domingo, 26 de janeiro de 2014

Captain Phillips



Realizador: Paul Greengrass
Argumento: Billy Ray (adaptação)
Actores:  Tom HanksBarkhad AbdiBarkhad Abdirahman

Todas as nossas percepções e avaliações de entretenimento ou mesmo artísticas têm como base uma expectativa. A minha para este filme era muito baixa, o que o protegeu e de que maneira... 

Fui ver um filme de um Realizador de enorme qualidade a filmar especialmente cenas de Acção, sobre uma história conhecida de um dos dramas modernos de quem navega os oceanos do nosso planeta, com aquele que é provavelmente o actor mais mainstream do Cinema moderno e que arrisco dizer ser dos mais Profissionais que já vi. É claramente daqueles homens que sabendo não ter um talento especial muito acima da média, substituiu-o por trabalho árduo e constante, a prova de que o sucesso vem do trabalho é a carreira do Tom Hanks que bem a merece. Há melhor que ele? Claro... muito melhor! Mas ele é um trabalhador que merece tudo o que teve sem peneiras. 

O filme conta a história verídica do Captain Philips que vê a sua embarcação ser invadida por piratas somalis. Todo o drama envolvido, as negociações e o momento chave em que se vê preso num salva-vidas com esses mesmos piratas. 

O que me surpreendeu no filme (e a ajuda do Greengrass foi preciosa aqui) foi a simplicidade da narrativa sem grandes necessidades de exagerar no drama, tendo o cuidado de mostrar a realidade dos piratas que não fogem ao papel de maus da fita mas deixando claro as suas "queixas" em relação aos americanos. Não é comum sequer haver esta hipótese de perceber o outro lado da moeda materializado aqui na necessidade de ir para o oceano correr riscos de vida em busca de tesouros chorudos.

A tensão típica de um resgate está lá toda, com picos muito interessantes sempre liderados pelo fantástico Muse (interpretado por Barkhad Abdi) que é claramente o ponto mais alto do filme. Uma interpretação de uma vida de um total desconhecido e que nos arrasta no filme para um mundo frágil, sem esperança e ao mesmo tempo muito humano. Este homem é a maior surpresa do ano até agora...

Penso que a negociação final do filme é já demasiado "herói americano" e "no final vencemos a todo o custo" e aí já quase me esqueci que até estava muito surpreendido com a qualidade do filme, ainda assim não o consegue estragar e desafio quem não gosta de Cinema mainstream a ir ver um bom exemplo de que esse Cinema constrói muitas vezes obras de qualidade.

O Tom Hanks está como sempre muito bem, sem rasgos de genialidade (que nem é costume tê-los excepto na cena clássica da Maria Callas no Philadelphia) mas muito profissional e a carregar a pequena parte do filme que o Barkhad Abdi não carrega.

Nunca na vida seria filme para prémios, mas o Barkhad Abdi merece todos e mais alguns.


Golpes Altos: A realização irrequieta do Greengrass serve este filme na perfeição e claro: Barkhad Abdi.

Golpes Baixos: Os últimos 15% do filme.

domingo, 19 de janeiro de 2014

The Wolf of Wall Street



Realizador: Martin Scorcese
Argumento: Terence Winter (adaptação)
Actores:  Leonardo DiCaprioJonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jean Dujardin.

Imaginem a forma (ou fórmula) do Goodfellas, esse "Rise and Fall" fantástico com um turbilhão de momentos cheios de adernalina e tensões constantes. Imaginem tudo isso mas com 2 ingredientes novos ou muito mais intensos: Charme e Entretenimento. O resultado é este Wolf of Wall Street.

Como disse um amigo meu: "Um filme que começa com o arremesso de anões, tem de ser um grande filme". Touché. 

Sou suspeito porque sou um apaixonado pelo Scorcese, mas adorei o filme... Claro que não é tão bom como o Goodfellas, mas a delícia para mim é que nem tenta ser... É um filme de barrigada, um filme de entretenimento cheio de cenas debochadas, diálogos incríveis e actores de enorme qualidade. 

