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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

The Iceman

Realização: Ariel Vromen
Argumento: Morgan Land e Ariel Vromen
Elenco: Michael Shannon, Winona Ryder, Ray Liotta e Chris Evans


O que aconteceu aqui não foi bonito. Richard Kuklinski matou mais de 100 pessoas (ou 200, sendo que existe uma discrepância entre os valores das legendas americanas e portuguesas) a sangue-frio. Matou-as porque alguém lhe pagou para o fazer, mas também porque era um sádico traumatizado psicopata. Mas isto não choca assim tanto. O mundo está cheio de malucos. O que choca, é fazer-se um filme tão vazio, tão medíocre e tão inconsequente como este The Iceman.

Não sendo um filme horrível, The Iceman consegue agarrar numa história perfeitamente válida, e construir uma trama foleira que assenta sobre um único princípio sobre o qual todo o universo e todas as personagens do filme se regem: Richard Kuklinski era um assassino, mas também era um homem de família. Ok. Então mas não querem explorar melhor a complexa natureza do psicopata? Não querem mostrar pormenores dos negócios em que esteve envolvido? Não querem tornar uma biografia aborrecida num filme minimamente artístico? Não. Ariel Vromen não quis nada disso.

O que Ariel Vromen - realizador imberbe de origens judaicas e talento reduzido - quis fazer com este filme, foi tentar misturar o seu entendimento de um filme Scorceseano com uma biografia do canal história. O resultado foi uma produção medíocre que, com a ajuda de um elenco semi-válido, conseguiu projecção suficiente para pagar os custos de produção. É uma pena. Um realizador mais ousado e mais talentoso teria transformado esta história em algo mais. Teria explorado planos de autor, cenas fantásticas em que conseguiríamos espreitar para dentro da alma do assassino. Em vez disso, temos meia dúzia de mortes descontextualizadas - uma delas a do personagem de James Franco que, honestamente, a única coisa que faz bem é cair para o lado morto -, uma visita ao irmão na prisão, uma recordação de umas chicotadas do pai e um ataque de fúria junta da mulher e das filhas.

Pelo meio, temos uma personagem interessante - Mr. Freezy, interpretado por Chris Evans. De facto, Mr. Freezy é tão mais interessante que The Iceman, que me fez pensar porque raio é que não escolheram um em vez do outro. Gostaria de ter visto mais do personagem de Evans, tal como gostaria de ter visto Ray Liotta a fazer qualquer outro personagem que não um mafioso desautorizado pelo seu chefe - Ray, já chega. Enfim, The Iceman é um filme datado por um realizador sem visão e sem identidade. Um conselho para Ariel Vromen: vai fazer documentários!


Golpes Altos: Interpretação de Michael Shannon, Chris Evans, Winona Ryder e as duas miúdas. Cena da discoteca é uma pérola face ao ambiente semi-gélido do filme.

Golpes Baixos: Um filme sem talento, escrito por um guionista sem talento que, veja-se bem, também é um realizador sem talento. Mediocridade na sua forma mais pura. David Schwimer a tentar ser um mafioso é como ver o Ross dos Friends a tentar não ser o Ross dos Friends.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Spring Breakers

Realização: Harmony Korine
Argumento: Harmony Korine
Elenco: James Franco, Selena Gomez, Ashley Benson e Vanessa Hudgens


São tempos tristes, estes que vivemos. Não por existirem festas, álcool, drogas, música electrónica, sexo descomprometido ou violência - isso já existia, não é de hoje. E nada disso me incomoda, nada disso me choca, já nasci na geração das drogas brancas e da música a metro. Os tempos tristes, a meu ver, derivam de se fazerem filmes como este.

Onde Spring Breakers falha, é precisamente onde quer acertar - na crítica. O mais recente filme de Harmony Korine peca por pegar num tema sem interesse, em gente sem interesse, num cenário sem interesse e tentar dar-lhe uma suposta profundidade que a falta de qualidade do argumento e dos actores não consegue suportar. Os Spring Breakers de Harmony Korine depositam nesta viagem de finalistas todos os seus sonhos e aspirações, toda a sua (falta de) profundidade religiosa, todo o seu espírito aventureiro - mas, citando um famoso filósofo do século passado, "a vida não é um filme, boy", e os jovens que partem todos os anos para as viagens de finalistas não vão com o coração cheio de entusiasmo por verem coisas novas, não vão inundados por um conceito distorcido de "sonho americano", vão simplesmente para - pardon my french - se foderem todos. Para se encharcarem em drogas e álcool e foderem o maior número de miúdas/miúdos possível. Esta é a cruel verdade. E não vejo mal nenhum nisso, mas também não vejo motivo para se fazer um filme.

