quinta-feira, 28 de março de 2013

Promised Land

Realização: Gus Van Sant
Argumento: Matt Damon e John Krasinski
Elenco: Matt Damon, John Krasinki, Frances McDormand e Rosemarie DeWitt


É o meu tipo de filme. Enche-me as medidas. É um filme sobre boa gente, de boas terras, com bons valores, que não cai em estereótipos, não se deixa levar por idealismos e conta uma história que tem que ser contada - da melhor forma possível.

Não sou um ambientalista. Não sou de esquerda, não sou pacifista, não sou vegan nem sou activista pelos direitos sociais, das mulheres ou das minorias. De facto, aprendi com o tempo que me insiro naquela desprezível categoria de pessoas que tende a afastar qualquer valor que colida com o seu próprio bem-estar. Dificilmente sinto pena de alguém e parto de um simples princípio que "se a maioria concorda, é porque provavelmente é mentira". Sou um cínico, muito prazer. Não é nada de que me orgulhe, mas também não é motivo para grandes introspecções. "I'm not a bad man", diz o personagem principal do filme, repetidamente, para si próprio e para os que o rodeiam. E de facto não é. Porque não existem más pessoas neste filme, existem pessoas complexas, boas e más, dependendo do que lhes é permitido fazer com as ferramentas que têm à mão.

Em Promised Land, vimos uma abordagem esclarecedora ao tema do gás natural - da sua substituição dos diabólicos carvão e petróleo, das empresas que o implantam, das terras que destrói. Confesso que não estava dentro do tema e, quem não estiver, não se preocupe, o filme não podia ser mais esclarecedor. E a forma como este argumento brilhante vai abrindo caminho por entre um tema tão forte, sem nunca lhe dar demasiada importância, é fantástico. "We're not fighting for land, we're fighting for people" - e é esta a base do argumento: não é um filme sobre causas, é um filme sobre pessoas. E divide-se entre os dois personagens principais, um de cada lado da vedação e a razão? Essa vão vê-la por vocês mesmos.

Gus Van Sant é um excelente realizador. De facto, é um caso insólito porque é um dos meus realizadores preferidos tecnicamente, e um dos que eu mais detesto em termos de filmografia. Isto deve-se maioritariamente ao facto de ele deixar as suas escolhas sexuais virem ao de cima em grande parte dos seus argumentos, e isso é sempre limitativo. Mas neste caso, tal como em Good Will Hunting e Gerry, deixou Matt Damon (e John Krasinski) trabalhar por ele. E que parceria! E que filme! Sério, emotivo, apaixonado, verdadeiro, simples e bonito. Eu gosto das pessoas deste filme, gosto dos argumentos, gosto das vidas. Talvez um dia o cinismo desvaneça, e o mundo se mostre um lugar mais bonito para pessoas como nós. Filmes como este, sempre dão um empurrãozinho.


Golpes Altos: Matt Damon e John Krasinski. Que dupla. Produzem, escrevem e protagonizam o filme a meias. Krasinski é uma revelação. Gus Van Sant provou ser um grande profissional de cinema.

Golpes Baixos: Lamento dizer isto, mas não morro de amores por Hal Holbrook. Acho-o fora de forma como actor. Está velho de mais para aparecer num filme. Tem mau aspecto e parece que a qualquer momento pode cair pro lado e lá se vão meses de filmagens.


27 comentários:

  1. Mais um que só chegou a meia dúzia de salas de cinema. Os gajos da Lusomundo percebem tanto de cinema como eu percebo da plantação de cebolas... --'

    Anyway, já estava na lista para ver e pela tua crítica parece que vale a pena. O Krasinski está a revelar-se ao mundo e está a ter sucesso. :)
    Quanto ao Hal, o "moço" tem quase 90 anos, não se pode exigir muito. Mas realmente já se reformava...

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  2. A lusomundo é uma vergonhosa instituição e, lamento dizer isto, mas merecem a queda a pique das suas receitas. Se as pessoas já não vão ao cinema, secalhar era boa ideia repensar a ideia de cinema. Antes era tão "social" como ir ao teatro ou a um espectáculo. Agora temos que levar com ciganos aos gritos na fila de trás. Já não têm um senhor com uma lanterna para nos sentar, já não têm um senhor nas salas para mandar calar quem fala alto. As salas são feias, a comida é obsoleta e o cartaz deixa muito a desejar. Atenção, todas estas críticas são feitas à lusomundo, porque ainda existem outros cinemas que funcionam semi-decentemente.

