Mostrar mensagens com a etiqueta Casey Affleck. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casey Affleck. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Gone Baby Gone



Realizador: Ben Affleck
Argumento: Ben Affleck, Aaron Stockard, Dennis Lehane (Novel)
Actores: Casey Affleck,  Michelle MonaghanMorgan Freeman, Ed Harris

Não vi o filme na altura e acabei de o ver agora. Estou angustiado e parece que levei um enxerto de porrada na zona do estômago. Acho até que ganhei mais em vê-lo agora do que há 6 anos quando ele estreou.

Um filme que conta a história do desaparecimento de uma criança e de uma panóplia de pessoas a tentar descobrir o paradeiro da miúda. Depois há muitos twists e muitos "eheheh... esta não estavas à espera" no enredo para no final percebermos que a única pessoa séria no meio daquilo tudo era o detective privado contratado para ajudar no caso. Será?

A verdade é que isto tudo é o menos importante no filme... O mais importante é o crescendo que se cria no filme para chegar a um ponto extremado onde surge um momento que me vai ficar na cabeça para sempre... Que fazer numa situação daquelas? Ser racional e decidir pelo "é isto que devo fazer segundo as regras da sociedade onde me insiro", ou ser mais romântico e decidir pelo "quero lá saber o que devo fazer no papel, vou escolher a opção que faz sentido para mim". 

O actor principal toma uma decisão com a qual se protege, não arrisca... É a decisão "à americana" (se o filme fosse europeu a miúda ficava lá), a decisão que o vai fazer pensar a vida toda "mas eu fiz o que tinha que fazer". Mas nem sempre é assim... Por vezes temos que fazer coisas que não devemos fazer, no entanto teremos que saber lidar com elas o resto da vida... Ele como não conseguia fazê-lo com a outra hipótese que tinha, refugiou-se nesta até porque acreditava piamente nessa escolha. 

Fez bem? Fez mal? Só alguém muito pouco humilde é que pode ter uma afirmação dogmática sobre a melhor forma de resolver o problema... Eu acabei de ver o filme e não tenho opinião... Tenho apenas pena do gajo que perdeu tudo por causa da decisão que tomou e que ainda por cima dão-nos "pistas" que pode vir a arrepender-se.

No fundo, este filme é bom porque de uma forma bastante violenta consegue-nos colocar numa situação daquelas "para a vida" que nunca tinha visto ser tão bem colocada... Um "Preferes" impossível de resolver da melhor maneira porque nunca vamos saber... A puta da vida não tem 2 sentidos, quando se escolhe um nunca vamos poder saber como seria seguir pelo outro... 


PS: O autor da história é o mesmo do Mystic River... Um filme de excelência, um filme de topo, um filme perturbador até não dar mais... Ou seja, este autor não pode ser uma pessoa feliz...


Golpes Altos: Não ficava a pensar num filme desta forma há algum tempo. Casey Affleck é estrondoso e o Ben é incrível a contar histórias. A tensão do filme é brutal e a escuridão do mesmo também. Grande obra.

Golpes Baixos: Acho que há mini-twists a mais... Mas isto é uma coisa pessoal, haverá quem tenha adorado isso. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Golpes de Génio - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford

Realização: Andrew Dominik
Argumento: Andrew Dominik
Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Sam Rockwell, Paul Schneider, Jeremy Renner, Garret Dillahunt e Sam Shepard


Há algo místico e sobrenatural na figura do velho Oeste. O herói senta-se, pensativo. A sua figura, esguia e funesta, sugere cansaço e morte. A cobra aos seus ombros coloca-o acima do resto do mundo, um semi-Deus - 'he had a condition that was referred to as granulated eyelids, that caused him to blink more than usual - as if he found creation slightly more than he could accept'. Há algo místico em Jesse James. No filme, a sua figura destaca-se das outras, como se caminhasse num plano diferente. Vimo-lo pelos olhos da criança, do seu maior fã, do fraco, do cobarde e, ultimamente, do seu assassino Robert Ford.

O Oeste aqui é árido, abandonado, quase ultrapassado. Jesse é o seu filho, sofre entre depressões e uma incerteza se será este ainda o seu lugar no mundo. Brinca com os seus filhos, faz amor com a sua mulher, mas desligado de uma realidade que não o reconhece. Ninguém sabe quem é Jesse James, só Robert. E, talvez por isso, Jesse deposite em Robert a sua confiança, o seu zelo e a sua morte. Jesse é como o César enfurecido que vê traição em cada esquina e, no momento final, escolhe dar a Brutus a sua vida e, com isso, amaldiçoá-lo para sempre. É o preço a pagar por matar um deus. Robert nunca se torna no homem que sonhou tornar-se. É uma sombra de Jesse e traz no seu semblante o peso da cobardia. É um rato, fraco e subserviente ao lado de um gigante.

Estamos perante uma rara obra de arte. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford transcende o cinema, transcende a literatura. Atravessa vários campos sensoriais com a suavidade e a importância de quem sabe o que é e o que quer dizer. Para mim, é um dos melhores filmes de sempre. Um injustiçado, sem dúvida. Arrisco dizer que não se fez nada nos últimos 20 anos sequer parecido a isto. Talvez por isso tenha passado uma imagem de pretensão para quem não distingue pretensão de perfeição. Eu gosto de literatura. Gosto, porque me dá coisas que o cinema não me consegue dar. Dá-me uma profundidade que é difícil atingir com imagens. Com imagem, tudo se torna mais fácil, mais conquistável. Jesse James conseguiu o impensável.

O filme conta os últimos dias do bando dos irmãos James, ou do que resta deles. Cada personagem contém dentro de si o tamanho de um filme. É maravilhoso ver como os diálogos reflectem pessoas complexas. É difícil conhecer quem passa pelo filme e, talvez por isso, seja longo e tenha a ajuda de um narrador lírico. Em termos técnicos, podia dissecar cada elemento do filme e isto tornava-se num manual de cinema 101 para futuros génios. Mas seria injusto, o filme eleva-se a uma categoria de cânone que "é logo existe". Jesse James, o bandido, descansa em paz. Fez-se justiça na forma de um filme. Não é preciso dizer mais nada.