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sexta-feira, 7 de março de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Dallas Buyers Club
Realizador: Jean-Marc Vallée
Argumento: Craig Borten, Melisa Wallack
Actores: Matthew McConaughey, Jennifer Garner, Jared Leto
Num dito mundo livre há a tendência de acreditar que devemos poder escolher o que sentimos ser melhor para nós. As regras que ditam, os interesses que as monitorizam, as influências por vezes duvidosas que fazem com que tudo seja como é sem que haja espaço para colocar o que seja em causa, são tema central deste filme.
Este filme mostra uma batalha feroz de um Homem infectado pelo vírus do HIV contra toda a indústria farmacêutica, tornando como bandeira da sua luta um tratamento paralelo aparentemente melhor sucedido. Tratamento esse utilizado por um número gigantesco de infectados esvaziando hospitais e deitando por terra o uso dos medicamentos "mainstream" aprovados pela Lei Americana.
Um filme duro sobre uma temática sempre desconfortável e que ao mesmo tempo nos faz pensar sobre toda esta máfia dos comprimidinhos, das curas que demoram a aparecer, dos tratamentos de centenas de euros, das "únicas hipóteses" para esta ou aquela doença.
Este filme destaca-se pelas interpretações do McConaughey (favoritíssimo ao Oscar) e do Leto (que odeio desde o ano 2000 quando fez o Requiem For a Dream mas bolas...o sacana está óptimo aqui). Mas o que gostei realmente foi o quão bem a história está contada e de forma muito séria. É um filme duro, um filme cheio de força e que tem uma mensagem forte para passar cá para fora, conseguindo-o com uma eficácia notável e isso deve-se a um argumento muito coeso que não tem pontas soltas.
A realização passa despercebida, penso que se trata de mais um Filme que chegou longe vindo de umas mãos pouco experimentadas que não quiseram dar um cunho demasiado forte talvez por causa dessa inexperiência. Com um argumento destes e com actores a personalizar personagens com uma intensidade destas, o melhor foi mesmo não ter um Realizador novato a querer dar nas vistas. Muito profissional.
No fundo é isto, um filme forte, um tema muito sério com tudo muito bem contado e exuberantemente interpretado.
Golpes Altos: Argumento, Interpretações, McConaughey.
Golpes Baixos: Jennifer Garner, gosto muito dela e até "vai bem" mas é muito fraquinha...
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domingo, 19 de janeiro de 2014
The Wolf of Wall Street
Realizador: Martin Scorcese
Argumento: Terence Winter (adaptação)
Actores: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey, Kyle Chandler, Rob Reiner, Jean Dujardin.
Imaginem a forma (ou fórmula) do Goodfellas, esse "Rise and Fall" fantástico com um turbilhão de momentos cheios de adernalina e tensões constantes. Imaginem tudo isso mas com 2 ingredientes novos ou muito mais intensos: Charme e Entretenimento. O resultado é este Wolf of Wall Street.
Como disse um amigo meu: "Um filme que começa com o arremesso de anões, tem de ser um grande filme". Touché.
Sou suspeito porque sou um apaixonado pelo Scorcese, mas adorei o filme... Claro que não é tão bom como o Goodfellas, mas a delícia para mim é que nem tenta ser... É um filme de barrigada, um filme de entretenimento cheio de cenas debochadas, diálogos incríveis e actores de enorme qualidade.
O Jordan Belfort (interpretado pelo Di Caprio) existiu mesmo, escreveu um livro com a sua história e o Scorcese a pedido do Di Caprio pegou nisto e fez a magia do costume. Quem vir este filme e não gostar, ou é um embirrento ou não tem qualquer sensibilidade de entretenimento (sim, já disse esta palavra muitas vezes). O personagem é tão forte e está tão bem trabalhado que os satélites que andam à volta dele só têm de preencher o bolo e fazer disto um filme poderoso. O gajo era um bicho de ambição, testosterona, deboche, luxo, boa vida, exageros, mais exageros e ainda mais exageros.