    Pronto, ficou aqui o meu mini-manifesto. Quanto ao filme, vê e depois diz o que achaste! Mas, pelo que já percebi pela participação no blog, vais gostar! :)

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  3. A filmografia de Van Sant é enorme. Aliás, Van Sant é, num todo enquanto cineasta, enorme. Nos últimos anos então é grande filme atrás de grande filme. Milk e Restless, para ser mais específico, são brilhantes. Cada um à sua maneira mas brilhantes.
    Já este Promised Land, e embora não jogue na mesma liga dos anteriores, é um bom filme. Sério e bem contado, com personagens fortes mas ao mesmo tempo suficientemente frágeis para ser humanas, reais. Como disseste e bem, é um filme sobre boa gente.

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  4. Pessoalmente, não gostei do milk. Quanto ao Restless, ainda não o vi, mas a premissa principal do filme deixa-me um pouco de pé atrás (fantasma japonês da segunda guerra?). Quanto ao Promised Land, acho-o na liga dos melhores do Van Sant que, para mim, são os seguintes: Good Will Hunting, Gerry e Drugstore Cowboy. Tudo o resto para mim são filmes que não cabem nos meus gostos (o que não quer dizer que sejam maus).

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  5. Fiquei na primeira frase: "Pessoalmente, não gostei do Milk."
    Pa, Buddy, é dos meus filmes preferidos dos últimos (largos) anos. E é, provavelmente, a melhor interpretação da carreira de Sean Penn. Que é, na minha opinião, o melhor actor vivo a seguir a, claro, Daniel Day-Lewis.
    Partindo deste pressuposto, não há aqui grande margem para continuarmos.

    P.S. - Se me permites a "crítica", não sejas preconceituoso por antecipação: Restless é um hora e meia de beleza e sensibilidade cinematográfica.

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  6. Também não concordo com essa afirmação sbre o Sean Penn. Invariavelmente parece-me sempre o Sam do "I Am Sam"... é alguma coisa que ele faz com a boca que lhe dá ar de deficiente mesmo que faça de mafioso. De qualquer forma, é obviamente um bom actor, só não o acho o segundo melhor actor vivo (nem nada parecido com isso). Quanto ao Milk, é um bom filme mas sobre um tema que não me diz nada, daí não ter gostado. Vou experimentar o Restless, mesmo achando o tema um tanto dúbio.

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  7. Casualties of War, State of Grace, Carlito's Way, Dead Man Walking, The Thin Red Line, Sweet and Lowdown, Before Night Falls, I Am Sam, Mystic River, 21 Grams, The Assassination of Richard Nixon, Milk, The Tree of Life, This Must Be The Place. And the list goes on...
    Pus-me a pensar na carreira dele e assim de cor acho que já coloquei aqui mais de uma dúzia de bons papéis. Uns melhores, outros mais "terrenos", uns quantos monstruosos - Dead Man Walking, Sweet and Lowdown, I Am Sam, Mystic River e Milk são para mim peças de representação maravilhosas -, mas uma certeza que é transversal: Sean Penn é mais do que um trejeito com a boca, Buddy.

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  8. Epa, desculpa, mas deste tenho mesmo de obrigar-te a gostar...é quase uma cena pessoal, eheh!
    E se num qualquer outro texto dizes que não gostas de Clint Eastwood, então aí deixo de cá vir!:)

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  9. Adoro o Clint. Adoro o Clint apesar de ele ter feito o Million Dollar Baby. Todos os filmes que disseste aí são óptimos. Quanto a serem bons papéis... Tree of Life não é sequer um papel lol E no resto ele tá bem, uns melhor que outros de facto. Mas claro que é um bom actor! Mas mantenho a minha de que não entra nos 5 melhores do momento. Nem o Clint, por muito que goste dele. :P

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  10. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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  11. Não é tanto o Clint actor, é o Clint realizador, director de actores, persona do cinema.
    O Clint actor é mediano/bom, icónico por si só mas não um must de representação - apesar do ser o protagonista do filme da minha vida, Il buono, Il brutto, Il cattivo -, o outro Clint é o último representante do clássico americano. Até os filmes menos fortes dele (recuso-me a apelidá-los de fracos) são objecto de acérrima e inflexível defesa da minha parte, lol.

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  12. Eu sou um gajo que acha o Gran Torino um clássico moderno. Outras coisas dele como "Meia Noite no Jardim de Bem e do Mal" e "Pontes de Madisson County" nem vale a pena referir. Adoro-o quando faz e cowboy, adoro o Harry mais sujo do mundo e adoro o velho resingão em que se tornou... mas... Million Dollar Baby... há nódoas difíceis de limpar :P

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  13. Qual é o teu problema com o Million Dollas Baby meu anormal?

    É dos filmes com menos falhas de sempre! Tudo é bem contado, tudo é bem expresso... Nada falha! NADA!
    Se preferias outra actriz? É um gosto que partilho mas ela está enorme neste filme.

    Oh buddy! És um caracol!

