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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Previsões Oscars 2014

Os Golpistas fizeram tabelas (sim, em Excel!! com o que ADORAVAM que fosse o vencedor e com o que acham que realmente vai acontecer... Tudo justificado!).

(toca a clicar nas imagens para conseguirem ler)

Que acham da minha qualidade de Alcina Lameiras e da idiotice deles????

B. 



buddy



JPFerreira


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

RPG

Realização: David Rebordão e Tino Navarro
Argumento: Tino Navarro
Elenco: Rutger Hauer e os 10 piores actores do mundo

Tino Navarro virou Takeshi Kitano da Reboleira


Tino Navarro não gosta do cinema português. Esta é a única explicação para a qualidade do seu último filme. RPG é passado num futuro próximo, em que um grupo de idosos milionários volta à juventude para lutar num jogo pseudo-violento do qual apenas um sairá vencedor. O problema de RPG, é que se fica com a sensação que ninguém ganhou nada – nem o espectador, nem a equipa de produção, nem os actores, nem o país.

Tino Navarro, cuja carreira de produtor começou há mais de 20 anos, terá concluído que o cinema não lhe trouxe nada de bom, e decidido vingar-se da indústria e de Portugal. Juntou esforços com o inexperiente David Rebordão e, juntos, assassinaram o cinema nacional. Foi uma morte triste, porque veio numa altura em que nomes como Miguel Gomes e João Salaviza começam a florescer e a mostrar o que de bom se faz em Portugal. E, como se isto não fosse grave o suficiente, Tino Navarro decidiu ainda arrastar pela lama o actor icónico Rutger Hauer e convencer 10 modelos/apresentadores de que até têm talento para o cinema. Não têm. Tal como não teve Tino Navaro, David Rebordão ou qualquer outro criativo na rodagem deste projecto. A pergunta surge incessantemente ao longo da história: “O que farias para ficar jovem?”. Uma coisa é certa, não voltava a ver este filme.


Artigo publicado em Jornal i

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Elysium

Realização: Neill Blomkamp
Argumento: Neill Blomkamp
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Wagner Moura, Alice Braga e Diego Luna


Lembro-me daquele horrível cliché saído do Gladiator - 'What we do in live, echoes in eternity'. A frase, antes de ter sido tomada refém por Ridley Scott no seu épico de Sábado à tarde, pertenceu a Marcus Aurelios (o verdadeiro, não Richard Harris) e aplica-se perfeitamente à carreira do mais recente talento sul-africano Neill Blomkamp. Blomkamp começou a sua carreira como animador 3D em séries e curtas de ficção científica, e teve o seu début como realizador de grandes metragens em 2009 com o aclamado District 9. O filme foi um sucesso, e com razão. A abordagem era brilhante. Blomkamp e a mulher Terri Tatchell resolveram prever um segundo apartheid para a nação arco-íris - desta vez com extra-terrestres em vez de negros ainda que, curiosamente, os maus da fita continuassem a ser os boers (brancos sul-africanos). Para além do argumento, District 9 mostrou o vanguardismo de Blomkamp por detrás da câmera e o talento inquestionável do seu protagonista Sharlto Copley. Com Elysium, fico com a sensação que o bom argumento de District 9 foi mais responsabilidade de Tatchell que de Blomkamp.

Elysium é uma crítica social pouco subtil, com os ricos a terem acesso ao sistema de saúde e os pobres a definharem com doenças terminais. Ok, percebemos a ideia. É legítimo, ninguém gosta de ver ninguém a morrer à porta de um hospital. A única questão é que este tema já foi abordado demasiadas vezes para justificar mais um filme sobre ele. Se já estamos fartos de filmes a criticarem a privatização do sistema de saúde, não me façam falar de filmes de ficção científica. Em cima disto, acrescente-se um argumento fraquinho com diálogos francamente maus e incoerências que, caso o filme fosse melhor, até estaríamos dispostos a ignorar. Outro ponto contra o filme é a direção de actores. O casting é interessante, junta brasileiros talentosos (Wagner Moura), mexicanos menos talentosos (Diego Luna) e uma fufa em hora de despedida (Jodie Foster, finalmente vais-te embora do cinema!). Mas Blomkamp não parece conseguir puxar pelo melhor que há nestes artistas, e o resultado são personagens pouco credíveis com reações pouco espontâneas. Tudo isto, devo dizer, à excepção de Sharlto Copley, que é um dos melhores vilões que tenho visto ultimamente.

O que compensa todas estas falhas, é uma realização espetacular, efeitos magníficos, grandes cenas de acção e o sorriso de Alice Braga. Continuo a gostar de Blomkamp, continuo a achar que é um grande realizador com muito potencial, mas gostava que se rodeasse de uma melhor equipa que o ajudasse a escrever um guião decentemente e a guiar actores de forma a potencializar os seus atributos. E secalhar também já chega de críticas sociais no espaço, que tal uma abordagem mais filosófica? Fica a ideia.


Golpes Altos: Sharlto Copley é um achado. A Realização de Blomkamp, os efeitos e, repito, o sorriso de Alice Braga.

Golpes Baixos: Argumento medíocre e tema esgotado. Péssima direcção de actores.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Golpes Indie - What Maisie Knew

Realização: Scott McGehee e David Siegel
Argumento: Nancy Doyne e Carroll Cartwright (baseado num romance de Henry James)
Elenco: Julianne Moore, Alexander Skarsgard, Steve Coogan, Joanna Vanderham e Onata Aprile


Ter filhos não é para todos. A algumas pessoas, nunca deveria ser permitido procriar. Não quer dizer que sejam más pessoas, com más intenções ou psicopatias latentes. São, normalmente, pessoas egoístas, imaturas, demasiado focadas em si mesmo e nos seus problemas para poderem abdicar da sua existência pela existência de uma criança. Filhos de lares despedaçados raramente dão adultos equilibrados, e esta é uma verdade que falta dizer em voz alta. Se a Igreja Católica nos serviu para alguma coisa - e, admito, não serviu para quase nada - foi para nos dizer que um casamento é eterno, principalmente se envolver uma criança. A "santidade do casamento" não é obra do espírito santo, não existe para glorificar a Igreja - serve para glorificar os seus filhos, que não têm culpa que o mundo seja um lugar frio e difícil.

