Fui ao Japão e isso requer muitas horas de voo, com isto acabei por ver muitos filmes nesses mesmos voos. Vou tecer então alguns comentários rápidos a todos:
The Internship:
Diverte, é super previsível e tem alguns personagens divertidos. A química Vince Vaughn/Owen Wilson é sempre fácil de se conseguir e aqui volta a funcionar. Não acrescenta nada à história do cinema mas entretém pessoas como eu fechadas num avião sem nada mais para fazer.
Blancanieves:
Que adaptação tão bem conseguida... Tudo bate certo, tudo é bem feito, tudo é exagerado no bom sentido. Nunca quis tanto matar uma personagem como quis fazê-lo a esta madrasta... Os pormenores do filme fazem o filme e não há confusão nenhuma em qualquer fase da narrativa.
The Hangover Part III:
O 1º foi surpreendente... Nunca quis ser um enorme filme mas surpreendeu e roubou gargalhadas a meio mundo. Este 3º filme só não é o melhor de todos porque já vimos 2 (sendo que o 2º é o pior de todos). Nesta 3ª parte vemos um filme mais maduro, personagens com mais para contar e com problemas menos superficiais. Gostei muito mais deste filme do que esperava, não sei se isso é bom ou mau.
Borgman:
Que filme f*... Fortíssimo, tem um imaginário que parece misturar o Stalker do Tarkovski com a frieza nórdica a estalar por todos os lados. Dão-nos elementos durante o filme que temos de aceitar sem questionar e envolvem-nos num cenário estupidamente visceral e violento. Grande filme.
A Busca:
Desespero de um aparente mau Pai que procura redimir-se de tudo o que fez mal na vida no momento em que é chamado à realidade com o desaparecimento do filho. História muito bem contada e com uma dose muito real de emoções. Gostei do filme e o Wagner é mesmo bom.
Oblivion:
Muito muito fraco. Um filme de ficção científica tem de primar pela inovação e tem de surpreender por nos trazer algo de novo nem que seja no imaginário. Este filme não traz nada de novo, tudo o que se passa são lugares comuns já antes vistos e trabalhados de forma bem mais eficaz. Ia adormecendo.
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segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Golpes Rápidos
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
Oblivion
Realização: Joseph Kosinski
Argumento: Joseph Kosinski
Elenco: Tom Cruise, Morgan Freeman e Olga Kurylenko
O que dizer de um filme de 126 minutos em que 6 são bons, 20 são suportáveis, e 100 são uma grande trapalhada? A vontade é dizer mal, claro. Mas, por alguma razão, há qualquer coisa em Oblivion que me dá vontade de o elogiar ou, pelo menos, de suavizar a sua crítica.
A verdade é que Oblivion passa 126 minutos a tropeçar em si próprio. É um filme demasiado grande, demasiado complexo e com pouca vontade de corrigir ou explicar as suas inverossimilhanças e os seus tiros no pé. O realizador e argumentista Joseph Kosinski decidiu investir em efeitos especiais o que poupou em trabalho de guião - ou foi demasiado ambicioso ao acreditar que conseguia realizar e escrever uma mega-produção destas sozinho. Seja qual for a razão, pecou. E pecou porque Oblivion tinha tudo para ser um filme na onda de Solaris (calma.. o remake..), Moon ou Sunshine, mas acabou mais como um Total Recall (calma.. o remake..) glorificado. O ponto mais realista do filme, creio, assenta na hipótese de que, num futuro próximo, um exército de Tom Cruises invade a terra e destrói tudo o que conhecemos - ora, tendo em conta o passado demente do actor, está é uma hipótese credível, que todos devíamos ponderar com medo e cuidado.
A realização é pouco ambiciosa, parece contentar-se com o mainstream. O argumento tem falhas óbvias, os diálogos são tão fracos que fazem os três actores passarem por maus quando claramente não o são. Quem ficou bem na imagem foi a produção, o design de produção, etc.. Mas isso seria o de esperar. Mas então, porque é que me apetece desculpar o filme? Porque Oblivion é como aquelas pessoas que nos habituam à futilidade e ao falhanço a vida toda mas que, em um ou outro momento, parece-nos ver nos seus olhos algo mais - um brilho que sugere que, por baixo da capa de aparente desinteresse, vive algo mais. Porque uns olhos que olham assim escondem inteligência, mesmo que tímida ou aprisionada. Neste filme, houve um momento desses. Cruise e Kurylenko estão numa cabana, rodeados de verde, longe da fria tecnologia que assombra o resto do filme, e ela põe a tocar um vinil de Procol Harum - o êxito Whiter Shade of Pale. E, enquanto toca a música, começa a relembrá-lo de quem ele é e de quem foram, juntos, há muitos anos atrás. Isto é uma cena que me fez sorrir, e surpreendentemente, após mais de uma hora de anestesia sentimental, me fez sentir alguma coisa.
