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quarta-feira, 25 de março de 2015

Duas décadas de Heat


A propósito de Mann, e porque ainda há dias falava sobre ele com alguns amigos, eis um dos grandes momentos da sua obra maestra.

Tudo no limiar da perfeição: enredo, actores – quando ainda eram enormes –, diálogos, tensão da narrativa, emoção e emotividade, câmara, técnica (a célebre luminosidade nocturna), banda sonora. 

Acima de tudo este filme é sobre respeito. Isso entende-se desde início e confirma-se neste majestoso epílogo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Conversas de Café - "É mais difícil fazer de gajo normal do que de gajo cheio de tiques"

O que é um bom papel?
Todos sabemos dizer de forma mais ou menos categórica que este ou aquele actor fez um bom papel neste ou naquele filme.

Tenho uma opinião muito concreta de que alguns papéis aparentemente bons são no entanto fáceis de interpretar. Papéis com muito conteúdo para ser trabalhado tecnicamente não dependem de talento puro mas sim de trabalho árduo. Longe de mim achar que são papéis menos válidos ou fracos, mas se me pedem para comparar, acho mesmo que prefiro talento puro e prefiro papéis mais discretos que não precisam de histerismos para vingar.

Assim sendo, passo aos exemplos para tornar esta discussão mais prática:

Russel Crowe:
- Excelente no "The Informer" e aborrecido no "Beautiful Mind".

A ideia passa por tentar fazer ver que dá trabalho um papel de deficiente, de autista, de gajo cheio de problemas psicológicos, de louco, mas é muito mais difícil dar nas vistas num papel menos técnico e mais "real".

Não é por acaso que toda a malta que faz papéis em filmes da 2ª Guerra ganham óscares, é que aí todos sofrem muito, todos choram muito, todos berram muito, todos têm muito por onde pegar para fazer crescer o personagem!

Difícil é fazer um papel contido, algo que só explode de vez em quando sem dar muito nas vistas. 

Claro que o "dar nas vistas" tem excepções claras no que toca a qualidade e dificuldade nos papéis... Ora o Day-Lewis não fosse o melhor actor vivo tendo sido autor no "There Will Be Blood" de uma bíblia de como representar... 

O Jack Nicholson adora sobressair, adora ser o centro do filme... Mas sabe fazê-lo como poucos evitando passar às vezes a barreira do histerismo e over the top que tantas vezes aponto ao Al Pacino ou ao Denzel Washington. Actores de quem gosto mas que estão para mim longe do Olimpo.

Para perceberem o que digo, os meus papéis preferidos do Jack Nicholson não são no Shining nem no As Good as it Gets mas sim no About Schmidt, Chinatown e claro, A flew over the cucus nest. Basta ver os filmes e perceber o quanto tem ele para se "agarrar". O papel no Shining e no As Goos as it Gets tem certamente inúmeras páginas de personagem para estudar, tanta coisa... tantos tiques, tanta loucura... eu vejo o talento do homem nos outros filmes mencionados. 

Já agora, para picar o buddy:

Tom Cruise:
- Excelente no "Eyes Wide Shut" e aborrecido no "Nascido a 4 de Julho".

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Stand Up Guys

Realização: Fisher Stevens
Argumento: Noah Haidle
Elenco: Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin


Oh não... Outro filme de velhos... Será que está a pegar moda? Será que há público para ver estas palhaçadas de mau gosto, ou será que se fazem apenas para ir alimentando os egos mirrados de um punhado de ex-estrelas em declínio? Não sei, mas o resultado é uma hora e meia de tortura cinematográfica que (se retirarmos os planos das três carcaças a caminhar em slow motion) se traduz em cerca de 40 minutos de filme.

Era uma vez uma altura em que o cinema de bandidos, de golpadas e de 'kansas city shuffles' se fazia com estilo, com irreverência, com bons diálogos - com bom gosto. Eram bons tempos, mas morreram. Agora, todos os meses alguém se lembra de largar um cagalhão que envolva tiros, mafiosos e gajos cheios de pinta. Mas este filme não se fica só por aí, junta outro cliché encantador - o dos velhos que acham que o mundo hoje está perdido porque os carros têm ignição eléctrica e os bandidos maltratam as mulheres (sim, porque aposto que os gangsters dos anos '70 eram autênticos cavalheiros).

E o filme é todo isto: velhos a queixarem-se que as coisas já não são como antigamente. Sabem que mais? Quem já não é como antigamente é o Al Pacino, que está barrigudo, corcunda e parece que acabou de sair de um asilo; ou o Christopher Walken cujos maneirismos de fala já perderam a graça e reflectem agora o mau actor que ele é. Quanto a Arkin, esse mantém a dignidade - tem algumas cenas com graça, e morre antes do filme se tornar insuportável.

Não sei o que mais dizer, excepto que o realizador desta porcaria é aquele gajo estranho que nunca singrou como actor e agora está a tentar enveredar por outros caminho - Big Mistake!


Golpes Altos: Muita, muita gaja boa à volta das três carcaças - então a neta de Christopher Walken... Ui!

Golpes Baixos: Os dois velhos mais manientos de sempre; um argumento de merda e uma realização de alguém que se limita a apontar a câmara para o sítio certo.

domingo, 26 de maio de 2013

Conversas de Café - "Epa, o Al Pacino não é assim tão bom..."

E não é malta?

Ele começou por ser um actor com muita qualidade e que prometia imenso. Os seus grandes papéis são de enorme nível e aponto as baterias dos elogios para os Padrinhos, Dog Day Afternoon e claro... o seu "Cool Throne" chamado Scarface! Mais tarde entra num dos melhores filmes de acção da história do Cinema que é o Heat e parece haver esperança nesse filme, parece que o antigo Al Pacino voltou... mas não...

Nesse mesmo filme estamos perante a velha comparação que simplesmente ofende a 7ª arte... De Niro ou Al Pacino? O De Niro é um actor de topo que fez coisas que mais ninguém fez e dificilmente alguém fará... (buddy, atreve-te sequer a trazer de volta a tua revolta...).
Compará-los não faz sentido mas se quiserem falamos melhor disso numa próxima conversa de café.

Por agora só queria dizer que o Al Pacino ao longo do tempo pegou nas suas piores facetas (aquele histerismo muitas vezes excessivo e "over the top") e tornou-as as suas principais características... Não Al... Não tens de ser sempre o Tony Montana... Toma um drunfo qualquer e aproxima-te mais do Michael Corleone...


Nota de rodapé: Eu adoro o Al Pacino, é um gajo que me diverte e simplesmente gosto dele. Ele é de facto "likable" mas isso não faz dele um actor de topo... até porque eu também gosto do Paul Rudd.