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domingo, 31 de março de 2013

Guilty Pleasures - Con Air (Fortaleza Voadora)

Realização: Simon West
Argumento: Scott Rosenberg
Elenco: O melhor de sempre a seguir ao Armageddon!

Há filmes bons, filmes muita bons, filmes que não mudo de canal se estiverem a dar, e há o Con Air. Objectivamente, Con Air é um Golpe de Génio. Tem um argumento sólido (dentro do género), um elenco de luxo, grandes personagens, cenas de acção maravilhosamente filmadas e... ah! espera... temos o problemazinho dos diálogos. Ok, objectivamente Con Air não é um Golpe de Génio. Mas é um dos meus filmes de acção preferidos.

Nicky Cage é Cameron Poe - uma arma humana tão mortífera que, mesmo quando dois bandidos tentam violar-lhe a mulher e esfaqueá-lo, acaba por ser enviado para uma prisão de alta segurança sob o argumento de que "Epah Nicky, tu és TÃO forte a dar pancada, que 'tás proibido de o fazer. Por isso, a próxima vez que alguém te tentar comer a mulher e esfaquear, põe-te masé quieto!". Eu percebo, e acho que também deviam proibir o Nicky de usar cabelo comprido. Só porque não está certo alguém ter TANTO estilo!

E assim, o Governo dos Estados Unidos comete o maior erro desde o Vietname, e larga Nicky Cage num avião de alta-segurança, destinado a transportar os maiores, mais rijos, mais feios criminosos do mundo - e o Steve Buscemi - para outra prisão de alta-segurança. E quem é que está lá dentro? John Malkovich, Ving Rhames, Danny Trejo, Dave Chappelle (han?), um gajo chamado "Coisa do Pântano", um travesti espanhol, Steve Buscemi e um pobre desgraçado que ameaça o coelho de peluche do Nicky Cage... BIG MISTAKE!

E, como se o elenco não estivesse já incrível, ainda acrescentamos John Cusack como "toninho adjuvante" e uma gaja muita gira como mulher fiel que ia sendo violada mas depois esperou anos pelo regresso do seu marido. Meu Deus, estou sem fôlego. Que filme!!!

E só para terminar em grande, digo-vos que o senhor responsável pelo argumento do filme, Scott Rosenberg, é um prestigiado argumentista de Hollywood, que transformou em guião o livro High Fidelity do Nick Hornby, escreveu a minha comédia romântica preferida de sempre - Beautiful Girls - e ainda um clássico dos teen-movies dos anos '90 Disturbing Behavior. Por isso, e por todos os motivos evocados em cima, e por mais alguns que agora me escapam, Con Air é um Guilty Pleasure assumidíssimo e domingueiro. E como hoje é domingo de Páscoa, não resisti ao pior trocadilho de sempre: 'put the chocolate bunny back in the box'. Desculpem.


Golpes Altos: Elenco de luxo, cenas de acção, elenco de luxo, cenas de acção...

Golpes Baixos: Nicky... há um certo ponto na vida de um homem, em que o cabelo já não é suficiente para se usar comprido... 'Ah, mas o Santana Lopes também usa!' Eu sei... Mas o Santana Lopes não é exemplo para ninguém... em nada... muito menos em estilo. Danny Trejo, tu... podes usar o cabelo como quiseres... não tenho nada a ver com isso.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

The Paperboy

Realizador: Lee Daniels
Argumento: Lee Daniels e Pete Dexter (baseado no romance Paris Trout)
Elenco: Matthew Mcconaughey, John Cusack, Nicole Kidman e Zac Efron


Sangue, suor e sexo. E lama. E mijo. É um filme pouco convencional, não tenho qualquer dúvida. É um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se" - e este entranha-se de forma visceral, asquerosa. É o bayou tal como o imaginamos: cheio de crocodilos, pântanos onde andam crocodilos e homens que matam e esfolam crocodilos. É uma história de homens que não são muito diferentes dos rastejantes que caçam, e a mulher que os acompanha.

Quando comecei a ver o filme, fiz cara feia. A tonalidade saturou-me, era tudo demasiado estilizado. As personagens todas vestidas ao estilo dos anos '60, mas sujas, suadas e reles. O filme cheira mal, mas é todo cor-de-rosa - 'tou-me a fazer entender? Bem, a questão é que ao princípio não gostei, mas acabei rendido.
A história é sórdida, e ninguém acaba sem cicatrizes - nem eles, nem nós.

As interpretações são, na minha opinião, as melhores do ano (colectivamente falando). Mcconaughey dedicou este último ano a mostrar-nos que é um grande actor, só nunca 'teve para se chatear - aqui, tal como em Killer Joe, está em casa. Cusack é um caçador de crocodilos e de homens, um monstro que encontrou neste filme o papel da sua vida. Kidman está gigante! É ela a revelação deste elenco de underdogs. Basta dizer que há uma cena de 10 minutos em que está sentada em frente a Cusack, de boca aberta e língua para fora, a arfar (literalmente) enquanto Cusack tem um orgasmo só a olhar para ela. Estão desconfortáveis a ler? Imaginem a ver.
Então e também não entrava aquele puto ridículo que fazia o High School Musical? Entra sim senhora, e está impecável. Efron é uma espécie de Nabokov para uma Lolita envelhecida (Kidman), e não é por acaso que o livro lhe aparece na mão a meio do filme.

Resumindo, o filme tem cenas fortíssimas, é muito mais perturbador e violento que qualquer coisa que o Tarantino tenha feito, e tem dividido as opiniões nos festivais por onde passa. Em Cannes foi criticado por muitos, mas recebeu a maior ovação de pé desde o filme Drive (16 minutos de aplausos). Outros disseram que o filme não tinha classe suficiente para lá estar. Confesso que isso ainda me faz gostar mais. The Paperboy é um must-see, mesmo que implique um bom banho a seguir.


Golpes Altos: Elenco improvável extraordinário, bom argumento, grande dose de audácia.

Golpes Baixos: Ultra-estilização. Faz lembrar Bret Easton Ellis versão trailer park trash.

Golpes Curiosos (spoiler): A última frase do filme funciona como uma espécie de redenção pelo lixo todo que o precede: "He became a writer of some renown. And he never did forget his first true love".