Mas não é só esta a razão que me faz perdoar um filme medíocre. A verdade é que a mensagem que Kosinski tenta passar é bonita, e é legítima. Oblivion não é sobre guerras espaciais, opressão governamental, recursos esgotados ou exércitos de Tom Cruises loucos assassinos (medo!) - na realidade, Oblivion é sobre o que faz de nós humanos, e o que faz de nós... nós. Oblivion diz, com todas as palavras, que a nossa alma é a nossa memória e que, mesmo que nos clonassem, se os nossos clones tivessem as nossas memórias, eram tão nós como nós próprios. Antes de perceber esta mensagem, tinha praticamente desistido do filme, mas houve qualquer coisa nela que me fez sorrir e pensar no diálogo entre Cruise e Kurylenko na cena de Procol Harum. Ela diz-lhe que ele lhe prometeu viverem uma vida longe de tudo e todos, morrerem no esquecimento do mundo, mas com as memórias um do outro. Se confrontarmos esta noção com o resto do filme, que defende uma morte heróica, citando passagens de Horácio e sacrificando-se pelo bem da humanidade, chegamos como que a um paradoxo. Para mim, ganha a noção de que a memória nos faz quem somos e que, quando a morte chegar, iremos bem sabendo que os Deuses nos esqueceram, mas na esperança que alguns humanos ainda se lembrem de nós.
Golpes Altos: Cena de Procol Harum. Produção. Mensagem do filme. Olga Kurylenko.
Golpes Baixos: Falta de ambição. Má escrita de argumento. Maus diálogos. Morgan Freeman (já chega, reforma-te). Exército de Tom Cruises assassínos. Olga Kurylenko não se despe nem tem sexo.
Argumento: Joseph Kosinski
Elenco: Tom Cruise, Morgan Freeman e Olga Kurylenko
O que dizer de um filme de 126 minutos em que 6 são bons, 20 são suportáveis, e 100 são uma grande trapalhada? A vontade é dizer mal, claro. Mas, por alguma razão, há qualquer coisa em Oblivion que me dá vontade de o elogiar ou, pelo menos, de suavizar a sua crítica.
A verdade é que Oblivion passa 126 minutos a tropeçar em si próprio. É um filme demasiado grande, demasiado complexo e com pouca vontade de corrigir ou explicar as suas inverossimilhanças e os seus tiros no pé. O realizador e argumentista Joseph Kosinski decidiu investir em efeitos especiais o que poupou em trabalho de guião - ou foi demasiado ambicioso ao acreditar que conseguia realizar e escrever uma mega-produção destas sozinho. Seja qual for a razão, pecou. E pecou porque Oblivion tinha tudo para ser um filme na onda de Solaris (calma.. o remake..), Moon ou Sunshine, mas acabou mais como um Total Recall (calma.. o remake..) glorificado. O ponto mais realista do filme, creio, assenta na hipótese de que, num futuro próximo, um exército de Tom Cruises invade a terra e destrói tudo o que conhecemos - ora, tendo em conta o passado demente do actor, está é uma hipótese credível, que todos devíamos ponderar com medo e cuidado.
A realização é pouco ambiciosa, parece contentar-se com o mainstream. O argumento tem falhas óbvias, os diálogos são tão fracos que fazem os três actores passarem por maus quando claramente não o são. Quem ficou bem na imagem foi a produção, o design de produção, etc.. Mas isso seria o de esperar. Mas então, porque é que me apetece desculpar o filme? Porque Oblivion é como aquelas pessoas que nos habituam à futilidade e ao falhanço a vida toda mas que, em um ou outro momento, parece-nos ver nos seus olhos algo mais - um brilho que sugere que, por baixo da capa de aparente desinteresse, vive algo mais. Porque uns olhos que olham assim escondem inteligência, mesmo que tímida ou aprisionada. Neste filme, houve um momento desses. Cruise e Kurylenko estão numa cabana, rodeados de verde, longe da fria tecnologia que assombra o resto do filme, e ela põe a tocar um vinil de Procol Harum - o êxito Whiter Shade of Pale. E, enquanto toca a música, começa a relembrá-lo de quem ele é e de quem foram, juntos, há muitos anos atrás. Isto é uma cena que me fez sorrir, e surpreendentemente, após mais de uma hora de anestesia sentimental, me fez sentir alguma coisa.
Mas não é só esta a razão que me faz perdoar um filme medíocre. A verdade é que a mensagem que Kosinski tenta passar é bonita, e é legítima. Oblivion não é sobre guerras espaciais, opressão governamental, recursos esgotados ou exércitos de Tom Cruises loucos assassinos (medo!) - na realidade, Oblivion é sobre o que faz de nós humanos, e o que faz de nós... nós. Oblivion diz, com todas as palavras, que a nossa alma é a nossa memória e que, mesmo que nos clonassem, se os nossos clones tivessem as nossas memórias, eram tão nós como nós próprios. Antes de perceber esta mensagem, tinha praticamente desistido do filme, mas houve qualquer coisa nela que me fez sorrir e pensar no diálogo entre Cruise e Kurylenko na cena de Procol Harum. Ela diz-lhe que ele lhe prometeu viverem uma vida longe de tudo e todos, morrerem no esquecimento do mundo, mas com as memórias um do outro. Se confrontarmos esta noção com o resto do filme, que defende uma morte heróica, citando passagens de Horácio e sacrificando-se pelo bem da humanidade, chegamos como que a um paradoxo. Para mim, ganha a noção de que a memória nos faz quem somos e que, quando a morte chegar, iremos bem sabendo que os Deuses nos esqueceram, mas na esperança que alguns humanos ainda se lembrem de nós.
Golpes Altos: Cena de Procol Harum. Produção. Mensagem do filme. Olga Kurylenko.
Golpes Baixos: Falta de ambição. Má escrita de argumento. Maus diálogos. Morgan Freeman (já chega, reforma-te). Exército de Tom Cruises assassínos. Olga Kurylenko não se despe nem tem sexo.
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