What Maisie Knew é um livro do escritor realista Henry James. No livro, Maisie é uma criança dividida entre dois pais divorciados, egoístas e irresponsáveis. No livro, James crítica o divórcio, o casamento, as relações, tudo. No livro, Maisie não acaba bem.
No novo filme da dupla Scott McGehee e David Siegel, a história é outra. Os realizadores decidiram manter a perspectiva do filme pelos olhos e pelo entendimento da criança. Essa abordagem está bem feita, a realização é sólida e as coisas que ficam por entender têm uma explicação simples: só sabemos o que Maisie sabe, só sentimos o que Maisie sente.

Paralelamente à história da criança, o filme é uma bonita história de amor contada em plano secundário. Não estamos habituados a isto. Uma boa história de amor é primeira página. Sempre foi. Por isso é refrescante que esta nos seja mostrada pelos olhos da criança, que vê nos seus dois novos pais uma casa que que não conhecia. Quando somos pequenos, e nos vimos apanhados em fogo cruzado entre dois adultos egoístas e irresponsáveis, ficamos com memórias negras e confusas daquilo que foi a nossa infância. Se, como Maisie, tivemos a sorte de ser adotados por duas pessoas puras e boas de coração, as nossas memórias passam a casas de praia, passeios ao pôr do sol, viagens de barco, sorrisos e muito amor. O amor é a coisa mais importante para a memória de uma criança. Nesse ponto, o filme é firme: se não o têm, não tentem ser pais.

O filme conta com um grande leque de actores, um argumento fantástico e uma realização audaz. Todos os elementos parecem funcionar em uníssono e isso traz uma harmonia fresca a um filme que, de outra forma, poderia tornar-se demasiado chato e negro. É uma lufada de ar fresco, quando temas clássicos são abordados por mentes jovens e criativas.


Golpes Altos: Adaptação original e ousada de um romance clássico. Realização sólida e inovadora. Boas interpretações. Joanna Vanderham é uma delícia.

Golpes Baixos: Gostava de ter visto uma melhor banda sonora, e uma melhor publicitação.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

The Lone Ranger

Realização: Gore Verbinski
Argumento: Justin Haythe, Ted Elliott e Terry Rossio
Elenco: Armie Hammer, Johnny Depp, William Fichtner e Tom Wilkinson

Tempos houve em que os grandes ícones do Oeste americano simbolizavam alguma coisa. Tempos houve em que os heróis que pisavam a terra transmitiam valores, lutavam em nome do bem, cavalgavam qual justiceiros alados em busca de justiça! Pronto... excedi-me um pouco. Mas a verdade é que, nos dias que correm, valores como a justiça e a integridade são geralmente postos de lado, em prol de ganâncias, corrupções e outras maleitas monetárias.

Gore Verbinski é um realizador de massas, aparentemente sem grande talento nem grandes aspirações intelectuais. A sua grande obra até ao momento foi o aterrorizante The Ring, que trouxe um novo fôlego ao cinema de horror e deixou a sensação de que talvez Verbinski seja apenas mais um realizador incompreendido, perdido no grande oceano da indústria americana. Depois seguiram-se os blockbusters das aventuras de Jack Sparrow e cedo esquecemos o nome do realizador, associando-o à decadência artística de Johnny Depp e do cinema franchising. Com The Lone Ranger, Gore Verbinski não só limpou o seu cadastro, como fez as pazes com o cinema de aventura. O problema, digo eu, é que o filme corre o risco de ficar incompreendido.

O filme ressuscita a história do Mascarilha e do seu fiel amigo Tonto - ou será Tonto e o seu fiel amigo Mascarilha? Seja como for, a história remonta aos anos '50, entre populares livros de quadradinhos e menos populares tentativas no grande ecrã e conta como, em tempos difíceis, bons homens são obrigados a usar máscaras. É uma grande crítica social à destruição do velho Oeste pela construção de caminhos de ferro e pela incessante fome da industrialização. Associa-se a isto um conjunto de bons valores, materializados na loucura do índio Tonto que, pela mão de Verbinski, larga a pele do personagem subserviente de "fiel companheiro" e se torna uma personagem com vontade própria, com sede de vingança. Na versão de Verbinski, Tonto é mais inteligente e mais capaz que o Mascarilha. No início do filme, é Tonto quem está esquecido, deixado a apodrecer num museu para ser encontrado por uma criança vestida de cowboy. Gosto de acreditar que essa criança é Verbinski, são os seus três guionistas e somos todos nós. Os nossos heróis não nos deixaram, mas nós virámos-lhes as costas, deixando-os para serem tratados como peças de museu.

The Lone Ranger é uma oportunidade para nos lembrarmos de como era ter exemplos de justiça, de como se podem fazer bons filmes de aventura, repletos de referências que vão de John Ford a Buster Keaton, fazendo-nos rir e apertar as mãos de emoção com os benefícios das grandes produções e dos efeitos CGI. O novo Mascarilha não é um filme perfeito, não me deixem enganar-vos. É demasiado longo, tem partes um pouco chatas e Armie Hammer não foi a melhor escolha possível. No entanto, é um filme bem intencionado, cheio de bons valores, que nos faz pensar no rumo que as coisas levaram. A sociedade evoluiu no sentido errado, não há dúvida. Nas palavras do índio Tonto - 'Nature is out of balance, Kemosabe'.


