Realização: Kathryn Bigelow
Argumento: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain, Joel Edgerton
Hoje estreamos a rubrica Testa-a-Testa, onde dois bravos bloggers lutarão num duelo até à morte.
As regras do jogo são simples: NÃO HÁ REGRAS!
Mentira. Há algumas regras. Não convém insultarem as mães um do outro, por exemplo.
O formato vocês vão perceber. Basicamente cada blogger escreve uma pequena crítica, e o outro tem direito a fazer breves apontamentos em itálico à crítica do seu desafiador. 'Tão entusiasmados?! 'Tão vá, 'bora!
Que Comecem os Jogoooos!
Crítica do buddy - com comentários do B.
Osama Bin-Laden morreu e, resolvido o assunto, terminou a
maior caça-ao-homem da história dos Estados Unidos. Ok! Boa notícia! Repararam?
“Boa Notícia”. Não é “Bom filme!” e
muito menos “Bom filme de 3 horas”.
(que redutor buddy...
qualquer dia dizes que achas o De Niro sobrevalorizado...)
Não digo que o filme seja mau, porque não é. Tem uma boa
realização, bons actores, boa fotografia e todas aquelas merdas técnicas que
ninguém sabe bem distinguir e que, quando a imagem é boa, levam todas 5
estrelas. Então e depois? É isto um filme? Um conjunto de virtudes técnicas?
Isso é engenharia, não é arte.
Um thriller vive pelas suas personagens, pela sua intriga,
pelo seu suspense – três coisas que Zero Dark Thirty não tem.
(claro que um filme
exuberante tecnicamente não é necessariamente um bom filme, mas dá uma
ajudinha... Intriga e suspense é praticamente constante... mesmo com 3h ela
consegue manter-nos agarrados através dessas 2 armas do suspense. As
personagens podiam ser melhor aproveitadas? Sim, mas ela deu mais valor à
história...)
O primeiro filme desta realizadora foi tudo o que este não
conseguiu ser, e colou-me à cadeira. Este resume-se à história de uma mulher
que fez o seu trabalho bem feito – e o que isso implica é que, no momento da
decisão final, tem mais 35% de certeza que os outros. Um grande filme não se
faz sobre uma margem de 35%, e certamente não se teria feito se a personagem
principal fosse um homem (desculpem, mas tinha que ser dito).
(colou-me o 1º e
colou-me este. Nisso ela não falha nem por nada... E voltas a ser redutor
quando resumes o filme à percentagem favorável no momento da captura...)
Golpes Altos – Tecnicamente bom. (faltou aí o “muito”)
Golpes Baixos – Emocionalmente vazio. (querias lágrimas a mais, sangue a mais, funerais e loucura? Isto não é
o Lendas de Paixão!)
Crítica do B. - com comentários do buddy
Este filme mostra a dimensão da realizadora. Desta vez
confirmou a qualidade inegável a nível técnico mas acima de tudo, passou para
outro nível no que toca à narrativa...
Eu não sou fã do seu anterior filme embora dê a mão à
palmatória no que toca à qualidade técnica e à tensão constante com que o filme
nos infecta. No entanto parece que estamos sempre à espera de mais qualquer
coisa.
(se o filme mostra a
dimensão da realizadora, então esta realizadora é unidimensional –
sinceramente, acho que o filme só tem um personagem e muitos figurantes
participativos.)
Aqui não... Aqui ela conta a história dividida por capítulos
sem que se note minimamente as 3 horas. É um filme muito intenso mas sem ser
“dramalhão” ou demasiado “parcial”, embora não me pareça complicado tomar um
partido nesta história. Não temos que concordar com a forma ou com o resultado
final, mas isso vai para lá do filme.
(diz que há gente que
entra em coma e também não dá pelo passar das horas…)
A realizadora centra toda a história na personagem principal
que percebe-se de início ser meio “deslocada” de tudo o que a sua missão a
obriga. Ambiente, país, colegas, formas, feitios, etc... Não entendo que digam
que ela está incrível porque não está... é linda? CLARO que é... mas queria
muito alguém mais poderoso para este papel. Ainda assim, ela consegue
transmitir a evolução da personagem de forma muito coerente.
(ok, ela é linda e
adoro-a vestida de khaki, mas tu és feio e dizes coisas erradas)
É Top 5 dos melhores filmes do ano, não que tenha sido um
ano muito bom.
(foi um ano bom, foram
uns Óscares maus e este filme contribuiu para isso)
Golpes Altos – Técnica e Narrativa... Tudo a roçar a
perfeição. (perfeição?! A sério?!)
Golpes Baixos – Interpretação da ruivinha. (eu acho que é mais culpa da merda de
diálogos que lhe deram do que da qualidade da menina)
E assim, terminado o duelo, um de nós será enforcado em praça pública. Você decide!