O Jordan Belfort (interpretado pelo Di Caprio) existiu mesmo, escreveu um livro com a sua história e o Scorcese a pedido do Di Caprio pegou nisto e fez a magia do costume. Quem vir este filme e não gostar, ou é um embirrento ou não tem qualquer sensibilidade de entretenimento (sim, já disse esta palavra muitas vezes). O personagem é tão forte e está tão bem trabalhado que os satélites que andam à volta dele só têm de preencher o bolo e fazer disto um filme poderoso. O gajo era um bicho de ambição, testosterona, deboche, luxo, boa vida, exageros, mais exageros e ainda mais exageros. 

Uma comédia com um ritmo alucinante mesmo num filme de 180min... Queremos mais e mais, o filme funciona como as drogas que circulam na tela e ainda nem acabámos uma cena e queremos outra, e mais outra e mais outra... é viciante! O segredo do Scorcese é que no meio disto tudo NUNCA se esquece que está a contar uma história, uma boa história e que a tem de contar muito bem contada... Nunca falha neste ponto e este é só mais um bom exemplo. 

O Di Caprio é um monstro e um actor de topo. Não sei se é desta que leva o Óscar mas começa a ser absurdo não ter nenhum. 
O Jonah Hill é fantástico, hilariante e cresce a olhos vistos como actor. 
O pequeno papel do McConaughey mostra também que já há muito que deixou de ser um mero menino bonito. Em ano de o papel de uma vida com o filme Dallas Buyers Club, ainda faz uma perninha neste deboche de 3 horas. 
Os Secundários assistentes do Di Caprio são também eles uns "Comic Reliefs" de grande nível.
A mulher (a 2ª) é belíssima e é uma surpresa... penso que melhora muito na 2ª metade do filme embora seja claramente o elo mais fraco. 
Jean Dujardin é Jean Dujardin no seu estado mais puro... 

O Scorcese nunca soube fazer maus filmes e sempre soube entreter o seu público mesmo nos momentos mais "Dark". Filma como poucos, tem um bom gosto e uma sensibilidade quase únicos e é um dos grandes Cineastas de sempre. Respect. 


Golpes Altos - O entusiasmo com que estamos durante o filme todo, a vontade de querer mais e mais mesmo com 180min de filme. Ritmo alucinante. 

Golpes Baixos - Não aponto nada relevante... talvez a Margot Robbie, mas é tão bonita... ok, não aponto mesmo nada! 

sábado, 18 de janeiro de 2014

12 Years a Slave



Realizador: Steve McQueen
Argumento: John Ridley (Adaptação)
Actores: Chiwetel EjioforMichael K. WilliamsMichael Fassbender, Paul Giamatti, Paul Dano, Sarah Paulson, Brad Pitt, Benedict Cumberbatch.

O McQueen depois de 2 filmes duríssimos e pouco Mainstream, tentou com este Filme chegar às massas. Quando há qualidade no nosso trabalho (que é o caso), é difícil dar um passo em falso, este 12 Years a Slave é um caso de sucesso com algumas notas que vão poder espreitar mais à frente. 

O filme baseado numa história verídica leva-nos à sala sabendo quase tudo o que vai acontecer. Provavelmente por já estarmos condicionados parece ser bastante previsível, mas este tipo de história não vive da surpresa, vive de como é ou não bem contada. 

Um tema já abordado "N" vezes é sempre arriscado, até porque há muitas abordagens de sucesso e sendo assim é gritante não falhar. O primeiro ponto menos bom que consigo destacar deste filme é que realmente não falha em quase nada mas...também não nos traz rigorosamente nada de novo. Vemos a brutidão de alguns "Lords", vemos a luta interna e externa dos escravos, vemos a revolta constante de quem está sentado na cadeira de cinema, vemos as agressões, o desespero, as mortes, as salvações, vemos tudo o que já vimos sem tirar nem por... 
Entrei na sala de cinema com a expectativa bem lá em cima e saí de lá com o copo 2/3 cheio... 

Muitos lugares comuns disparados com uma realização de enorme qualidade. Temos planos completamente fantásticos que contam uma história ou dá-nos uma percepção de tudo em segundos... Destaco o plano quando o Solomon está pendurado com os pés na lama e a "vida" daquela quinta se começa a desenrolar nas costas dele normalmente... Achei brilhante. McQueen sabe perfeitamente o que faz e como estava a trabalhar para massas assumiu uma posição de risco quase zero, penso que lhe garantiu o sucesso dos 100% de unanimidade, mas não o deixou chegar aos 170% de um filme que podia de facto rasgar a história deste tema. Ficou entre outros de enorme relevo e também eles ambiciosos, que no entanto podiam ser ultrapassados com um pouco mais de risco assumido. 

