Realização: Lee Toland Krieger
Argumento: Rashida Jones
Elenco: Rashida Jones, Andy Samberg, Elijah Wood, Chris Messina, Emma Roberts
Gostava de começar este texto com a premissa de que "este foi um ano especialmente bom para o cinema independente". Era uma boa maneira de introduzir este filme (e esta rubrica), mas não me parece legítimo. A verdade é que não me lembro do último ano em que os box office superaram os filmes indie.
Eu até desenvolvi um sistema. Utilizo anualmente o cinema independente para colmatar as frustrações e desilusões causadas pelos Óscares. Este ano não foi diferente.
Celeste and Jesse Forever é uma comédia romântica independente que sai quase totalmente do bolso de Rashida Jones. Quem é fã da série Office deve lembrar-se do seu début como "a gaja gira e fixe que ia estragando a série", mas quem tem acompanhado mais de perto a sua carreira está em riscos de se apaixonar pela mulher, e pela artista. Ela não se limita a protagonizar este filme, escreve-o também - uma comédia romântica, escrita por uma mulher para uma mulher, corre sérios riscos de se tornar uma comédia romântica para mulheres. Mas não. Rashida superou-se.
Celeste and Jesse parte de uma longa tradição de filmes de melhores amigos que se tornam namorados, mas inverte-a, e toca num ponto desconfortável. E namorados que se tornam melhores amigos? Pode parecer um lugar comum, mas é um daqueles que ninguém faz questão de explorar. É um assunto sórdido, e vai ser difícil mexer-lhe sem sujar as mãos.
Talvez por isso Celeste and Jesse não seja um filme cómico, nem um filme romântico. É um filme realista, e até demasiado duro para o formato que o envolve. E assim se torna uma boa ideia num bom argumento, junta-se uma boa realização - com um filtro de cores que fará os amantes do independente sentirem-se em casa -, um excelente elenco, escolhido a dedo, e uma banda-sonora tão alternativa quanto o filme, e temos a melhor comédia romântica do ano - mesmo que não tão cómica, e muito pouco romântica.
Para quem gostar do filme, aconselho espreitarem outro do mesmo realizador. Chama-se The Vicious Kind, e não os desiludirá. Só não esperem de Celeste and Jesse um filme leve e fixe, para ver com a namorada(o). Vai deixar-vos melancólicos, com um travo amargo na garganta - mas se o cinema é feito de memórias e sonhos, então Celeste and Jesse são seus dignos representantes.
Golpes Altos: Argumento, elenco secundário, banda-sonora, realização.
Golpes Baixos: Andy Samberg não é um excelente actor, mas neste filme também não precisa - a Rashida trata do resto.
Argumento: Rashida Jones
Elenco: Rashida Jones, Andy Samberg, Elijah Wood, Chris Messina, Emma Roberts
Gostava de começar este texto com a premissa de que "este foi um ano especialmente bom para o cinema independente". Era uma boa maneira de introduzir este filme (e esta rubrica), mas não me parece legítimo. A verdade é que não me lembro do último ano em que os box office superaram os filmes indie.
Eu até desenvolvi um sistema. Utilizo anualmente o cinema independente para colmatar as frustrações e desilusões causadas pelos Óscares. Este ano não foi diferente.
Celeste and Jesse Forever é uma comédia romântica independente que sai quase totalmente do bolso de Rashida Jones. Quem é fã da série Office deve lembrar-se do seu début como "a gaja gira e fixe que ia estragando a série", mas quem tem acompanhado mais de perto a sua carreira está em riscos de se apaixonar pela mulher, e pela artista. Ela não se limita a protagonizar este filme, escreve-o também - uma comédia romântica, escrita por uma mulher para uma mulher, corre sérios riscos de se tornar uma comédia romântica para mulheres. Mas não. Rashida superou-se.
Celeste and Jesse parte de uma longa tradição de filmes de melhores amigos que se tornam namorados, mas inverte-a, e toca num ponto desconfortável. E namorados que se tornam melhores amigos? Pode parecer um lugar comum, mas é um daqueles que ninguém faz questão de explorar. É um assunto sórdido, e vai ser difícil mexer-lhe sem sujar as mãos.
Talvez por isso Celeste and Jesse não seja um filme cómico, nem um filme romântico. É um filme realista, e até demasiado duro para o formato que o envolve. E assim se torna uma boa ideia num bom argumento, junta-se uma boa realização - com um filtro de cores que fará os amantes do independente sentirem-se em casa -, um excelente elenco, escolhido a dedo, e uma banda-sonora tão alternativa quanto o filme, e temos a melhor comédia romântica do ano - mesmo que não tão cómica, e muito pouco romântica.
Para quem gostar do filme, aconselho espreitarem outro do mesmo realizador. Chama-se The Vicious Kind, e não os desiludirá. Só não esperem de Celeste and Jesse um filme leve e fixe, para ver com a namorada(o). Vai deixar-vos melancólicos, com um travo amargo na garganta - mas se o cinema é feito de memórias e sonhos, então Celeste and Jesse são seus dignos representantes.
Golpes Altos: Argumento, elenco secundário, banda-sonora, realização.
Golpes Baixos: Andy Samberg não é um excelente actor, mas neste filme também não precisa - a Rashida trata do resto.