Golpes Altos: Um filme feito com o coração, de um amante do cinema de aventura. Bem escrito e bem interpretado, é uma aposta segura para uma ida ao cinema.

Golpes Baixos: A duração, algumas cenas demasiado longas e um Armie Hammer fraquinho.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

The Bling Ring

Realização: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson e Leslie Mann


A desilusão era garantida. Sofia Coppola habituou-nos a obras profundas e introspectivas sobre pessoas solitárias e interessantes. As suas “Virgens Suicidas” foram uma ode às dores de crescimento, o seu “O Amor É Um Lugar Estranho” trouxe uma inesperada doçura à paixão platónica. Com “Bling Ring – O Gangue de Hollywood”, Coppola virou definitivamente a página e, inevitavelmente, piorou o livro.

A história é verídica, e isto são as más notícias. Em 2009, um grupo de miúdos ricos e obcecados com celebridades invadiram as casas de alguns dos seus ídolos – entre os quais Paris Hilton e Lindsay Lohan – e furtaram objectos de luxo no valor de mais de 4 milhões de dólares. A história foi explorada pela revista “Vanity Fair” e deixou em Coppola a vontade de juntar a sua mestria técnica a uma crítica à cultura de massas. A crítica está bem feita, o filme vale pelo talento técnico de Coppola, pela banda sonora ousada e pela cinematografia do génio Harris Savides, que, infelizmente, faleceu poucos meses após a rodagem do filme.

O tema é válido: as nossas crianças são vítimas da espiritualidade new age, da cultura de massas e da excessiva complacência de pais pouco atentos. “Spring Breakers” tentou uma abordagem a este fenómeno e falhou. Coppola, ainda que subaproveitada, respeitou o compromisso assumido.


Artigo publicado em Jornal i - 08/08/2013

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Conversas de Café - "Para mim a melhor série de sempre é..."

Existem vantagens. Uma série acompanha-nos durante anos da nossa vida. Conhecemos os personagens a fundo, mergulhamos na sua rotina, nos seus problemas. Ligamo-nos a um personagem, deixamo-lo entrar na nossa vida e dificilmente o esqueceremos. Quando damos por nós, estamos a recordar momentos passados com "isso foi na altura em que saiu aquele episódio de Sopranos na neve" ou "voltámos a namorar mais ou menos na mesma altura em que se descobriu o que era a ilha".

Existem séries e séries. Tomo a liberdade de ignorar por completo aquelas de "um caso por episódio", e concentrar-me naquelas que glorificam o nome do cinema. Aqui vai uma lista (não liguem à ordem), mas tomem a liberdade de acrescentar.


1 - The Sopranos. Parece-me difícil tirá-la do pódio, mas há malucos para tudo.

2 - Deadwood. Ou, como ficou conhecida, The Sopranos of the Wild West. É uma série curta, mas boa. Podia ter durado mais tempo, merecia mais.

3 - Mad Men. A Grande Depressão nunca teve tanta classe. Diz-se que a magia se perdeu quando o passado de Don Draper deixou de ser um mistério.

4 - Friends. Discutivelmente a melhor sitcom de sempre. Raios te partam, Seinfeld.

5 - Seinfeld. A série mais lucrativa de sempre, e também a mais amada.

6 - The X Files. A grande série de ficção científica! Espera... e o Star Trek? E o Espaço 1999? Pronto, ok, este não.

7 - The Shield. Policias corruptos, mesmo muito corruptos. Limpou a má imagem das séries policiais para sempre. espera... e The Wire?

8 - The Wire. Discutivelmente a segunda melhor série de sempre?

9 - Boardwalk Empire. Martin Scorcese juntou-se à equipa por detrás dos Sopranos. Não tinha como correr mal.

10 - Breaking Bad. A coisa está pelo fim e, se não desiludir, caminha a passo largo para o pódio.

11 - Beverly Hills 90210. Calma... estou a brincar. Mas acho que o The OC tem lugar aqui.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

The Iceman

Realização: Ariel Vromen
Argumento: Morgan Land e Ariel Vromen
Elenco: Michael Shannon, Winona Ryder, Ray Liotta e Chris Evans


O que aconteceu aqui não foi bonito. Richard Kuklinski matou mais de 100 pessoas (ou 200, sendo que existe uma discrepância entre os valores das legendas americanas e portuguesas) a sangue-frio. Matou-as porque alguém lhe pagou para o fazer, mas também porque era um sádico traumatizado psicopata. Mas isto não choca assim tanto. O mundo está cheio de malucos. O que choca, é fazer-se um filme tão vazio, tão medíocre e tão inconsequente como este The Iceman.

Não sendo um filme horrível, The Iceman consegue agarrar numa história perfeitamente válida, e construir uma trama foleira que assenta sobre um único princípio sobre o qual todo o universo e todas as personagens do filme se regem: Richard Kuklinski era um assassino, mas também era um homem de família. Ok. Então mas não querem explorar melhor a complexa natureza do psicopata? Não querem mostrar pormenores dos negócios em que esteve envolvido? Não querem tornar uma biografia aborrecida num filme minimamente artístico? Não. Ariel Vromen não quis nada disso.

O que Ariel Vromen - realizador imberbe de origens judaicas e talento reduzido - quis fazer com este filme, foi tentar misturar o seu entendimento de um filme Scorceseano com uma biografia do canal história. O resultado foi uma produção medíocre que, com a ajuda de um elenco semi-válido, conseguiu projecção suficiente para pagar os custos de produção. É uma pena. Um realizador mais ousado e mais talentoso teria transformado esta história em algo mais. Teria explorado planos de autor, cenas fantásticas em que conseguiríamos espreitar para dentro da alma do assassino. Em vez disso, temos meia dúzia de mortes descontextualizadas - uma delas a do personagem de James Franco que, honestamente, a única coisa que faz bem é cair para o lado morto -, uma visita ao irmão na prisão, uma recordação de umas chicotadas do pai e um ataque de fúria junta da mulher e das filhas.

