sexta-feira, 18 de abril de 2014

Noah



Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Darren Aronofsky, Ari Handel
Actores: Russell CroweJennifer ConnellyAnthony Hopkins, Ray Winstone, Emma Watson, Logan Lerman, Douglas Booth

Nota prévia: é um crime ser o 1º filme do Aronofsky que é falado neste espaço. É criminoso porque além de ser claramente o pior, ele tem no CV uma panóplia de obras marcantes que fazem dele um dos melhores Realizadores "novos", e que me fazem ir ver um Filme como este.

Noah é um filme com momentos interessantes onde o autor decide cruzar pólos opostos como o criacionismo e o darwinismo. Isto por si só podia ser conteúdo para alimentar um Filme, mas na verdade não é. Noah conta a nossa história misturada com a que ainda é leccionada nalguns estados dos EUA, uma história baseada na natural evolução das espécies com um "criador" por trás de tudo.

Sem dúvida uma abordagem arriscada que deve ter criado algum burburinho naquelas bandas, mas que não é de todo suficiente para tornar este Filme em algo mais.

Todos conhecemos a arca, a água, os animais, o Noé e tudo e tudo... Com um bocado de pimenta aqui e sal ali, conta-se a história e coloca-se em causa a presença do homem na Terra com uma visão introspectiva, algo em que já pensámos várias vezes e que sabemos não poder ser o caminho "natural".

O Homem que corrompe o planeta, que suga os recursos, que tal como um vírus esgota o que o rodeia até que nada lhe resta... Resultado? O castigo... Castigo H2O que cria quase um micro-cosmos onde a família de Noé representa de tudo um pouco... Desde a devoção ao criador, a vingança, o amor, o risco da repetição do pecado, a ambição, a revolta, tudo... Tudo no meio de animais adormecidos que passam ao lado da história, porque ela baseia-se na culpa do ser-humano, culpa à qual os animais são totalmente alheios.

Interpretações cuidadas e "profissionais", a maioria vinda de actores de qualidade inegável e lá no meio um jovem Douglas Booth que embora muito giro é um pesadelo. Está longe de todos os outros mesmo os do seu campeonato.

O Aronofsky sabe filmar como poucos e sabe usar efeitos especiais sem os colocar no epicentro do filme, nisso não falha e o épico tem todos os habituais ingredientes de um filme "grande".


Golpes Altos: Qualidade técnica, provocação do criacionismo.

Golpes Baixos: Pouca ambição, pouca surpresa e algum desperdício de talento do mais alto nível.

3 comentários:

  1. Eu saí do cinema com sensação a pouco. Não em termos de quantidade de filme mas sim em termos de história. Não me agarrou totalmente, embora também não possa dizer que me tenha desiludido.

    Efeitos muito bons, mas um argumento algo fraquinho.

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  2. Aronofsky já afirmou que o seu objectivo central não era tanto contar a sua versão da história de Noé mas antes utilizou esta mesma narrativa para criar e apresentar uma experiência apocalíptica.
    E é nesta dicotomia que a montanha pariu um rato: de apocalíptico não tem assim tanto, como o B diz há ali uma mistura de conceitos de criação e evolução que não se conjugam devidamente, a pancada de Noé (um Crowe correcto mas demasiado enfadonho) a dada altura toma conta do filme e torna-se inclusivamente enfadonho e o final é previsível, sem qualquer disrupção atractiva.
    É um The Tree of Life 1.0 e é pena, porque técnica e esteticamente Aronofsky é excelente e podia aqui ter criado algo maior. Não um monumento como o de Malick - não se cria um dos maiores filmes das últimas décadas dia sim dia não -, mas um filme melhor, mais complexo, denso, que nos deixasse simplesmente a pensar.

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