domingo, 14 de julho de 2013



Realizador: Pablo Larraín
Argumento: Pedro Peirano, Antonio Skármeta
Actores: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco

Numa época conturbada no que toca a política, chega-nos um filme da época da queda do Pinochet. Não deixa de ser curioso ver que algumas ferramentas usadas para estas batalhas políticas sejam idênticas por muito que os anos passem.

Numa altura em que estava fora da moda ter presos políticos, milhares de pessoas contra o regime desaparecidas, outras tantas mortas e manifestações resolvidas à lei da bala, é lançado um Referendo no Chile onde o povo poderia escolher entre o "Si" que sugeria a continuidade do regime ditatorial do Augusto, e o "No" que sugeria a queda desse mesmo regime.
Engraçado que histórias recentes sobre derrubes de ditadores se passem normalmente em África, mas esta passou-se no Chile em 1988.

Isto podia-se tornar num filme normal e ainda mais parcial do que é, mas não, a onda "Mad Men" que lhe deram acaba por ligar-nos a um factor deste tipo de guerra que por vezes passa despercebido: o poder dos Media.
Esta história é-nos contada do ponto de vista do Publicitário (Gael) que fica responsável pela campanha do "No". Tudo se centra na guerra deste mundo poderoso que é o dos Media, tudo se centra nos videos que produzem semanalmente para a sua campanha, isto porque o responsável pelo "Si" é nada mais que o Patrão do Gael na Agência de Publicidade onde trabalha.

Não, não é um filme chato que vive apenas dos ritmos e dos símbolos da Publicidade. É um filme que nos conta uma história de um momento muito complicado que tinha tudo para acabar mal e que, porque um grupo acreditou que podia dar certo, deu mesmo certo. O que portanto parece uma evolução de qualquer romance pouco credível, é de facto um resumo de uma vitória que aconteceu mesmo e que devolveu alguma dignidade a um país nas malhas da ditadura.

Acreditem no que digo, o filme é muito menos chato do que este post.

A realização deixou-me confuso porque parece um filme dos anos 70 mas é um filme a retratar o final dos anos 80... Ainda assim tem um ritmo e uma naturalidade que é mesmo agradável de se ver, tudo muito cru mas sem que nos afaste do filme, é super envolvente.

Gostei que não exagerassem nas tensões provocadas pela pressão do regime a quem lutava pelo "No", claro que as retrataram mas evitaram o modo Telenovela.

Das melhores surpresas que tive este ano.


Golpes Altos: Perspectiva da história que querem contar, facilidade com que nos vemos envolvidos com o filme e naturalidade com que o argumento se desenrola.

Golpes Baixos: O Gael é muito bonito e tem boa "imprensa", mas não é um grande actor... Claro que ele faz sentido neste papel, mas um "monstro" poderia elevar este filme para outro nível... Porque não um Bardem?

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Pica-Galo, ali entre a Trafaria e o Segundo Torrão. Tenho, mas não são bonitas. ;P

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