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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

The Paperboy

Realizador: Lee Daniels
Argumento: Lee Daniels e Pete Dexter (baseado no romance Paris Trout)
Elenco: Matthew Mcconaughey, John Cusack, Nicole Kidman e Zac Efron


Sangue, suor e sexo. E lama. E mijo. É um filme pouco convencional, não tenho qualquer dúvida. É um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se" - e este entranha-se de forma visceral, asquerosa. É o bayou tal como o imaginamos: cheio de crocodilos, pântanos onde andam crocodilos e homens que matam e esfolam crocodilos. É uma história de homens que não são muito diferentes dos rastejantes que caçam, e a mulher que os acompanha.

Quando comecei a ver o filme, fiz cara feia. A tonalidade saturou-me, era tudo demasiado estilizado. As personagens todas vestidas ao estilo dos anos '60, mas sujas, suadas e reles. O filme cheira mal, mas é todo cor-de-rosa - 'tou-me a fazer entender? Bem, a questão é que ao princípio não gostei, mas acabei rendido.
A história é sórdida, e ninguém acaba sem cicatrizes - nem eles, nem nós.

As interpretações são, na minha opinião, as melhores do ano (colectivamente falando). Mcconaughey dedicou este último ano a mostrar-nos que é um grande actor, só nunca 'teve para se chatear - aqui, tal como em Killer Joe, está em casa. Cusack é um caçador de crocodilos e de homens, um monstro que encontrou neste filme o papel da sua vida. Kidman está gigante! É ela a revelação deste elenco de underdogs. Basta dizer que há uma cena de 10 minutos em que está sentada em frente a Cusack, de boca aberta e língua para fora, a arfar (literalmente) enquanto Cusack tem um orgasmo só a olhar para ela. Estão desconfortáveis a ler? Imaginem a ver.
Então e também não entrava aquele puto ridículo que fazia o High School Musical? Entra sim senhora, e está impecável. Efron é uma espécie de Nabokov para uma Lolita envelhecida (Kidman), e não é por acaso que o livro lhe aparece na mão a meio do filme.

Resumindo, o filme tem cenas fortíssimas, é muito mais perturbador e violento que qualquer coisa que o Tarantino tenha feito, e tem dividido as opiniões nos festivais por onde passa. Em Cannes foi criticado por muitos, mas recebeu a maior ovação de pé desde o filme Drive (16 minutos de aplausos). Outros disseram que o filme não tinha classe suficiente para lá estar. Confesso que isso ainda me faz gostar mais. The Paperboy é um must-see, mesmo que implique um bom banho a seguir.


Golpes Altos: Elenco improvável extraordinário, bom argumento, grande dose de audácia.

Golpes Baixos: Ultra-estilização. Faz lembrar Bret Easton Ellis versão trailer park trash.

Golpes Curiosos (spoiler): A última frase do filme funciona como uma espécie de redenção pelo lixo todo que o precede: "He became a writer of some renown. And he never did forget his first true love".