Realizador: Woody Allen
Argumento: Woody Allen
Actores: Scarlett Johansson, Jonathan Rhys Meyers, Emily Mortimer
Esta ópera do Woody Allen foi como um grito de guerra. O realizador já andava perdido em filmes menores há alguns anos e depois de um amuo com o seu país e cidade de origem, decidiu aventurar-se na Europa. Resultado? O melhor filme do Woody Allen sem contar com a sua "Primeira Fase".
Chamo "Primeira Fase" a tudo o que foi feito até... provavelmente... Os Dias da Rádio. Depois houve uma fase "jeitosa" mas com menos qualidade que termina no Sweet and Lowdown. Depois uma fase menor antes do Realizador abandonar os EUA e agora a fase Europeia que tem como grande destaque este Match Point.
Neste filme ele torna-se visceral.
Tem como base Dostoievski e o seu Crime e Castigo, um tema já transposto para cinema, mas aqui, mesmo com uma ausência gritante de subtileza dessa "adaptação", parece-me que ganha uma nova dimensão.
Ele desvenda-nos o desenrolar do filme nas primeiras cenas, ninguém fica indiferente ao ver o personagem principal a ler esta obra, e depois conta-nos a história que vai trazer o paralelismo aguardado.
E se alguém conta bem histórias... é este homem pequenino e neurótico.
Este filme merecia ter 3h para poder respirar as evoluções e destruições das personagens, para poder ter mais planos do corpo da Scarlett (se ele pode ter planos destes, eu posso comentá-los como parte do filme!), para poder aumentar ainda mais a tensão dos momentos em que já percebemos o que vai acontecer mas ainda não vimos... Isto posso apontar ao filme... Precisava de mais tempo embora funcione como está.
Tudo funciona como numa Ópera, tem os passos todos e a música de fundo não engana. Este filme não tenta ser subtil, não tenta dar dicas...mostra tudo a nu, a cru, abre-se de forma bastante clara sem rodeios e sem "merdas". É desconfortável por vezes? Que seja, é assumido e quer passar tudo isso a quem está a ver... É previsível? Sim mesmo quando nos surpreende nem que seja neste ou naquele detalhe.
Uma coisa é certa, se tivesse a "sorte" que ele próprio sugere ao longo do filme, este teria uma dimensão bem diferente na história recente do cinema.
Golpes Altos: Frontalidade, Desconforto, Ansiedade, Desespero... tudo presente como nunca! Uma brutalidade muito própria que vive de espasmos da história.
Golpes Baixos: O actor principal é dos piores da história do cinema...
Mais 1h de filme podia ajudar a dar mais "corpo" ao mesmo.