Uma comédia com um ritmo alucinante mesmo num filme de 180min... Queremos mais e mais, o filme funciona como as drogas que circulam na tela e ainda nem acabámos uma cena e queremos outra, e mais outra e mais outra... é viciante! O segredo do Scorcese é que no meio disto tudo NUNCA se esquece que está a contar uma história, uma boa história e que a tem de contar muito bem contada... Nunca falha neste ponto e este é só mais um bom exemplo.
O Di Caprio é um monstro e um actor de topo. Não sei se é desta que leva o Óscar mas começa a ser absurdo não ter nenhum.
O Jonah Hill é fantástico, hilariante e cresce a olhos vistos como actor.
O pequeno papel do McConaughey mostra também que já há muito que deixou de ser um mero menino bonito. Em ano de o papel de uma vida com o filme Dallas Buyers Club, ainda faz uma perninha neste deboche de 3 horas.
Os Secundários assistentes do Di Caprio são também eles uns "Comic Reliefs" de grande nível.
A mulher (a 2ª) é belíssima e é uma surpresa... penso que melhora muito na 2ª metade do filme embora seja claramente o elo mais fraco.
Jean Dujardin é Jean Dujardin no seu estado mais puro...
O Scorcese nunca soube fazer maus filmes e sempre soube entreter o seu público mesmo nos momentos mais "Dark". Filma como poucos, tem um bom gosto e uma sensibilidade quase únicos e é um dos grandes Cineastas de sempre. Respect.
Golpes Altos - O entusiasmo com que estamos durante o filme todo, a vontade de querer mais e mais mesmo com 180min de filme. Ritmo alucinante.
Golpes Baixos - Não aponto nada relevante... talvez a Margot Robbie, mas é tão bonita... ok, não aponto mesmo nada!
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
The Paperboy
Realizador: Lee Daniels
Argumento: Lee Daniels e Pete Dexter (baseado no romance Paris Trout)
Elenco: Matthew Mcconaughey, John Cusack, Nicole Kidman e Zac Efron
Sangue, suor e sexo. E lama. E mijo. É um filme pouco convencional, não tenho qualquer dúvida. É um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se" - e este entranha-se de forma visceral, asquerosa. É o bayou tal como o imaginamos: cheio de crocodilos, pântanos onde andam crocodilos e homens que matam e esfolam crocodilos. É uma história de homens que não são muito diferentes dos rastejantes que caçam, e a mulher que os acompanha.
Quando comecei a ver o filme, fiz cara feia. A tonalidade saturou-me, era tudo demasiado estilizado. As personagens todas vestidas ao estilo dos anos '60, mas sujas, suadas e reles. O filme cheira mal, mas é todo cor-de-rosa - 'tou-me a fazer entender? Bem, a questão é que ao princípio não gostei, mas acabei rendido.
A história é sórdida, e ninguém acaba sem cicatrizes - nem eles, nem nós.
As interpretações são, na minha opinião, as melhores do ano (colectivamente falando). Mcconaughey dedicou este último ano a mostrar-nos que é um grande actor, só nunca 'teve para se chatear - aqui, tal como em Killer Joe, está em casa. Cusack é um caçador de crocodilos e de homens, um monstro que encontrou neste filme o papel da sua vida. Kidman está gigante! É ela a revelação deste elenco de underdogs. Basta dizer que há uma cena de 10 minutos em que está sentada em frente a Cusack, de boca aberta e língua para fora, a arfar (literalmente) enquanto Cusack tem um orgasmo só a olhar para ela. Estão desconfortáveis a ler? Imaginem a ver.
Então e também não entrava aquele puto ridículo que fazia o High School Musical? Entra sim senhora, e está impecável. Efron é uma espécie de Nabokov para uma Lolita envelhecida (Kidman), e não é por acaso que o livro lhe aparece na mão a meio do filme.