A história penso que merecia mais tempo para respirar. É um filme de 135min mas podia ser de 180... Há momentos do filme (não li o livro) que mereciam ser aprofundados, que mereciam dar-nos mais tempos para levar o soco no estômago ou para sentirmo-nos aliviados gradualmente... Destaco aqui a relação com o personagem interpretado pelo Pitt que podia ser melhor trabalhada. 

O Ejiofor está para o filme como o filme está para o Cinema... Chegou aos 100% com uma qualidade constante e sem comprometer minimamente, mas também podia ter assumido um risco maior. Risco esse assumido pelo Fassbender que se explica pelos próprios contornos do personagem e pela qualidade do actor que provavelmente ficará a meio da carreira perto do Olimpo.
Nas pequenas aparições destaco o Giamatti que está fantástico, o Pitt que está coeso e sem grande aparato devido ao personagem que interpreta e o Paul Dano que parece um pouco parvo demais... adoro o actor, tem-me surpreendido em quase tudo o que faz e especialmente na carreira que tem escolhido, mas penso que aqui é mesmo demasiado pateta, o que, mais uma vez, parece cumprir e na perfeição o que era pedido.

É claramente um filme de Óscar, um filme que ao ser premiado ninguém vai dizer que é um escândalo ou que é mal entregue. É muito unânime e atenção: Acho mesmo que é um muito bom filme, mas esperava que fosse um daqueles filmes que aparecem 1x de 10 em 10 anos e não foi o caso... 


Golpes Altos: Realização, coesão do filme, todas as interpretações também elas muito responsáveis e novamente a Realização. É para mim o maior destaque. Outro momento alto é a relação do Fassbender com a Pats.

Golpes Baixos: Ausência de risco assumido pelo Realizador e até pelo Actor Principal. Lugares comuns em demasia (difícil de fugir aos mesmos, aceito).

A pedido de... 2 famílias?

Estou por aqui e quero dizer que uma das resoluções de ano novo passa precisamente por voltar a debitar o que me vem à cabeça sobre os filmes que vou vendo.

Com as entregas dos Globos de Ouro, com as nomeações (previsíveis) dos Óscares, com uma dose de cinema considerável que tenho "papado", sinto-me na obrigação de vos condenar com as minhas ideias sobre esse mesmo cinema.

O meu companheiro amigo palhaço vai fazer um esforço extra, logo ele que era o protagonista deste espaço sempre com a língua afiada pronta a dizer, muitas vezes, merda.

Com isto, vamos ao trabalho!

domingo, 27 de outubro de 2013

Frances Ha


Realizador:  Noah Baumbach
Argumento:  Noah BaumbachGreta Gerwig
Actores: Greta Gerwig, Mickey Sumner, 

Referências e mais referências.
Gosto de filmes que me levem a outros e a mais outros mas que mantenham personalidade. Filmes que não escondem as suas referências mas mostram que têm algo a acrescentar.
Neste filme vi imenso o À Bout de Souffle, pedra basilar da Nouvelle Vague nos seus impulsos bem como, obviamente, o velhinho Woody Allen e as suas conversetas por Nova Iorque. 

Duas referências ambiciosas que se cruzam com grande eficácia neste filme muito bem trabalhado. Aqui temos uma história romântica de mulheres libertinas cheias de sonhos e ambições, rodeadas por pessoas muito diferentes e estados de espírito instintivos. 

O filme transmite uma proximidade grande com a personagem principal. Essa proximidade é mais eficaz também porque a mesma escreveu o Guião com o Realizador, sabemos que é uma fórmula com algum sucesso desde que o talento exista, e existe. Esta actriz meio "destrambulhada" é uma agradável surpresa e cria uma empatia imediata, quase paternal, com quem a está a ver... Queremos que a vida lhe corra bem porque ela mostra ser transparente de uma forma muito inocente. 

Uma história de procura, de ambição e de desejos por vezes simples mas que fazem toda a diferença na nossa vida. Uma miúda simples que se procura na grande cidade, uma miúda que não tem medo de batalhar à sua maneira, com deambulações sentimentais quase constantes e uma forma de estar no mínimo peculiar. 