Pelo meio, temos uma personagem interessante - Mr. Freezy, interpretado por Chris Evans. De facto, Mr. Freezy é tão mais interessante que The Iceman, que me fez pensar porque raio é que não escolheram um em vez do outro. Gostaria de ter visto mais do personagem de Evans, tal como gostaria de ter visto Ray Liotta a fazer qualquer outro personagem que não um mafioso desautorizado pelo seu chefe - Ray, já chega. Enfim, The Iceman é um filme datado por um realizador sem visão e sem identidade. Um conselho para Ariel Vromen: vai fazer documentários!


Golpes Altos: Interpretação de Michael Shannon, Chris Evans, Winona Ryder e as duas miúdas. Cena da discoteca é uma pérola face ao ambiente semi-gélido do filme.

Golpes Baixos: Um filme sem talento, escrito por um guionista sem talento que, veja-se bem, também é um realizador sem talento. Mediocridade na sua forma mais pura. David Schwimer a tentar ser um mafioso é como ver o Ross dos Friends a tentar não ser o Ross dos Friends.

sábado, 3 de agosto de 2013

Golpes Indie - Drinking Buddies

Realização: Joe Swanberg
Argumento: Joe Swanberg
Elenco: Olivia Wilde, Jake Johnson, Anna Kendrick e Ron Livingston


Há certos filmes com os quais nos identificamos. Quer nos identifiquemos com um personagem, com uma situação, com uma profissão ou com uma frase - gostamos imediatamente dele. Neste novo género de comédia de relações indie, não é raro isto acontecer. Mas algumas, deixam-nos no fim uma sensação de não querer sair do filme. Sentimos que aquela podia ser a nossa vida, aquelas podiam ser as cores da nossa roupa, aquela podia ser a banda sonora do nosso dia. Drinking Buddies é um desses filmes.

Esta comédia de relações esconde um drama sentido e verdadeiro acerca de almas gémeas, de laços fortes e de escolhas erradas. É a história de dois melhores amigos que podiam ser casados mas, em vez disso, escolhem outras pessoas com quem partilhar a vida. Ao longo do filme ocorrem trocas, dúvidas e conflitos, mas a relação dos dois personagens principais mantém-se inalterada. A tensão sexual está construída de uma forma tão realista que nos puxa para dentro da história e nos faz não querer sair.

Luke (Jake Johnson) e Kate (Olivia Wilde) partilham tudo na vida. O interesse por cerveja, o sentido de humor derivado da cerveja, a postura relaxada, a má alimentação, o enorme carinho que têm um pelo outro. No entanto, escolhem duas pessoas totalmente diferentes de si, cada um pelas suas razões. Podemos passar o filme todo a questionar-mo-nos sobre o porquê de não ficarem juntos mas, no final do dia, a resposta é simples: é a vida.

Na vida nem tudo é como devia ser. Na vida cometemos erros, falhamos momentos, não vimos o que está à nossa frente, deixamos ressentimentos toldar-nos o coração. Na vida, temos que aceitar as coisas como são e, ultimamente, agarrar-nos às boas relações que nos fazem sentir um bocadinho mais quentes nos dias de inverno, e um bocadinho mais frescos num dia de verão.


Golpes Altos: Jake Johnson está rapidamente a tornar-se um dos meus actores preferidos e Olivia Wilde está rapidamente a tornar-se a GAJA MAIS BOA E LINDA DE SEMPRE - aparece nua neste filme.

Golpes Baixos: O filme merecia mais uma meia hora de conclusão. Não queria parar de ver as vidas dos personagens.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Phantom

Realização: Todd Robinson
Argumento: Todd Robinson
Elenco: Ed Harris, David Duchovny e William Fichtner


Lembram-se de uma altura em que ainda se faziam bons filmes de submarinos? Lembram-se de uma altura em que ainda se tentavam fazer filmes com David Duchovny? Lembram-se quando a Guerra Fria ainda era um tema fresco e interessante? Eu também não.

Mas a década de ‘90 viu filmes como The Hunt for the Red October ou Crimson Tide lutar por um lugar na História. Ao mesmo tempo, David Duchovny tentava arduamente sair da pele de Fox Mulder e entrar em Hollywood. Felizmente, nenhuma das investidas foi bem sucedida. Anos passaram, e o mundo do cinema parecia salvo. Mas eis que chega o novo filme de Todd Robinson, Phantom.

O filme conta a história de um capitão (Harris) e do seu submarino. Ambos traumatizados, ambos velhos, ambos chatos. O argumento é "inspirado em factos verídicos", e isso vai-se tornando progressivamente menos credível até, no fim, aparecerem fantasmas de marinheiros.

Tudo no filme é antiquado e mal feito. Maus diálogos juntam-se a maus actores (Duchovny), que por sua vez são decorados com uma cinematografia inexistente, uma realização capaz de aborrecer uma parede e uma banda sonora que parece uma versão pan pipes do "Paint it Black" dos Rolling Stones.

No fundo, Phantom é uma viagem a um passado recente – mas um que todos preferimos esquecer.




Artigo publicado em Jornal i - 01/08/2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Golpes de Génio - Syriana

Realização: Stephen Gaghan
Argumento: Stephen Gaghan
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Jeffrey Wright, Amanda Peet, Chris Cooper, Mark Strong, Tim Blake Nelson, Christopher Plummer e William Hurt



Petróleo. O petróleo, hoje, é causa de ganância, corrupção, guerras, mortes. Mas isto não é novo. Antes era por sal, escravos, prata, cobre, ouro. Amanhã será por gás natural, cana de açucar, água. A única coisa que estas commodities têm em comum é simples: todas custam dinheiro. E quem está em cima quer dinheiro. Quem está em baixo, facilita a vida a quem está em cima por patriotismo, sentido de dever ou "idiotismo útil". E assim se vai mexendo o mundo. Motivado por interesses, cobiça, esquemas. Assim se tiram vidas, assim se comprometem nações. Os chineses com o seu dinheiro, os árabes com o seu petróleo, os muçulmanos com a sua fé, os americanos com o seu poder, os europeus em tentativas desesperadas de voltarem às glórias do passado. E, se analisarmos ao pormenor, todos desempenhamos o nosso pequeno papel na grande máquina humana. Dos políticos, aos empresários, aos jornalistas, aos advogados, médicos, farmacêuticos. Se investigarmos bem, descobrimos que o nosso canalizador tem responsabilidades na merda de mundo em que vivemos.

