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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Iron Man 3

Realização: Shane Black
Argumento: Shane Black e Drew Pearce
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow e Guy Pearce

Repitam estas palavras, encaixem-nas bem: 'Melhor Marvel de Sempre!'. Duvidam? Pois digo-vos que, se o mundo dos comics conheceu uma fase negra no grande ecrã, agora renasceu. Eu sei que quando digo comics tenho que falar do Universo DC e outros que tal, mas agora estou a referir-me à desgraça da trilogia Spider-Man, ao cataclismo da saga X-Men, ao terrível Daredevil, à merda do Fantastic Four, ao subaproveitamento da personagem do Silver Surfer, ao Hulk do paneleiro, ao Hulk da favela e a tudo, tudo o que o Hugh Jackman fez, faz ou alguma vez fará. Foi um período negro, sem dúvida.

Mas eis que chega Jon Favreau. Favreau começou a sua carreira em Hollywood como actor "terciário" em filmes de relativa importância, mas cedo evoluiu para comédias a dois com o seu amigo de longa data Vince Vaughn. Juntos, Favreau e Vaughn foram um sucesso nos anos '90. Passa o milénio, e Favreau decide aventurar-se pela realização - o resultado, foi a comédia de sucesso Made com a presença, uma vez mais, do seu amigo Vaughn. Mas tudo isto era brincadeira de criança - filmes pouco trabalhosos, experimentais, nada de grandes estúdios, nada de grandes produções. Mas Favreau teve sonhos mais altos - quis reinventar a forma como se filmavam heróis de banda desenhada. Foi então que um realizador inexperiente (Favreau), se juntou a um actor renegado (Downey Jr) e decidiu adaptar um dos heróis menos populares do universo principal da Marvel (Iron Man). E o resultado, foi o momento de viragem mais importante da história da indústria dos quadradinhos.

Ao sucesso de Iron Man, seguiu-se o sucesso de Iron Man 2, e depois Thor, Captain America, o projecto Avengers e a reinvenção do Spider-Man e, agora, deu-se o segundo momento de viragem - Favreau encostou à box e delegou o menino dos seus olhos para a mão de Shane Black. Mais um realizador/escritor renegado, que transformou esta saga sobre um herói egocêntrico e sem poderes, numa personagem ultra-complexa, ultra-interessante, cheia de crises de ansiedade, piadas sarcásticas e dilemas (a)morais. O que faz de Iron Man o melhor Marvel do cinema, é o que Favreau e Downey Jr fizeram de Tony Stark. Se nos outros dois filmes Tony já tinha ameaçado "nacionalizar a defesa nacional", neste filme põe os interesses do país de lado para perseguir vingança pessoal, goza com a mudança do nome de War Machine para Iron Patriot, e o filme transforma-se numa enorme crítica aos EUA, à forma como criam terroristas e lhes dão uma cara para satisfazer o público, a forma como deixam o lobby das armas reinar sobre a política, e ainda alerta para o perigo da ciência e da evolução pela cobiça e fraqueza do Homem. E a parte mais incrível, é que junta tudo isto a acção sem limites (e de grande, grande qualidade), intercalada com momentos cómicos do melhor que se faz em cinema e uma profundidade moral e humana que assusta num filme deste género.

Os super-heróis são a mitologia do séc. XX. Depois de Homero, veio Stan Lee. Depois de Ulisses, veio o Super Homem. A banda desenhada foi feita para nos ensinar bons valores morais, nos aspirar a ser melhores humanos, nos incutir sentido de responsabilidade pelas nossas acções e pelas acções do mundo à nossa volta. Eu cresci rodeado de super-heróis, gastava os meus escudos na papelaria em frente a minha casa todas as semanas, deixava-os fazerem-me companhia quando o mundo lá fora parecia mais frio e injusto, com falta de heróis que pudéssemos amar e respeitar, deixando-os moldar a nossa personalidade à sua figura. Agora, 15 anos mais tarde, percebo que os super-heróis me continuam a educar. Ontem, Tony Stark mostrou-me que um herói também tem ataques de pânico, também toma más decisões, também deixa o seu ego sobrepor-se a tudo o resto. Ontem, Tony Stark mostrou-me que, de ferro ou de carne, um homem constrói-se devagar, com paciência, peça a peça, limando arestas, aperfeiçoando virtudes e nunca deixando os monstros do nosso passado vencerem os heróis do nosso futuro.


Golpes Altos: Cenas de acção, cenas cómicas. Robert Downey Jr. está incrível, como sempre. Gwyneth Paltrow com muito pouca roupa(!), 10 fatos de Iron Man diferentes. Conclusão épica para um herói que ainda tem muito a dar.

Golpes Baixos: Não podiam ter escolhido um puto mais fixe?!

sábado, 20 de abril de 2013

Guilty Pleasure - Last Action Hero



Realizador: John McTiernan
Argumento: Zak Penn & Adam Leff (story) Shane Black & David Arnott
Actores: Arnold Schwarzenegger, F. Murray Abraham, Art Carney, Austin O'Brien


Como poderia não respeitar este realizador? Quem tem no CV o Predador, o 1º e o 3º Die Hard... Merece uma vénia! Ele sozinho significa 7 anos de adolescência com heróis de barba rija!

Vi este filme com 11 anos, acham que era sequer possível não AMAR isto? Era gajo para ter a idade do protagonista, era gajo para ter o ex-Mister Universo como grande ídolo, era gajo para todos os dias sonhar em ter a experiência que o puto teve!
Entrar num filme com o Schwarzenegger??? Assim??? Ter um bilhete dourado e às tantas fazer parte do enredo e ainda perceber que sei mais que eles todos???

Ok, com 11 anos não era assim tão estúpido... já sabia que isto não era possível mas o imaginário tinha sido criado e eu adorei a ideia... De repente temos um filme que relata o exagero da vida dentro de um filme. As explosões exageradas, os tiros demasiado certeiros, as miúdas todas giras em demasia, cartoons no meio de seres-humanos, vilões demasiado óbvios, saltos e voos épicos, tudo! Tudo o que um filme de ação pede e... Schwarzenegger!!

O filme é uma sátira à diferença entre os filmes de ação e a vida real. Não é um filme que quer ser bom, não é um filme que se leva a sério. É um filme com excelentes cenas de ação e com uma dose muito razoável de momentos cómicos. Um exercício muito interessante que claro que podia ter uma abordagem muito melhor, mas simplesmente não quis... apenas quis ser entretenimento puro.

Uma coisa é certa... Neste filme percebemos que a vida real é de facto mais "profunda" mas tem muito menos piada... A casa do Schwarzenegger está vazia mas parece que o mundo real é ainda mais frio... Quem não se lembra do vilão a matar um gajo nas ruas de Nova Iorque e achar estranho não haver gritos nem sirenes? A única coisa que ouve é outro gajo a mandá-lo calar...

Uma das bandas sonoras melhor conseguidas em filmes do género, acho que todas as casas têm este CD na estante, AC/DC, Megadeath, Anthrax, Alice in Chains, Def Leppard, Aerosmith, Cypress Hill... Falta alguém?

Golpes Altos: Cenas de ação, imaginário, comparação da vida de filme com a vida real, realizador de culto.

Golpes Baixos: Schwarzenegger é dos piores actores de sempre mas não quero sequer "ler" se os protagonistas vão ou não bem... é o que menos importa! Não imagino sequer outro gajo a fazer este filme, está perfeito.

Ah, espera... o Austin O'Brien é que é o pior actor de sempre...