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  14. O Million Dollar Baby é um problema por si só. Preferia outra actriz e outro argumento de merda lol Aquela cena em que ela cai e parte o pescoço é possivelmente uma das piores coisas que ja fui obrigado a ver! Como e' que depois disto ainda tens coragem de atacar o lendas de paixão?! The shame!!!

    PS - como assim um caracol? LOL

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  15. Parece-me que fui bem explícito anteriormente quando disse que sou incapaz de criticar Mr. Eastwood, logo, não sou de todo o gajo indicado para avaliar por (óbvia) parcialidade.
    Ainda assim nesta estou com o B., não é o melhor filme de Clint mas é tudo bem contado e filmado, coeso, em modo dramalhão de puxar à lágrima mas isso não tem de ser necessariamente mau. Swank está fortíssima (como é que uma actriz de qualidade e sobretudo filmografia duvidosas já tem duas estatuetas em casa e ainda por cima fruto de grandes trabalhos?), Freeman também e o próprio Clint não destoa - vi há poucos dias o último filme que fez, Trouble with the Curve, e gostava muito, muito que a última imagem na tela do "cowboy filmmaker" tivesse sido há 5 anos atrás em Gran Torino.
    Somente em jeito de comparação, Million Dollar Baby é uma película definitivamente superior a qualquer uma que apresentou nos últimos anos - Hereafter, Invictus e J. Edgar.
    Agora, é claro que há vários melhores, muito melhores. Mas se pensarmos que um provável top-5 de carreira é composto por Unforgiven, The Bridges of Madison County, Mystic River, Flags of Our Fathers/Letters from Iwo Jima e Gran Torino, rapidamente constatamos que avaliar monstros leva-nos invariavelmente por caminhos sinuosos.

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  16. Discordo totalmente. Acho que nada está bem feito em Million Dollar Baby. É um argumento terrível, com uma actriz terrível, um Clint Eastwood no seu pior e um Morgan Freeman... bem, um Morgan Freeman igual ao Morgan Freeman (o que também não é bom sinal - sim, estou a críticar o Morgan Freeman). Dito isto, J. Edgar, Hereafter, Flags of Our Fathers/Letters from Iwo Jima e Invictus são... maus! Pura e simplesmente maus. Todos os outros que mencionaste são magníficos.

    Sendo assim, a filmografia do Clint como realizador divide-me ao meio, por isso gosto mais de imaginá-lo como o Dirty Harry ou o Cowboy Solitário. Clint é sinónimo de durão, de macho, de feio, porco e mau. Para mim, é isto.

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  17. Não voltando a Million Dollar Baby - já percebi que discordamos e que tens aí um ódiozinho de estimação latente -, repete só uma coisa para ver se li bem: Flags of Our Fathers/Letters from Iwo Jima é mau?!
    É que se é realmente isso que querias dizer, então já não discordávamos assim tanto há uns tempos, lol!

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  18. Flags of our Fathers odeio mesmo, admito o meu ódio de estimação - pelo Ryan Phillipe, pela abordagem seca e desinteressante da guerra e, sobretudo, por não acrescentar nada à minha vida cinematográfica. Letters from Iwo Jima admito que não acabei sequer de ver, 'tava-me a aborrecer. Posso admitir que isto já se passou há algum tempo, e que talvez fosse justo dar uma segunda oportunidade, mas são filmes que, na altura, me marcaram tão pouco que a unica coisa relevante que me lembro deles é precisamente de não ter gostado.

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  19. Adoro ambos, sobretudo a versão japonesa que é realmente superior. E adoro sobretudo por nos dar essa visão seca da guerra, levando-nos horas através duma posição somente narrativa, em que seguimos o relato das ocorrências duma forma distante, não sendo expostos a estéreis análises emocionais e/ou de valor. E fugindo ao modo dramalhão de peças como Saving Private Ryan ou War Horse, exemplos de filmes de guerra que declaradamente não gostei - são exemplos de Spielberg no seu pior.
    Mas lá está, talvez sejam diferenças de gosto, posições distintas em que preferimos colocar-nos ao ver determinado tipo de filmes - talvez por isso tenha gostado também do recente Zero Dark Thirty e tu não.

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  20. Alto, alto! Acho que tens razão nisso, mas eu odeio o Saving Private Ryan e o War Horse! Odeio! lol Mas gosto realmente de filmes de guerra que me remetam a outro tipo de esferas (mais emocionais) como o Thin Red Line ou, mais recentemente, o Jar Head. Mas percebo o que queres dizer e sim, provavelmente a nossa distinta apreciação do Zero Dark está relacionada com isso. Concordamos em discordar? ;)

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  23. Vai para aqui uma discussão... :P
    Vou comentar apenas em relação ao filme do post. Acabei de ver e adorei! Os dois moços e o Gus fizeram mesmo um muito bom trabalho! Fico à espera de ver mais deles. :)

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