Syriana é um grande filme. É um filme que trata tudo, sem definir nada. É um filme que veste a pele da realidade que reflecte. Torna-se, por isso, um pouco confuso. Por não tentar transmitir uma mensagem, não tentar apontar uma culpa ou deixar uma conclusão mas, ao invés, mostrar apenas a complexa realidade do mundo em que vivemos, passando pelo papel de todas as nações, de todos os agentes económicos. No fundo, as situações descritas em Syriana são situações que, imagino, ocorrem todos os dias. Todos os dias morrem "idiotas úteis" como Bob (George Clooney). Todos os dias um advogado calculista (Jeffrey Wright) salva um oligopólio. Todos os dias se fazem fusões empresariais sob pretexto de serem consummer friendly, quando na realidade servem interesses maiores que qualquer lei de mercado. Todos os dias existem lutas de poder, casos de espionagem, vendas de armas por amigos ou amigos de inimigos. Todos os dias morre gente em nome do dinheiro, poder, religião, ressentimento. Cada dia que passa, o mundo torna-se um bocadinho menos bonito, em nome da sobrevivência dos mais fortes.

O filme envolve tantos personagens, tantas situações, tantos pormenores negociais e políticos que torna-se difícil acompanhá-los a todos em pormenor. Sugiro atenção, porque o filme merece-a. Ou talvez não seja suposto compreendermos tudo, mas irmos digerindo o que conseguimos. Porque é assim com as próprias personagens, nenhuma delas conseguindo ver "o filme todo", mas apenas a realidade que lhes está mais próxima. O objectivo, creio, é sermos apenas um espectador, não de um filme, mas de uma realidade que é demasiado variada e complexa para se compreender a fundo. O filme está cheio de grandes actores, grandes diálogos e grandes cenas. Mas um discurso, de um lobbyista interpretado por Tim Blake Nelson, parece-me uma boa forma de concluir este texto:

'Corruption charges. Corruption? Corruption ain’t nothing more than government intrusion into market efficiencies in the form of regulation. That’s Milton Friedman. He got a goddamn Nobel prize. We have laws against it precisely so we can get away with it. Corruption is our protection. Corruption is what keeps us safe and warm. Corruption is why you and I are prancing around here instead of fighting each other for scraps of meat out in the streets. Corruption... is how we win.'

Ouviram bem? 'Corruption... is how we win'.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Only God Forgives



Realização: Nicolas Winding Refn
Argumento: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas e Vithaya Pansringarm


 Na mitologia grega, a deusa Gaia casa com seu filho Urano e dá à luz os Titãs. Um desses Titãs, Cronos, ameaça a soberania do pai que, desesperado, tenta aprisioná-lo de volta no útero da mãe. Mais tarde, é Cronos que se vira contra o pai, a pedido da mãe, e o castra, lançando os seus testículos ao mar.

A mitologia está cheia de histórias bizarras, ultraviolentas. Pais que casam com as filhas, irmãos que dormem juntos, heróis castrados, impotentes, desesperados. Odisseias familiares sangrentas e perturbadoras. O novo filme de Nicolas Winding Refn, Only God Forgives, é um mito moderno de luz néon, no qual guerreiros fazem frente a dragões, semi-deuses, numa tentativa desesperada de regressar ao útero da mãe, depois de terem assassinado o próprio pai.

A estes contornos mitológicos, Winding Refn acrescenta uma ambiance noir que guia o espectador por entre o escuro e penetrante mundo de Bangkok after dark. Bangkok é um sítio perverso, um recanto do mundo onde tudo é possível, onde a cena das drogas, das lutas ilegais e da prostituição de menores se une numa só para satisfazer os caprichos de exílados ocidentais cujos hábitos de vida se tornaram demasiado negros para o mundo civilizado.

Assim é Julian (Gosling), um ex-veterano de guerra que gere um clube de Muay Thai como fachada para um negócio de droga. Ao seu lado, outro guerreiro, o irmão Billy. Ambos violentos, ambos perdidos, de almas titnuradas para além da salvação. Mas enquanto Billy deixa a sua violência e negritude correrem livres - 'I wanna fuck a 14 year old girl' - Julian mantem a sua raiva enclausurada, vítima de uma constante humilhação por parte da mãe (Scott Thomas) - 'Billy always had the biggest cock. Julian's was never small, but Billy's...'. Quando Billy é assassinado, Julian é coagido pela demoníaca matriarca para procurar e matar o seu assassino.

O filme segue uma tradição milenar de contos de vingança. Se fosse só isso, teria pouco para me cativar. A verdade é que Only God Forgives tem tanto de vingança como de perdão e impotência. O personagem de Julian começa uma interacção estranha com uma prostituta, com quem nunca tem relações sexuais. Os contactos apogeam quando Julian vê a prostituta masturbar-se à sua frente, esticando o pulso cerrado num gesto desesperado de pertencer a alguém.

O herói, aqui, é o vilão. O assassino do irmão, Chang, é um polícia que caminha pelas ruas em silêncio de espada às costas. É um semi-deus, um dragão - 'Time to meet the Devil' - e o guerreiro, por mais bem aventurado, não consegue derrotar o dragão. Chang simboliza a justiça, a placidez, o equilibrio, contra a tormenta interior de um ex-veterano que caminha por este mundo meio-adormecido, desligado, cujas mãos abertas em constantes planos pedem um perdão que só Deus pode dar.