Resumindo, o filme tem cenas fortíssimas, é muito mais perturbador e violento que qualquer coisa que o Tarantino tenha feito, e tem dividido as opiniões nos festivais por onde passa. Em Cannes foi criticado por muitos, mas recebeu a maior ovação de pé desde o filme Drive (16 minutos de aplausos). Outros disseram que o filme não tinha classe suficiente para lá estar. Confesso que isso ainda me faz gostar mais. The Paperboy é um must-see, mesmo que implique um bom banho a seguir.
Golpes Altos: Elenco improvável extraordinário, bom argumento, grande dose de audácia.
Golpes Baixos: Ultra-estilização. Faz lembrar Bret Easton Ellis versão trailer park trash.
Golpes Curiosos (spoiler): A última frase do filme funciona como uma espécie de redenção pelo lixo todo que o precede: "He became a writer of some renown. And he never did forget his first true love".
Argumento: Lee Daniels e Pete Dexter (baseado no romance Paris Trout)
Elenco: Matthew Mcconaughey, John Cusack, Nicole Kidman e Zac Efron
Sangue, suor e sexo. E lama. E mijo. É um filme pouco convencional, não tenho qualquer dúvida. É um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se" - e este entranha-se de forma visceral, asquerosa. É o bayou tal como o imaginamos: cheio de crocodilos, pântanos onde andam crocodilos e homens que matam e esfolam crocodilos. É uma história de homens que não são muito diferentes dos rastejantes que caçam, e a mulher que os acompanha.
Quando comecei a ver o filme, fiz cara feia. A tonalidade saturou-me, era tudo demasiado estilizado. As personagens todas vestidas ao estilo dos anos '60, mas sujas, suadas e reles. O filme cheira mal, mas é todo cor-de-rosa - 'tou-me a fazer entender? Bem, a questão é que ao princípio não gostei, mas acabei rendido.
A história é sórdida, e ninguém acaba sem cicatrizes - nem eles, nem nós.
As interpretações são, na minha opinião, as melhores do ano (colectivamente falando). Mcconaughey dedicou este último ano a mostrar-nos que é um grande actor, só nunca 'teve para se chatear - aqui, tal como em Killer Joe, está em casa. Cusack é um caçador de crocodilos e de homens, um monstro que encontrou neste filme o papel da sua vida. Kidman está gigante! É ela a revelação deste elenco de underdogs. Basta dizer que há uma cena de 10 minutos em que está sentada em frente a Cusack, de boca aberta e língua para fora, a arfar (literalmente) enquanto Cusack tem um orgasmo só a olhar para ela. Estão desconfortáveis a ler? Imaginem a ver.
Então e também não entrava aquele puto ridículo que fazia o High School Musical? Entra sim senhora, e está impecável. Efron é uma espécie de Nabokov para uma Lolita envelhecida (Kidman), e não é por acaso que o livro lhe aparece na mão a meio do filme.
Resumindo, o filme tem cenas fortíssimas, é muito mais perturbador e violento que qualquer coisa que o Tarantino tenha feito, e tem dividido as opiniões nos festivais por onde passa. Em Cannes foi criticado por muitos, mas recebeu a maior ovação de pé desde o filme Drive (16 minutos de aplausos). Outros disseram que o filme não tinha classe suficiente para lá estar. Confesso que isso ainda me faz gostar mais. The Paperboy é um must-see, mesmo que implique um bom banho a seguir.
Golpes Altos: Elenco improvável extraordinário, bom argumento, grande dose de audácia.
Golpes Baixos: Ultra-estilização. Faz lembrar Bret Easton Ellis versão trailer park trash.
Golpes Curiosos (spoiler): A última frase do filme funciona como uma espécie de redenção pelo lixo todo que o precede: "He became a writer of some renown. And he never did forget his first true love".
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