cenas demasiado longas e um Armie Hammer fraquinho.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

The Bling Ring

Realização: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson e Leslie Mann


A desilusão era garantida. Sofia Coppola habituou-nos a obras profundas e introspectivas sobre pessoas solitárias e interessantes. As suas “Virgens Suicidas” foram uma ode às dores de crescimento, o seu “O Amor É Um Lugar Estranho” trouxe uma inesperada doçura à paixão platónica. Com “Bling Ring – O Gangue de Hollywood”, Coppola virou definitivamente a página e, inevitavelmente, piorou o livro.

A história é verídica, e isto são as más notícias. Em 2009, um grupo de miúdos ricos e obcecados com celebridades invadiram as casas de alguns dos seus ídolos – entre os quais Paris Hilton e Lindsay Lohan – e furtaram objectos de luxo no valor de mais de 4 milhões de dólares. A história foi explorada pela revista “Vanity Fair” e deixou em Coppola a vontade de juntar a sua mestria técnica a uma crítica à cultura de massas. A crítica está bem feita, o filme vale pelo talento técnico de Coppola, pela banda sonora ousada e pela cinematografia do génio Harris Savides, que, infelizmente, faleceu poucos meses após a rodagem do filme.

O tema é válido: as nossas crianças são vítimas da espiritualidade new age, da cultura de massas e da excessiva complacência de pais pouco atentos. “Spring Breakers” tentou uma abordagem a este fenómeno e falhou. Coppola, ainda que subaproveitada, respeitou o compromisso assumido.


Artigo publicado em Jornal i - 08/08/2013