Only God Forgives é uma obra de arte, e voltou a mostrar-me a beleza de um cinema de autor que nos transmite mensagens subliminares, cuja interpretação é necessária para que o ambiente e a história se unam num só. Palavras para quê? Os personagens quase não falam, as imagens contam a história. Only God Forgives fala das almas perdidas que deambulam pelo submundo à espera que uma espada os derrote, ou os perdoe.


Golpes Altos: Absolutamente tudo. Desde Gosling, passando por Scott Thomas até Pansringarm, as interpretações são fabulosas. A cinematografia, a fotografia, o argumento e realização são um só - de autor. A banda sonora de Cliff Martinez já tinha mostrado os seus frutos em Drive, aqui está ainda melhor.

Golpes Baixos: Críticos que deviam ser canalizadores ou jardineiros. A revista Sábado contribuiu hoje para a decadência da imprensa cultural nacional, quando deixou um senhor chamado Pedro Marta Santos dar 0% a este filme, sob o argumento de que é "pornográfico", comparando-o à Lista de Schindler de Spielberg que, segundo este senhor, também tem cenas "pornográficas". Pornográfica é a imbecilidade de certos críticos que deviam estar a escrever sobre programas de televisão e lhes é dada permissão para críticar arte.

 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

At Any Price

Realização: Ramin Bahrani
Argumento: Ramin Bahrani
Elenco: Dennis Quaid, Zac Effron, Kim Dickens e Heather Graham


Já não há finais felizes, não nos dias que correm. Vivemos tempos amorais. Sofremos crises de identidade nacional, perda de valores familiares. Pelo menos, é esta a opinião de Ramin Bahrani, um novo talento multi-étnico residente em Hollywood.

Bahrani tem apostado numa carreira independente, alternativa, fora do circuito de Hollywood e com temas profundos, bem explorados mas desligados do interesse das massas. Os seus filmes anteriores envolviam um taxista do Senegal, um orfão sul-americano e um vendedor paquistanês. Escusado será dizer que Bahrani foi alvo de pouca atenção. Neste novo filme, o realizador de origem iraniana foca-se na iconografia clássica americana, mas com uma abordagem muito especial.

À vista desarmada, At Any Price parece um filme típico americano, com arquétipos fáceis e esgotados e um final previsível. Desenganem-se, este filme vai surpreender-vos de mil maneiras diferentes. Aqui, nada corre como nos filmes. A fotografia é brilhantemente executada mas com um toque realista que nos relembra de como eram feitos os filmes antes da era digital. Os arquétipos clássicos - o corredor de NASCAR, o agricultor americano, o self-made man patriarca, a cheerleader envelhecida e a teenager abandonada - são-nos apresentados aqui sem o esperado floreado. São pessoas imperfeitas, fracas, perdidas e destrutivas.

O filme começa por nos apresentar o sonho americano, faz-nos crer na sua concretização, e depois destrói tudo. Tudo. At Any Price é um filme complexo, pensado, que demonstra um enorme conhecimento do comportamento humano e uma perturbadora consciência da época difícil em que vivemos. Os sonhos aqui não se realizam, destroiem-se. Curiosamente, as personagens não aprendem com eles. Penso que Bahrani deixa a aprendizagem para o espectador, caso este entenda verdadeiramente os contornos de um filme como este. Recebi o filme como recebo grandes romances literários. Bahrani é um Steinbeck moderno mas a ira das suas vinhas passa para os campos de trigo.

A simplicidade dos cenários e da forma como Bahrani filma contrasta com a complexidade dos seus temas. A forma como explora os comportamentos dos personagens, as paixões destruídas, os casamentos falhados, as relações podres entre filhos e pais, entre o homem e a terra, entre a terra e o dinheiro, entre o dinheiro e a pátria - isto é uma obra rara e de uma coragem e confiança admiráveis. Bahrani agarra em ícones americanos manchados como Quaid e Efron e dá-lhes os papéis das suas vidas. Não consigo frizar isto o suficiente: Dennis Quaid tem aqui o papel da sua vida. E que papel! Nunca o pensei capaz de um feito destes.

O filme não é fácil, e quem o entender vai ficar mal disposto. Digo "quem o entender" não por ter uma narrativa complexa e cheia de twists, mas porque é uma obra inteligente e que facilmente passará por alguns olhos como "um filme clássico com alguma coisa estranha" (atenção, li isto numa crítica). Ora, a "coisa estranha" é a profundidade e a coragem de destruir tudo aquilo que o cinema tem vindo a ensinar-nos. Aqui, quem mata não é herói, não vence. Aqui, as pazes não resolvem tudo. As paixões perdidas não reacendem. As relações não se reconstroem. Aqui, a vida é como ela é, e nós temos que lidar com isso.


Golpes Altos: Um argumento brilhante, uma cinematografia nostálgica, uma realização clássica e interpretações espectaculares.

Golpes Baixos: Um cartaz, um título e um trailer que quase me impediram de ver uma das melhores obras de 2013.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Pacific Rim

Realização: Guillermo del Toro
Argumento: Travis Beacham e Guillermo del Toro
Elenco: Charlie Hunnam, Idris Elba, Charlie Day, Ron Perlman e Rinko Kikuchi


Não há nada de pequeno no novo projecto de Guillermo del Toro. Nada de modesto, simples ou minimalista. Tudo é desproporcionado, caótico, gigante. À partida, isso não costuma funcionar como chamariz - pelo menos para mim. Se vejo um trailer em que robôs gigantes combatem monstros vindos das profundezas do oceano pacífico, a primeira reacção é torcer o nariz. Há uns anos atrás não seria assim. Quando era mais novo gostava tanto mais de um filme quanto maiores fossem os seus protagonistas e as suas explosões. Inevitavelmente, com a idade, os gostos começaram a mudar e parece-me que a qualidade dos filmes em questão também. A saga Star Wars transformou-se numa banhada cujo único ponto a favor é vermos a Natalie em fato de licra branco, e o remake do Godzilla fez-nos acreditar que secalhar já não tinhamos idade para estas merdas. Mas eis que chega Pacific Rim.

