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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Serena


Realização: Susanne Bier
Argumento: Christopher Kyle
Elenco: Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Rhys Ifans, Toby Jones, Sean Harris, David Dencik

“We don't invest anything in either character, and with barely any tension, Serena grabs neither head nor heart.”
Ao dar uma vista de olhos nas avaliações do Metascore deparei-me com esta frase da crítica da Time Out London que resume bem o que penso da nova película de Susanne Bier, a dinamarquesa autora do excelente Efter brylluppet – After the Wedding e do muito badalado e oscarizado mas desinteressante Hævnen – In a Better World.

Centrada à volta dum recém casal em plena Grande Depressão que almeja criar um império da madeira mas que se debate com problemas de crédito e com um grupo de ambientalistas, a trama é minimalista no mau sentido, no sentido em que não sabemos donde vêm e para onde vão as personagens, quais as suas motivações para lá do egocentrismo e da ganância, da violência e da tentativa de sobrevivência.

Lawrence tem demasiados maneirismos na sua paranóia obsessiva, mas ainda vai sustentando o filme apenas com a sua presença impactante até que Bier decide arredá-la do desenlace trágico, encarcerando-a em casa durante os últimos 20 minutos do filme; e Cooper está sem nervo, pouco expressivo, pouco pulsante. Lembra mais o Cooper apagado do início de carreira do que o actor revitalizado, coeso e ascendente de quem tanto gostamos em The Place Beyond the Pines, Silver Linings Playbook ou American Hustle.

Já Bier em momento algum parece conduzir-nos de forma fluída, nem sequer consegue que sintamos o que quer que seja por aquelas personagens. Quer admiração, quer desdém. Acaba por falhar, dirigindo o elenco de forma errática e, recorrendo à frase do início, incapaz de conquistar-nos o coração pelo drama épico nem a mente pela “epopeia noir”.

Uma última nota: Jennifer Lawrence tem 24 anos, é aclamada pela crítica como uma espécie de herdeira de Katharine Hepburn e Meryl Streep, já conquistou um Óscar de Actriz Principal (e tem mais duas nomeações, uma de Principal e outra de Secundária), e ultimamente salta de grande projecto em grande projecto. Está numa vertigem de sucesso.
Ainda assim, e apesar de todos os elogios, nos últimos 4 anos e tal não voltei a ver a brutalidade de actriz de Winter’s Bone. Na minha opinião ainda não chegou sequer perto daquele nível. E com apenas 19 aninhos.

Golpes Altos: Pormenores técnicos como o guarda-roupa, a maquilhagem e os cabelos. A fotografia e alguns planos, sobretudo nas Smoky Mountains, são muito bonitos.

Golpes Baixos: A falta de alma da história, uma péssima direcção de actores e o extremo e transversal egoísmo que esvazia as personagens. Bradley Cooper.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

American Hustle



Realizador: David O. Russel
Argumento: Eric Warren SingerDavid O. Russell
Actores: Christian BaleAmy AdamsBradley Cooper, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Louis C.K.

Imaginem o David O. Russel a tentar desde a escolha da capa do Filme fazer um "Scorsese", mas acabou por ficar quanto muito perto de um "Soderbergh" aprendiz. E reparem: O Filme é bastante porreiro, mas não é mais que isso... É um filme que entretém bastante mas que daqui a 2 semanas já não nos lembramos muito bem dele...

O Filme traz-nos uma "Trama" à Americana, um filme de golpadas, de negociatas, de "espionices" com FBI ao barulho, criminosos ao barulho, casinos, mulheres bonitas e semi-despidas, homens de charuto, roupas estilosas e cenários bem trabalhados. Um Filme que, e aqui o O. Russel nunca falha, tem diálogos muito bem trabalhados e nos quais se baseia para os reflexos de humor e para envolver o espectador numa teia comum a este tipo de "policial-cool-com-cenas-porreiras". 

Ora... Onde falha? Falha no quanto é previsível, falha no quanto se prende aos bons diálogos sem perceber que nestes filmes o fulgor estético é tão ou mais importante, falha na falta de risco em mostrar mais cenas cruas, mais cenas de desconforto. Torna-se assim um filme muito parecido a coisas já vistas por aí, vindo de um talentoso Realizador e Escritor pedia-se mais... 