Esta sonhadora consegue-nos conquistar e aconselho-vos a seguirem-na neste filme muito bem conseguido que nos deixa com a sensação que ainda é possível reinventar estas histórias simples.


Golpes Altos: Referências muito assumidas e bem trabalhadas, banda sonora, charme em muitos momentos, trabalho dos actores. 

Golpes Baixos: Resolução final demasiado instantânea.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Monsieur Lazhar



Realizador: Philippe Falardeau
Argumento: Philippe Falardeau (guião), Evelyne de la Chenelière (play)
Actores: Mohamed FellagSophie NélisseÉmilien Néron

É na escola que construímos o nosso início, é por lá que apanhamos os primeiros traumas, sustos, amores, desamores, paixões, relações, tudo... Quando somos putos somos uma esponja e absorvemos mais do que devíamos, mas é bom porque tudo serve de experiência.

Isto funciona assim menos quando essa experiência é de facto desnecessária... Numa Escola Canadiana uma professora suicida-se em plena sala de aula e 2 dos seus alunos vêm a mesma pendurada pelo pescoço. Imagem que os vai perseguir num curto espaço de tempo de forma muito intensa e que vai criar muitas dificuldades no que toca a relação com Professores, Pais, colegas, tudo...

Com a saída da Professora entra em cena um Argelino que ficou sensibilizado pela perda e quer ajudar. Torna-se então o Professor substituto da turma e cria ligações fortes principalmente com os miúdos mais afectados pelo trauma. Este Professor identifica-se com a história e é uma grande ajuda para esses mesmos miúdos.

Um filme que aborda vários temas de forma muito cautelosa, desde o "drama" dos Professores que não podem tocar nas crianças, aos problemas com os Pais, as divergências entre Professores, as divergências entre alunos, a ligação ao trauma, a força dos boatos num meio como uma Escola, etc.
Penso que tudo isto são temas extremamente actuais e que deviam ser vistos e revistos por quem realmente pode fazer alguma coisa nesse sentido, é que hoje em dia a protecção excessiva das crianças acaba por criar fendas gigantes de personalidade e até de afecto.

Fellag faz um papelão e os 2 miúdos principais são incríveis... O puto (Émilien que faz de Simon) tem uma cena na sala de aula que poucos graúdos conseguiriam fazer com tamanho estrondo. É impressionante.

Frase da noite de um Professor no filme: "Hoje em dia trabalhar com crianças é como trabalhar com Resíduos Radioactivos" -> e penso que todos estamos de acordo que não pode ser assim... Esta "doença" dos Carlos Cruz da vida que de repente se criou, algo que resulta numa gigante bolha Actimel para os putos é simplesmente risível e também ela desnecessária.

Um filme a não perder. Para todos os Pais, futuros Pais e Professores! (claro que bem mais que isto mas estes vão senti-lo de outra forma...)


Golpes Altos: a história é a protagonista do filme, os 3 papéis principais, o "alerta" que se cria para esta nova geração de pequenos imperadores.

Golpes Baixos: um filme com um potencial de ser ainda melhor e que pecou por escasso a ambição do mesmo. Penso que podiam dar-lhe uma dimensão ainda maior para ser verdadeiramente marcante.

domingo, 13 de outubro de 2013

Gravity



Realizador: Alfonso Cuarón
Argumento: Alfonso CuarónJonás Cuarón
Actores: Sandra BullockGeorge Clooney

Nota Prévia: Os 2 escribas deste blogue estão com menos tempo que o normal, um deles emigrado e outro com menos mãos que trabalho tem complicado a cadência de posts a que especialmente o buddy vos habituou. O grito de exigência de uma das nossas mais fiéis leitoras fez-me acordar e trazer um novo filme! Mais virão! 

O Cuarón 7 anos depois da obra prima Children of Men traz-nos um daqueles filmes ao qual podemos dar aqueles adjectivos que as revistas adoram, "electrizante", "sufocante", "desesperante", bla bla bla... É de facto isso tudo e também irrepreensível a nível técnico, outra coisa não seria de esperar do Mexicano.

