Realizador: Richard Ayoade
Argumento: Richard Ayoade
Actores: Craig Roberts, Sally Hawkins, Paddy Considine
O Richard Ayoade e o seu fantástico cabelo conquistaram-me na incrível série "The it Crowd". No entanto, desta vez ele está escondido a realizar o seu primeiro filme produzido pelo Ben Stiller. Qual o resultado desta dupla um pouco improvável? Um excelente filme...
Uma comédia-romântica que conta a história de um jovem de 15 ou 16 anos que está a passar por enormes problemas naquela que é a fase mais conturbada de um ser-humano... a adolescência... Não, não é o típico teen movie onde as gajas são boas, os gajos são giros, onde há imensa droga e discotecas fashion... onde há sexo e mais sexo, mamas e mais mamas. Aqui os jovens são normais, não são giros, não são super fashion e são bastante desajeitados.
Aqui usam farda, ela é gordinha, os Pais não são autoritários, os amigos não praticam nenhum desporto que os distinga dos outros, gostam de coisas simples, de sítios simples, não são lamechas, dizem coisas que não devem, não choram por tudo e por nada, ouvem música com K7's e filmam em Super 8.
O rapaz tem problemas em casa, fora de casa, na escola, não tem para onde se virar. Uma ode à família, às paixões, à adolescência e é inevitável identificarmo-nos com algumas "loucuras" que um jovem desta idade tem a passar-lhe pela cabeça.
Uma abordagem surpreendente dividida em capítulos, com detalhes que adorei e me agarraram desde início. É daqueles filmes que percebemos logo nos primeiros minutos que nos vais surpreender. Não há cá Fade to Black mas sim Fade to Blue ou Fade to Red, e não é que fica bem?
Os personagens parecem tirados de um filme do Wes Anderson embora mais expressivos e acima de tudo mais faladores. Adoro a construção dos 2 personagens principais, gosto que não sejam especialmente "fixes" e que tenham defeitos. Fez-me lembrar um pouco o Igby Goes Down mas com os personagens mais caricaturados colocados em situações mais cruas e mais reais, daquelas menos captadas em cinema. Isto dá obviamente uma dimensão bem maior à obra.
Aconselho a todos, é muito divertido, tem piadas óptimas que primam por não serem explicadas até à exaustão. É um filme em nada óbvio, em nada previsível e que fica, ao contrário de tantos outros, na memória.
Golpes Altos: Realização muito dinâmica e muito assertiva, nunca se torna presunçosa e consegue fugir a TODOS os clichés. A história é excelente e está, como gosto, bem contada.
Golpes Baixos: Não ter tido mais mediatismo porque merecia.