Christian Bale: ASPIRA qualquer cena onde entra, tudo à volta dele desaparece e enche sem qualquer dose de histerismo o ecrã, mostra que ali é ele que tem de ter a luz por cima, é ele que tem de conduzir a cena, é ele que tem de mostrar a todos os talentos (maiores ou menores) que o rodeiam que estão perante um dos de topo. Um papel gigante e mais uma transformação física arrepiante. Depois de no Maquinista ter chegado aos 55Kg, neste filme engordou 20Kg... É só parvo, mas isto mostra dedicação e trabalho, além dos 20Kg herdou ainda 2 hérnias pela má postura. Enfim, fait-divers à parte é mais um papel monstruoso. 

Christian Bale é claramente uma boa pancada do David O. Russel que tem outras não tão boas mas competentes: A linda Lawrence e o estiloso Cooper. Ninguém dava nada por eles há uns anos e estão-se a tornar actores que devemos pelo menos respeitar e até ter esperança em vê-los "maiores" dentro de alguns anos. 

A belíssima Amy Adams está muito bem, mas ela já nos habituou a ser das melhores Actrizes da "praça". Penso que o pico dela no filme é antes de começar a "surtar", a fase mais contida dela é muito potente precisamente por percebermos que ela está a esconder constantemente um turbilhão de sentimentos e emoções, uma contenção sempre prestes a explodir. 

Notas finais para a aparição rápida do velhinho De Niro que foi dos maiores de sempre e hoje em dia faz cenas para amigos, e para o Louis CK que faz um papel quase irrelevante mas gosto tanto dele que não podia deixar de o mencionar. Faz mas é mais uma série do Louie porque morro de saudades. 


Golpes Altos: Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale... Banda Sonora, Caracterização e diálogos.

Golpes Baixos: Com mais força da próxima vez O. Russel... com mais força...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Óscares 2013



Melhor Filme: Argo
Embora fosse o favorito, não é de todo o melhor filme do ano. Para mim seria o Amour. Difícil de ver? Sim, mas tem uma dimensão única. Não me lembrarei do Argo daqui a 2 meses. Ainda antes

Melhor Realizador: Ang-Lee
Gostei do óscar. Gosto muito do Life Of Pi e gosto muito do Ang-Lee. Se merecia de caras? Não me parece... Mas os meus favoritos (dos nomeados) eram ele e o Haneke.
A academia deixou de fora o Tarantino, o P.T. Anderson e o Ben Affleck, nenhuma destas ausências se justifica minimamente.
O melhor Realizador do ano para mim, de longe, foi o P.T. Anderson.

Melhor Argumento Original: Django Unchained
Entre este e o Moonrise Kingdom, venha alguém e escolha. Assim foi. Ao menos vimos o Tarantino ganhar alguma coisa.

Melhor Argumento Adaptado: Argo
Bom argumento de facto. Muito bem adaptado. Não é estrondoso mas é coeso. Menos coeso mas mais brilhante foi o Life of Pi.

Melhor Fotografia: Life Of Pi
Quem mais?

Melhor Edição: Argo
Um óscar bem entregue. Tudo bem cortadinho, tudo bem feito. O filme mais profissional do ano merecia até mais óscares técnicos. No entanto, o meu favorito era o Zero Dark Thirty.

Melhor Actor: Daniel Day-Lewis
Continuo a achar que o Joaquin Phoenix no The Master faz o melhor papel do ano. Mas se este óscar servir para destacar o Day-Lewis como o melhor de sempre... Estou de acordo! O único actor da história a vencer 3 óscares de melhor actor principal é, de facto, Top 2 dos melhores de sempre junto do Marlon Brando.

Melhor Actriz: Jennifer Lawrence
O óscar mais ridículo da noite. Se o Argo é um filme muito profissional e uma história bem contada e realizada, o papel da boazona da Jennifer não é nada disto. É meio dark/divertido mas... hey... é um papel que até a Sandra Bullock fazia.
Se a isto juntarmos o facto da Emmanuelle Riva estar nomeada... Então passa a ser um prémio anedótico. Quem conseguia fazer o papel da Riva? Poucas... tão poucas...

Melhor Actor Secundário: Christoph Waltz 
Era o óscar mais difícil. Excelentes nomeações (tirando o De Niro... Trocava-se bem pelo Di Caprio) e tinha de haver um vencedor. Entre Waltz, Tommy Lee Jones e Hoffman, o boneco dourado ficava bem entregue. Ganhou o mais "en vogue".

Melhor Actriz Secundária: Anne Athaway
Mais um óscar parvo. Gosto muito da Anne Athaway, não necessariamente por ser uma grande actriz. A minha preferida para este prémio era a Helen Hunt no 6 Sessions, sendo que se ele caísse nas mãos da Amy Adams (The Master) ou até da Sally Filed (Lincoln) não ficaria muito aborrecido. Agora... Na Anne só porque rapou o cabelo? Mas isto é o The Accused?