Neste filme nós respiramos o sufoco, nós estamos lá... a proximidade que cria em todas as situações adversas que vemos retratadas neste filme é incrível. Tudo gira à volta de desespero, de estar no limite, de estar perto do fim, do básico instinto de sobrevivência... Não me lembro de um filme em que me tenha sentido tantas vezes esmagado pelo que o personagem principal está a sentir, é mesmo um exercício de resistência a uma tensão constante e, repito, sufocante...

Digo a brincar que este filme é uma mistura de 127 Horas com Cast Away mas passado no espaço, no entanto dá 10-0 a qualquer um dos filmes mencionados... As referências estão mais no conteúdo do que na forma e se há coisa em que este filme se destaca é precisamente na forma.

Mudava 3 coisas a este filme: A banda sonora muito americana épica manhosa, a Sandra Bullock porque a odeio e o final... Não vou lançar spoilers porque o filme é recente mas mudava-o...
Estranhei alguma excessiva "americanização" (no mau sentido...porque adoro cinema Americano) do Cuarón neste filme, penso que estes 3 pontos que eu mudava são o pico desse pecado, podia ser um filme ainda mais marcante se fosse menos "preocupado".

A não perder. Não vão ver um marco da história do Cinema, mas vão ver um grande filme muito bem produzido e realizado e tudo e tudo...


Golpes Altos: A cena HISTÓRICA, repito, HISTÓRICA dela sozinha na chuva de satélites; a TENSÃO constante (acho que me doía o corpo no final...); o sufoco da proximidade criada; a intensidade dos vários momentos; toda a técnica do Cuarón.

Golpes Baixos: Banda Sonora; o final e a Sandra Bullock (acho que até a Jodie Foster fazia melhor...)

domingo, 29 de setembro de 2013

Stuck in Love



Realizador: Josh Boone
Argumento: Josh Boone
Actores: Lily CollinsLogan LermanJennifer Connelly, Nat Wolff, Liana Liberato

Um Filme que aglomera várias fases da nossa vida enquanto amantes. Desde a inocência do 1º amor, à devastação do 1º desgosto, passando pelo 1º namoro em que realmente nos entregamos, às segundas oportunidades em amores antigos que sentiram necessidade de algo mais mas que afinal a casa da partida era mesmo a certeira. 

Tudo isto retratado usando como base uma só família, um seio de gerações pronto para nos dar a conhecer todas as fases daquilo que os românticos gostam de dizer que nos faz mover. 

Nesta família de artistas, maioritariamente escritores, a ficção mistura-se com a realidade e uma não vive sem a outra. Sem as experiências da vida real não se constrói nada coeso na ficção. Isto é obviamente um cliché e este filme não nos traz nenhuma novidade, no entanto os clichés quando são bem usados são muito valiosos e uma história bem contada não tem de nos surpreender, tem de nos cativar. Não acredito que alguém tenha visto este filme e não se tenha sentido minimamente cativado logo nos primeiros planos... 

É aqui que a frescura deste jovem realizador vinga, é tudo muito cativante sem ser minimamente presunçoso. É super simples mas penso que consegue cativar-nos com lugares comuns que nos fazem sentir confortáveis, algo que nos é familiar mesmo que não tenhamos vivido as situações retratadas.

Todos os actores principais (família e "casos" da mesma) estão muito bem e a facilidade com que entramos na história é muito por culpa deles. Visto que o Realizador quis proteger a história da sua técnica, expôs muito os personagens que lidaram com essa responsabilidade da melhor maneira possível.

São várias histórias muito bonitas que trabalham num espectro enorme de temáticas relacionadas com relações, impossível não nos identificarmos aqui e ali. 

Um filme simples muito bom de se ver, daqueles que nos deixam um pouco mais calmos no final de um dia de stress e de vida real... 


Golpes Altos: História, Actores, Dinâmica da família, O que deixa em quem o vê.

Golpes Baixos: Final muito "arranjadinho", Previsibilidade de algumas situações que precisavam estar um pouco menos expostas. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

The Kings of Summer



Realizador: Jordan Vogt-Roberts
Argumento: Chris Galletta
Actores: Nick Robinson, Gabriel Basso, Moises Arias, Nick Offerman, Erin Moriarty, Megan Mullally

O excesso de contacto com uma realidade imposta e jamais questionada leva-nos a fantasias semelhantes à que este filme retrata. Este tipo de fantasia, desejo, o que quiserem chamar, surge em qualquer idade. Normalmente retratada na adolescência ou pós-adolescência a verdade é que muitas vezes faz-nos muita falta o contacto com o que de mais natural nos rodeia.