Del Toro quis dar-nos um épico blockbuster, com tudo aquilo a que temos direito - e mais. O formato híper-CGI, a banda sonora eléctrico-monstruosa, as porradas juro-por-Deus-mais-fixes-do-mundo fizeram-me sentir uma criança de 10 anos, colado ao sofá, de olhos arregalados para a fantástica brutalidade do cinema. Mas, e como se isto não fosse já suficiente, Pacific Rim esconde uma homenagem de um cineasta digital ao cinema analógico. É que a acção do filme esconde uma profundidade humana cuja mensagem principal é precisamente "o digital é sobrevalorizado, vamos voltar ao humano". Enquanto todos os Jaegers (robôs gigantes pilotados por dois humanos) digitais deixam de funcionar, a fé da humanidade resta no único Jaeger analógico e nos únicos pilotos com falhas humanas. E esta é uma homenagem, ainda falta o resto. Podem encontrar-se homenagens ao Metropolis de Fritz Lang, ao Evangelion dos anime-geeks, ao Frankenstein de Shelley, à Alice de Carroll, a Philip K. Dick. Meu Deus! E tudo feito com tão bom gosto, que se torna impossível não adorar.

E depois, temos a história. O ponto alto de Pacific Rim não são os efeitos espectaculares, a acção sempre surpreendente e inovadora, as referências geek-literárias ou os actores escolhidos a dedo (Charlie Day é um comic-relief fabuloso e Idris Elba é um dos homens com mais presença do cinema moderno). Não, o ponto alto de Pacific Rim é aquilo em que nos faz pensar nos intervalos da porrada. Pacific Rim, o paraíso CGI, é sobre relações humanas. Para guiar um Jaeger, são necessárias duas pessoas compatíveis em termos de memórias, de sentimentos, de intelecto, de combate e de alma. Em vez de cada uma das pessoas comandar uma parte do robô, ambos controlam o robô inteiro em sintonia. Para isso, é necessário um handshake que não é mais que um elo perfeito entre dois humanos. E, quando se perdem numa memória, diz-se que estão a "perseguir o coelho" - uma fantástica referência ao mundo de Lewis Carroll. Tudo neste filme sugere cooperação, coabitação. As nações metem os seus problemas de lado para combater a invasão, inimigos tornam-se amigos, dois cientistas percebem que não contam só os números nem só a biologia - têm que trabalhar em conjunto. A relação entre os dois protagonistas não é tanto amorosa mas mais afectiva, de compreensão e carinho. Tudo neste filme é sobre o ser-humano, por mais robôs e monstros que tenha. Quanto a mim, Del Toro está de parabéns. Se era um épico que queria, foi um épico que teve.


Golpes Altos: A inovação, a tecnologia, as homenagens, a história, os personagens, os conflitos, as porradas, as relações, os monstros, os robôs - a imaginação!

Golpes Baixos: A chinesa podia ser melhor actriz e Charlie Hunnam volta a mostrar o quão difícil é para um inglês fazer sotaque americano sem parecer um anormal.

 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dans La Maison

Realização: François Ozon
Argumento: Juan Mayorga (peça) e François Ozon
Elenco: Fabrice Luchini, Ernst Umhauer e Kristin Scott Thomas

O espectador é um voyeur, mas isso não é novo. Já havia sido explorado por Hitchcock na sua Rear Window. A peça de cinema pode ser utilizada como uma experiência, na qual o próprio cenário é palco de si mesmo - mas isto também não é novo, já tinha sido explorado por Kaufman em Synecdoche, New York. Então afinal, qual é o contributo do novo filme de François Ozon? É que o voyeur aqui não é só o personagem, somos nós, e o próprio cenário, a maison, serve como uma metáfora de si mesmo. Confuso? Calma.

Em Dans La Maison, assistimos a uma estranha interacção entre professor e aluno. A coisa começa bem, não há dúvida, mas acaba por desiludir. O aluno começa por jogar um estranho jogo com o professor, no qual lhe vai entregando capítulos de um romance que envolve a família de um outro colega. O aluno começa a envolver-se na família desse colega, entra dentro da vida dessa família. Existe tensão sexual. Mas entre quem? O pai? O filho? A mãe? Todos? O cenário está montado para um thriller psicológico que promete não chocar, não assustar, mas fazer pensar. Não estamos preparado para ver sangue, assassinatos ou violações mas, por algum motivo, não conseguimos descolar os olhos do ecrã. A dada altura, não fazemos ideia se será o professor a ensinar o aluno - enquanto lhe vai oferecendo Salinger, Orwell, Nabokov e outros voyeurs da literatura - se é o aluno que ensina o professor com a sua própria história ou, finalmente, se o ensinamento é mútuo, e a cumplicidade dos dois funciona para o bem da obra de arte.