Harmony Korine já me tinha tentado provar que era uma pessoa desinteressante. Tanto Gummo, como Mister Lonely são filmes sobre realidades sórdidas que eu não conheço, sobre os filhos bastardos dos EUA - aqueles que nasceram na parte de trás de uma auto-caravana, fruto do amor proibido do seu tio com a sua mãe. São temas que não me interessam, de gente que prefiro acreditar que não existe, abordados de uma forma pouco brilhante - para ser simpático. Agora deixou os seus freaks para trás, e foi buscar 4 canhões e, claro, o James Franco. Dos 4 canhões, apenas 2 existem de facto - as outras duas servem para mostrar o cu e as mamas - e o James Franco é uma triste tentativa de fusão de um Bobby Peru com um Drexel, mas faltando-lhe o talento tanto de Willem Dafoe como de Gary Oldman, ficando apenas uma personagem fraca na qual não se percebe onde a estupidez do guião acaba e a estupidez de Franco começa.

Resumindo, Spring Breakers não é um péssimo filme, porque não dá sequer espaço para isso. É simplesmente um filme que goza consigo próprio ao espelho, caindo nos mesmos erros da realidade que tão mediocremente tenta criticar.


Golpes Altos: Banda sonora bem encaixada, algumas cenas davam excelentes videoclips. Muitos cus e muitas mamas (mas, estranhamente, muito pouco sexo). Selena Gomez e Vanessa Hudgens são  fortíssimas!

Golpes Baixos: Realização boa para um videoclip da MTV. Cenas narradas lembram uma espécie de Malick, caso este tivesse nascido com meio neurónio. James Franco és mau, mau, mau. Selena Gomez e Vanessa Hudgens deviam voltar pro Mickey Mouse Club... mas agora se calhar é tarde de mais...

quinta-feira, 14 de março de 2013

Oz: The Great and Powerful


Realização: Sam Raimi
Argumento: Mitchell Kapner e David Lindsay-Abaire
Elenco: James Franco, Mila Kunis, Michelle Williams e Rachel Weisz

Há alguns anos atrás, acordei um tanto sobressaltado com um sonho. Nesse sonho, era-me oferecido um repasto num conhecido restaurante lisboeta - e até aqui tudo bem - o problema foi que, à primeira garfada, a comida desapareceu antes de me cair no goto. Era como se estivesse a comer uma nuvem sensaborona e traiçoeira. Foi mais ou menos isto que senti com Oz: The Great and Powerful.

O filme surge como uma prequela ao clássico de L. Frank Baum "O Feiticeiro de Oz", mas não dignifica as suas origens. A história é óptima, e só isso já seria uma grande ajuda para não se fazer um filme de merda. Mas não, Sam Raimi consegue ser cada vez mais medíocre. A história da sua mediocridade vem desde o início da sua carreira como realizador de terror Classe-B e avança mais de uma década até à gigantesca merda que foi a trilogia Spider-Man. Não, mentira: vem até à merda que é este filme.

Mas porque é que Raimi falhou? O filme tem tão bom aspecto, tantas cores e actores famosos. Pois, é precisamente por aí. Raimi agarrou numa história riquíssima e decidiu transformá-la numa espécie de "Avatar - A Sequela". Tudo no filme são efeitos especiais ultra-digitais e preparadinhos para serem vistos num IMAX 3D. E isso não podia ser feito. Não com Oz. Não com uma das peças mais importantes da cultura juvenil universal.

E depois há os actores. Oh... os actores. Temos portanto um dos piores aí da praça a fazer uma das personagens mais místicas e icónicas de sempre. James Franco, you suck! És um gajo fixe de certeza. Tens graça e fazes bem de ganzado. Mas nunca, nunca mais tentes fazer um personagem emocionalmente profundo ou complexo. Porque tu próprio não o és, e também não o consegues fingir. E depois temos as bruxas... Frank Baum está a arranhar o tecto do seu caixão. Mila Kunis e Michelle Williams não conseguem ser nem más, nem boas. São simplesmente... neutras? Rachel Weisz salva a coisa e dá a única boa interpretação do filme (juntamente com Zach Braff que tem sempre alguma piada).

E é isto. E é triste, porque já é altura de alguém com talento e que perceba a profundidade do Man  Behind the Curtain agarrar neste clássico e dar-lhe a homenagem merecida. Já é altura, mas ainda está para vir. No entanto, se estiverem com fome de pipocas e quiserem levar os filhos ao cinema, o filme não é intragável e tem a vantagem de começar e acabar bem - o meio é que é mais difícil.


Golpes Altos: Começo a preto e branco, seria óptimo se Oz fosse interpretado por outro actor. Bom final de filme, quase parece desligado do resto. Mila Kunis, és TÃO forte!

Golpes Baixos: Interpretações. Guião não vive sozinho. Realização para distrair os olhos. Demasiados efeitos, demasiadas cores, bichos demasiado feios. Uma desilusão até para quem, como eu, não tinha ilusões.