Pisar terra em vez de alcatrão, colher flores selvagens em vez de controlar o seu crescimento em canteiros de pedra, saltar de árvores em vez de escorregas, mergulhar no rio em vez de ir à praia, viver rodeado de animais que não nos obedecem em vez de domesticar um, correr em vez de andar, saltar sem pensar o que pensam de nós, perceber que respirar é bom, ter uma casa de madeira na floresta em vez de um apartamento na cidade...

Este filme leva-nos de forma muito descontraída e inocente a uma experiência deste género e deixa-nos água na boca para tudo o que já pensámos fazer ou sonhámos tentar. A verdade é que as pessoas continuam a ser pessoas seja em que cenário for, essa é que é a única realidade natural com que nos deparamos diariamente, a única que seja em que cenário for se manterá intacta... Em qualquer cenário eu vou-me chatear com os meus amigos, apaixonar-me pela miúda errada, não querer aturar um Pai ou uma Mãe nesta ou naquela situação, tudo... A única natureza que ainda não conseguimos destruir.

Este filme conta uma história de forma extremamente simples, muito ligada a pequenas emoções e detalhes. A história flui naturalmente e torna-se mesmo confortável acompanhá-la.

Um filme surpreendente por essa simplicidade e ao mesmo tempo emotividade.

Será que um dia vamos pisar novamente terra todos os dias?


Golpes Altos: Nick Offerman é super cómico, os Pais do Patrick são hilariantes, os puto John (Nick Robinson) vai melhor que muitos graúdos, a história, as árvores, a terra, a banda sonora, a simplicidade e o Realizador que não exige protagonismo.

Golpes Baixos: Podia ter mais uns minutos (e isto até pode ser outro elogio), Nick Robinson podia estar acompanhado de putos mais talentosos.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Golpes Rápidos

Fui ao Japão e isso requer muitas horas de voo, com isto acabei por ver muitos filmes nesses mesmos voos. Vou tecer então alguns comentários rápidos a todos:

The Internship:
Diverte, é super previsível e tem alguns personagens divertidos. A química Vince Vaughn/Owen Wilson é sempre fácil de se conseguir e aqui volta a funcionar. Não acrescenta nada à história do cinema mas entretém pessoas como eu fechadas num avião sem nada mais para fazer.

Blancanieves:
Que adaptação tão bem conseguida... Tudo bate certo, tudo é bem feito, tudo é exagerado no bom sentido. Nunca quis tanto matar uma personagem como quis fazê-lo a esta madrasta... Os pormenores do filme fazem o filme e não há confusão nenhuma em qualquer fase da narrativa.

The Hangover Part III:
O 1º foi surpreendente... Nunca quis ser um enorme filme mas surpreendeu e roubou gargalhadas a meio mundo. Este 3º filme só não é o melhor de todos porque já vimos 2 (sendo que o 2º é o pior de todos). Nesta 3ª parte vemos um filme mais maduro, personagens com mais para contar e com problemas menos superficiais. Gostei muito mais deste filme do que esperava, não sei se isso é bom ou mau.

Borgman:
Que filme f*... Fortíssimo, tem um imaginário que parece misturar o Stalker do Tarkovski com a frieza nórdica a estalar por todos os lados. Dão-nos elementos durante o filme que temos de aceitar sem questionar e envolvem-nos num cenário estupidamente visceral e violento. Grande filme.

A Busca:
Desespero de um aparente mau Pai que procura redimir-se de tudo o que fez mal na vida no momento em que é chamado à realidade com o desaparecimento do filho. História muito bem contada e com uma dose muito real de emoções. Gostei do filme e o Wagner é mesmo bom.

Oblivion:
Muito muito fraco. Um filme de ficção científica tem de primar pela inovação e tem de surpreender por nos trazer algo de novo nem que seja no imaginário. Este filme não traz nada de novo, tudo o que se passa são lugares comuns já antes vistos e trabalhados de forma bem mais eficaz. Ia adormecendo.