quarta-feira, 10 de abril de 2013

Welcome to the Punch

Realização: Eran Creevy
Argumento: Eran Creevy
Elenco: James McAvoy e Mark Strong


'police and thieves in the streets. fighting the nation with their guns and ammunition' - The Clash


Gosto de ser surpreendido. Gosto de olhar para um cartaz de um filme e pensar "Que merda de nome... Quase tão mau como Gangster Squad..." - e depois vai-se a ver, e é sinceramente o melhor filme de acção do ano. Eu sei que o ano só começou agora, mas tenho a sensação que será difícil fazer-se melhor (dentro do género, claro).

Welcome to the Punch é o segundo projecto do britânico Eran Creevy, e conta com um forte apoio produtivo de Ridley Scott - que provavelmente lhe terá valido o excelente elenco principal. Creevy começou como assistente de realização a grandes nomes de Hollywood como Woody Allen (Scoop) e outros mais ingleses como Matthew Vaughn (Layer Cake), mas decidiu-se ficar pela pátria mãe. Fez uns videoclips e, em 2009, estreou o seu primeiro projecto independente Shifty. O filme ganhou uns BAFTAS, recebeu boas críticas, e percebeu-se o talento do futuro realizador mas, neste filme, mostrou que é possível fazer-se um bom filme num género renegado.

O filme centra-se em dois personagens, um polícia e um ladrão. Inimigos mortais, estão de lados opostos da lei. O que este filme pressupõe é que... talvez não estejam? Creevy vai lutando contra os arquétipos típicos dos filmes de acção, colocando-nos mais próximos do ladrão que do polícia. Depois, vamos dividindo o nosso carinho e compreensão pelas duas personagens, e depois por três, e quatro até que, no final, percebemos não haver inimigo palpável - o inimigo é a Nação, é o "sistema" (Dias da Cunha, 2001).

No fundo, o filme fez-me lembrar a supracitada música dos The Clash - não só pela óbvia origem britânica, mas por colocarem as duas faces da lei na mesma moeda. Depois desta reflexão barata, resta-me dizer que os personagens são óptimos, a história é simples - como se quer num policial - mas assertiva e interessante, as cenas de acção são fantásticas, os diálogos são incríveis (repito, incríveis!) e a realização... a realização é claramente o trunfo do filme.

Londres é filmada como um estranho labirinto, em tons de cinza e neon, vista de cima para nos dar uma sensação de espaço digital em que os personagens correm uns atrás dos outros de arma na mão. Epah o filme parece um jogo, mas no bom sentido! A banda-sonora é literalmente eléctrica, e acompanha o ambiente de suspense presente durante o filme todo. A noção de espaço deste realizador faz-me lembrar Antonioni - posso estar a extrapolar um pouco, mas a verdade é que Creedy alterna entre uma Londres urbana e labiríntica e uma Islândia aberta, de espaços verdes em que quase podemos cheirar as árvores no lusco-fusco da manhã.

Enfim, podem achar que ponho este filme num patamar onde não pertence mas, como disse, gosto quando um filme me surpreende e, sobretudo, gosto de bons filmes de acção. Numa entrevista recente, Creedy disse ter feito um bom filme de acção, mas que espera um dia fazer 'a fucking brilliant one'. Para mim está de parabéns, venha o próximo!


Golpes Altos: Realização, James McAvoy, Mark Strong e todo o elenco secundário (inclusivé o gajo de Walking Dead), banda-sonora.

Golpes Baixos: Uma cena especificamente que considero fraquinha, em que o polícia fala com a sua namorada acerca da sua frustração. Um melhor título, um melhor cartaz, uma melhor campanha.

5 comentários:

  1. Excelente! Ainda bem que fizeste esta crítica, tinha olhado para o cartaz, andei a ler críticas e fiquei naquela do vou, não vou, será que vale a pena... Sendo assim, vou dar uma oportunidade! Um bom filme de acção cai sempre bem! ;)

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  2. Vai ver, não te vais arrepender :)

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  3. Vou dar uma hipótese, mais não seja por esta review ;)

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  4. Acabei de ver e só tenho uma coisa a dizer... Como é que este filme não foi muito mais divulgado?? Está sem dúvida muito bom! Gostei! :)

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