Melhor Filme Estrangeiro: Amour
Era o mínimo e foi o mínimo. O filme mais poderoso do ano leva uma estatueta para casa.

Melhor Filme de Animação: Brave
Sei lá... Não vi nenhum... Que dizem vocês?

Nota final bastante positiva para o Seth MacFarlane, um bom host. Com piadas em modo Ricky Gervais soft. Gostei do que vi (não vi tudo, um gajo tem que dormir).


PS: Mia Farrow no Twitter: You can tell who's doing coke.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Silver Linings Playbook


Realizador: David O. Russel
Argumento: David O. Russel
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro

Há filmes difíceis de se dizer mal. Não por serem bons, mas por serem simpáticos, positivos, e terem grandes planos do rabo da Jennifer Lawrence. Ainda assim, faço questão de dar o meu melhor.

Silver Linings Playbook é uma comédia romântica, e o sexto filme de David O. Russel (Três Reis, The Fighter, Os Psico-Detectives). O primeiro erro do filme está em começar demasiado bem. Sim, é isso mesmo. O começo do filme é demasiado bom para uma comédia romântica. As personagens demasiado profundas e bem construídas, os diálogos demasiado bem escritos e uma realização inédita num filme deste género. O próprio título tem uma carga um tanto poética - Silver Lining sendo uma espécie de "lado bom da tempestade" ou "copo meio-cheio" - e torna-se o grito de guerra do personagem principal, juntamente com a palavra Excelsior - também utilizada por Walt Whitman e que significa "sempre melhor". Juntamos tudo isto a duas personagens complexas e clinicamente perturbadas (ele deixado pela mulher, ela viúva muito cedo) e o filme tem tudo para me cativar, e tudo para ser mais que uma simples comédia romântica. E eis que a coisa começa a correr mal.

O argumento parece não estar satisfeito com a trama inicial. Desata numa trapalhada de twists horríveis com apostas de jogos - impulsionadas pela personagem de DeNiro, um pai obsessivo compulsivo com um problema de jogo - cartas que foram e não foram escritas, intenções escondidas, ela afinal coiso, e ele afinal pumba e, afinal, o filme dá merda. Torna-se demasiado complexo para poder ser coerente. Subitamente, os problemas psicológicos deixam de ser credíveis, bem como as suas supostas recuperações. Perde-se a vertente dramática, e a coisa deixa de ter piada (sendo que nunca teve muita). Muito por culpa de maus diálogos, mas muito também por culpa da péssima actriz que é Jennifer Lawrence. Nós sabemos que ela é óptima atrás, à frente, de lado e foi difícil abstrair-me disso e concentrar-me na sua actuação, mas a realidade é que ela é mázinha, e o filme perde com isso (fez-me imaginar o que uma Natalie Portman faria desta personagem).

Custa-me dizer isto, porque me agrada a ideia de se fazer uma comédia romântica com conteúdo, bom gosto, boa realização, boas referências... Mas não é isto. E custa-me que este filme seja candidato aos Óscars, enquanto se fazem comédias românticas independentes tão muito melhores com metade do orçamento (exemplo do ano: Celeste and Jesse Forever).

David O. Russel, tu és bom. Eu sei isso. Fizeste coisas incríveis e de muito bom gosto. Onde foi parar o humor dos Psico-Detectives? Esse humor subtil, inteligente? Trocaste-o por uma comédia familiar com cenas que só fazem rir quem nasceu antes do 25 de Abril, e isso não é fixe. No entanto, obrigado pelo esforço em fazeres algo diferente, obrigado por pores o personagem principal a ter um ataque de fúria com um livro de Hemingway (um final de livro frustrante até para quem não tem problemas psicológicos), obrigado por mostrares que o Bradley Cooper é bom actor, e obrigado... muito obrigado por me mostrares o corpo da Jennifer Lawrence. É um escândalo e merece ficar na história. Agora vai-te lixar, que já não há desculpa para certos erros.


Golpes Altos: Realização, Primeira Hora de Filme, Banda Sonora, Pormenores de Guião, Cu da Jennifer Lawrence (desculpem, juro que não falo mais nisto).

Golpes Baixos: Robert DeNiro que subitamente deixou de ser bom actor, Jennifer Lawrence que nunca vai ser boa actriz, Chris Tucker que é praí o pior comediante de sempre, péssimos twists, argumento demasiado ambicioso e, por isso, trapalhão, cenas cómicas muito fraquinhas.