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quarta-feira, 6 de março de 2013

Movie 43

Realização: Muitos gajos, com muito pouco talento
Argumento: Muitos gajos, nem um argumento
Elenco: "The Biggest Cast Ever Assembled"

Por onde começar? - foi esta a pergunta que 9 idiotas fizeram a si próprios, e nem adivinhavam o que dela resultaria. Esses 9 idiotas eram os argumentistas deste filme, e a resposta... a resposta foi a pior coisa que o cinema já viu.

Mas antes de começar a desancar no filme, no elenco, nos realizadores, produtores, escritores e nas suas respectivas mães que os deixaram entrar neste projecto, quero deixar uma coisa bem clara: eu gosto de filmes estúpidos. Eu aprecio comédia estúpida. Peidos fazem-me rir. O Adam Sandler é o meu actor cómico preferido. Isto para provar que não sou um snob. Não sou um pseudo-intelectual que jura "Ainda não houve nenhum filme que me fizesse rir depois d' O Cálice Sagrado". Não. Eu gosto de peidos, de mamas, de ranho, de quedas parvas, de coisas impossíveis, de piadas porcas e de cagalhões em 3D a virem em direcção a uma plateia de cinema.

Mas isto... isto não é nada. Isto é um conjunto dos 12 piores sketchs cómicos que já vi na vida. São péssimos, péssimos, péssimos. Não têm piadas inteligentes, não têm piadas burras, não têm piadas parvas nem piadas sujas. Não têm piada (ponto). E não há muito mais a dizer.

O leque de actores famosos é grande, mas nem por isso vistoso. Algumas ex-estrelas, alguns underdogs, muitos gajos sem talento e muitas gajas muito boas (Emma Stone, Emma Stone, Emma Stoooonnneeeee).

Para terminar, quero apenas dizer que apesar de todo este horror, ainda me foi mais fácil ver isto que o Gangster Squad. Este filme é estúpido e mau, sim. Mas também não me parece que pretenda ser nada. E por isso não irrita. É mau, só isso.


Golpes Altos: É pequenino. Não chega a hora e meia. Tem a Emma Stone a abrir a boca e a chupar um dedo. Sim, tem isso.

Golpes Baixos: Errr...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Golpes de Génio - I'm Not There

Realização: Todd Haynes
Argumento: Todd Haynes
Elenco: Cate Blanchett, Christian Bale, Heath Leger, Richard Gere, Ben Wishaw, Marcus Carl Franklin

'There he lay: poet, prophet, outlaw, fake.. star of electricity. God rest his soul and his rudness.'

Contamos histórias. Falamos de homens, de vidas e, no fim, parece sempre faltar algo. I'm Not There não é um filme biográfico, é uma viagem pelas muitas vidas de Bob Dylan - do que foi, do que se tornou e do que gostaria de ter sido. É uma viagem pela alma de um dos artistas mais importantes do último século - e feito com tanto amor, com tanta inspiração que acabamos por admirar Dylan não como um todo, mas como uma soma das suas partes.

A viagem começa num comboio. Dylan é um rapazinho negro (Marcus Carl Franklin) cuja fala e música carregam em si o peso da idade - 'Live your own time child. Sing about your own time'. Salta de comboio em comboio, de família em família e visita o seu velho herói Woodie Guthrie no hospital (algo que Dylan nunca teve oportunidade de fazer). Dylan é um músico folk (Christian Bale) tornado padre. Passa à frente. Vimos uma mulher a chorar em frente à televisão - a guerra do Vietname acabou, e com ela a sua relação. É a primeira mulher de Dylan (Heath Ledger). Os tempos mudam, e Dylan (Cate Blanchet) muda com eles. Traiu o seu público. Abandonou o folk. É uma estrela de rock. Não. Agora é um bandido a cavalo (Richard Gere) que vai errando pelas estradas perdidas da memória, esquecido do caminho para casa.

A idade, a cor da pele, o cenário ou a época não são importantes. Bob Dylan foi todas estas pessoas e não foi nenhuma. Enquanto espectadores, somos transportados pelas músicas e pelas histórias - mas não nos é permitido interferir. Acabamos o filme um pouco mais perto do homem, mas sem nunca saber o que ele fez. Alguém há pouco tempo me disse que 'se nos esforçarmos muito para sermos uma coisa, mais cedo ou mais tarde não conseguimos fugir dela'. Ao longo da nossa vida não somos um, somos muitos. E os muitos que somos não se medem pelo que fazemos mas pelo que sentimos, pelo que sonhamos.

Se algum dia falarem de nós, que nos falem por dentro. Que nos mostrem pelos vários que somos. Que contem das nossas falhas, dos nossos erros, das nossas inconsistências. Que contem as vezes que falámos sem sentir, que sentimos sem falar. Que nos façam justiça, para bem ou para mal. Mas para ser: que seja a preto e branco, e com Dylan a tocar por trás!


'A poem is like a naked person... but a song is something that walks by itself'