Realização: Scott McGehee e David Siegel
Argumento: Nancy Doyne e Carroll Cartwright (baseado num romance de Henry James)
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile
Ter filhos não é para todos. A algumas pessoas, nunca deveria ser permitido procriar. Não quer dizer que sejam más pessoas, com más intenções ou psicopatias latentes. São, normalmente, pessoas egoístas, imaturas, demasiado focadas em si mesmo e nos seus problemas para poderem abdicar da sua existência pela existência de uma criança. Filhos de lares despedaçados raramente dão adultos equilibrados, e esta é uma verdade que falta dizer em voz alta. Se a Igreja Católica nos serviu para alguma coisa - e, admito, não serviu para quase nada - foi para nos dizer que um casamento é eterno, principalmente se envolver uma criança. A "santidade do casamento" não é obra do espírito santo, não existe para glorificar a Igreja - serve para glorificar os seus filhos, que não têm culpa que o mundo seja um lugar frio e difícil.
What Maisie Knew é um livro do escritor realista Henry James. No livro, Maisie é uma criança dividida entre dois pais divorciados, egoístas e irresponsáveis. No livro, James crítica o divórcio, o casamento, as relações, tudo. No livro, Maisie não acaba bem.
No novo filme da dupla Scott McGehee e David Siegel, a história é outra. Os realizadores decidiram manter a perspectiva do filme pelos olhos e pelo entendimento da criança. Essa abordagem está bem feita, a realização é sólida e as coisas que ficam por entender têm uma explicação simples: só sabemos o que Maisie sabe, só sentimos o que Maisie sente.
Paralelamente à história da criança, o filme é uma bonita história de amor contada em plano secundário. Não estamos habituados a isto. Uma boa história de amor é primeira página. Sempre foi. Por isso é refrescante que esta nos seja mostrada pelos olhos da criança, que vê nos seus dois novos pais uma casa que que não conhecia. Quando somos pequenos, e nos vimos apanhados em fogo cruzado entre dois adultos egoístas e irresponsáveis, ficamos com memórias negras e confusas daquilo que foi a nossa infância. Se, como Maisie, tivemos a sorte de ser adotados por duas pessoas puras e boas de coração, as nossas memórias passam a casas de praia, passeios ao pôr do sol, viagens de barco, sorrisos e muito amor. O amor é a coisa mais importante para a memória de uma criança. Nesse ponto, o filme é firme: se não o têm, não tentem ser pais.
O filme conta com um grande leque de actores, um argumento fantástico e uma realização audaz. Todos os elementos parecem funcionar em uníssono e isso traz uma harmonia fresca a um filme que, de outra forma, poderia tornar-se demasiado chato e negro. É uma lufada de ar fresco, quando temas clássicos são abordados por mentes jovens e criativas.
Golpes Altos: Adaptação original e ousada de um romance clássico. Realização sólida e inovadora. Boas interpretações. Joanna Vanderham é uma delícia.
Golpes Baixos: Gostava de ter visto uma melhor banda sonora, e uma melhor publicitação.
Argumento: Nancy Doyne e Carroll Cartwright (baseado num romance de Henry James)
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile
Ter filhos não é para todos. A algumas pessoas, nunca deveria ser permitido procriar. Não quer dizer que sejam más pessoas, com más intenções ou psicopatias latentes. São, normalmente, pessoas egoístas, imaturas, demasiado focadas em si mesmo e nos seus problemas para poderem abdicar da sua existência pela existência de uma criança. Filhos de lares despedaçados raramente dão adultos equilibrados, e esta é uma verdade que falta dizer em voz alta. Se a Igreja Católica nos serviu para alguma coisa - e, admito, não serviu para quase nada - foi para nos dizer que um casamento é eterno, principalmente se envolver uma criança. A "santidade do casamento" não é obra do espírito santo, não existe para glorificar a Igreja - serve para glorificar os seus filhos, que não têm culpa que o mundo seja um lugar frio e difícil.
What Maisie Knew é um livro do escritor realista Henry James. No livro, Maisie é uma criança dividida entre dois pais divorciados, egoístas e irresponsáveis. No livro, James crítica o divórcio, o casamento, as relações, tudo. No livro, Maisie não acaba bem.
No novo filme da dupla Scott McGehee e David Siegel, a história é outra. Os realizadores decidiram manter a perspectiva do filme pelos olhos e pelo entendimento da criança. Essa abordagem está bem feita, a realização é sólida e as coisas que ficam por entender têm uma explicação simples: só sabemos o que Maisie sabe, só sentimos o que Maisie sente.
Paralelamente à história da criança, o filme é uma bonita história de amor contada em plano secundário. Não estamos habituados a isto. Uma boa história de amor é primeira página. Sempre foi. Por isso é refrescante que esta nos seja mostrada pelos olhos da criança, que vê nos seus dois novos pais uma casa que que não conhecia. Quando somos pequenos, e nos vimos apanhados em fogo cruzado entre dois adultos egoístas e irresponsáveis, ficamos com memórias negras e confusas daquilo que foi a nossa infância. Se, como Maisie, tivemos a sorte de ser adotados por duas pessoas puras e boas de coração, as nossas memórias passam a casas de praia, passeios ao pôr do sol, viagens de barco, sorrisos e muito amor. O amor é a coisa mais importante para a memória de uma criança. Nesse ponto, o filme é firme: se não o têm, não tentem ser pais.
O filme conta com um grande leque de actores, um argumento fantástico e uma realização audaz. Todos os elementos parecem funcionar em uníssono e isso traz uma harmonia fresca a um filme que, de outra forma, poderia tornar-se demasiado chato e negro. É uma lufada de ar fresco, quando temas clássicos são abordados por mentes jovens e criativas.
Golpes Altos: Adaptação original e ousada de um romance clássico. Realização sólida e inovadora. Boas interpretações. Joanna Vanderham é uma delícia.
Golpes Baixos: Gostava de ter visto uma melhor banda sonora, e uma melhor publicitação.