Confesso que o filme me deixou colado ao ecrã. Adorei tudo: os personagens, a história, as referências, os diálogos, os actores. O filme tinha sentido de humor, tinha suspense, tinha profundidade, tinha parábolas e muito mais do que parecia á primeira vista. Mas, depois, falhou. Falhou porque Ozon deixou-se envolver pela sua própria criação, perdeu-se no labirinto que criou e o bom gosto e refinamento da primeira parte do filme ficaram para trás. No final, ficam apenas os jogos e a sua conclusão - e o filme prometia mais. O filme não começa como um simples thriller mas, infelizmente, acaba como um. No entanto, vale a pena ser visto. Não deixa por isso de ser um bom filme, mas acaba por não ser um grande. É pena porque, por instantes, achei que estava a assistir a um reinventar do cinema. Adoro que a arte brinque consigo própria, nos envolva no enredo como uma espécie de espectador participante. Faz-me lembrar os livros de capa verde em que jogávamos os dados para decidir onde ia parar a história - 'Derrotou o monstro verde? Salte para a página 32'. Mas a verdade é que um filme não pode ser só isso, tem que ter mais nata. E a nata de Dans la Maison ficou pelo caminho.


Golpes Altos: Grande primeira parte de filme. Argumento original (não no sentido literal, sendo que foi adaptado de uma peça, mas vocês percebem...) e bem explorado. Boas interpretações. Sentido de húmor muito bem vindo neste formato.

Golpes Baixos: A conclusão, a segunda metade do filme, a fina linha entre o thriller de autor e... o thriller?

 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Golpes de Génio - The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford

Realização: Andrew Dominik
Argumento: Andrew Dominik
Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Sam Rockwell, Paul Schneider, Jeremy Renner, Garret Dillahunt e Sam Shepard


Há algo místico e sobrenatural na figura do velho Oeste. O herói senta-se, pensativo. A sua figura, esguia e funesta, sugere cansaço e morte. A cobra aos seus ombros coloca-o acima do resto do mundo, um semi-Deus - 'he had a condition that was referred to as granulated eyelids, that caused him to blink more than usual - as if he found creation slightly more than he could accept'. Há algo místico em Jesse James. No filme, a sua figura destaca-se das outras, como se caminhasse num plano diferente. Vimo-lo pelos olhos da criança, do seu maior fã, do fraco, do cobarde e, ultimamente, do seu assassino Robert Ford.

O Oeste aqui é árido, abandonado, quase ultrapassado. Jesse é o seu filho, sofre entre depressões e uma incerteza se será este ainda o seu lugar no mundo. Brinca com os seus filhos, faz amor com a sua mulher, mas desligado de uma realidade que não o reconhece. Ninguém sabe quem é Jesse James, só Robert. E, talvez por isso, Jesse deposite em Robert a sua confiança, o seu zelo e a sua morte. Jesse é como o César enfurecido que vê traição em cada esquina e, no momento final, escolhe dar a Brutus a sua vida e, com isso, amaldiçoá-lo para sempre. É o preço a pagar por matar um deus. Robert nunca se torna no homem que sonhou tornar-se. É uma sombra de Jesse e traz no seu semblante o peso da cobardia. É um rato, fraco e subserviente ao lado de um gigante.

Estamos perante uma rara obra de arte. The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford transcende o cinema, transcende a literatura. Atravessa vários campos sensoriais com a suavidade e a importância de quem sabe o que é e o que quer dizer. Para mim, é um dos melhores filmes de sempre. Um injustiçado, sem dúvida. Arrisco dizer que não se fez nada nos últimos 20 anos sequer parecido a isto. Talvez por isso tenha passado uma imagem de pretensão para quem não distingue pretensão de perfeição. Eu gosto de literatura. Gosto, porque me dá coisas que o cinema não me consegue dar. Dá-me uma profundidade que é difícil atingir com imagens. Com imagem, tudo se torna mais fácil, mais conquistável. Jesse James conseguiu o impensável.

O filme conta os últimos dias do bando dos irmãos James, ou do que resta deles. Cada personagem contém dentro de si o tamanho de um filme. É maravilhoso ver como os diálogos reflectem pessoas complexas. É difícil conhecer quem passa pelo filme e, talvez por isso, seja longo e tenha a ajuda de um narrador lírico. Em termos técnicos, podia dissecar cada elemento do filme e isto tornava-se num manual de cinema 101 para futuros génios. Mas seria injusto, o filme eleva-se a uma categoria de cânone que "é logo existe". Jesse James, o bandido, descansa em paz. Fez-se justiça na forma de um filme. Não é preciso dizer mais nada.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Passion

Realização: Brian De Palma
Argumento: Brian De Palma
Elenco: Rachel McAdams e Noomi Rapace


Por vezes, é difícil distinguir méritos na concepção de um filme. Onde acaba o trabalho de um realizador e começa o de um cinematógrafo? Será que os actores são mesmo bons ou é a direcção que os safa? O argumento é espectacular ou parece melhor pela forma como o realizador o conduz? Bem, como resposta a todas estas perguntas, chega-nos o mais recente filme de Brian De Palma. O realizador responsável por Scarface e The Untouchables andava afastado do grande ecrã há mais de cinco anos - agora percebe-se porquê.

Vou ser breve, porque este filme não merece grande análise. O que De Palma fez aqui, foi agarrar em duas actrizes de alto gabarito, uma boa história, uma excelente banda sonora, e fazer um cagalhão de filme que se torna quase insuportável de ver até ao fim. Foi horrível. Houve alturas em que pensei que não ia aguentar mais, que teria de me desculpar neste post pela impossibilidade de criticar uma obra cujo final era para mim desconhecido. Mas consegui. Superei todos os obstáculos colocados por De Palma até para o mais bem aventurado espectador.

A história anda à volta de várias obsessões sexuais entre colegas de trabalho. Chefes que querem comer secretárias que querem comer executivas que querem comer um gajo que anda lá p'ró meio sabe Deus a fazer o quê. A única coisa que parece não acontecer naquele escritório, é trabalho. Os protagonistas estão única e exclusivamente preocupados em serem vendados e colocarem máscaras e beberem champagne. Estou interessado, para onde é que mando currículo? Bom, provavelmente para lado nenhum. O conhecimento que De Palma tem do mundo empresarial é semelhante ao conhecimento que tem da mente humana, das relações ou de como se faz um filme - zero!

E, quando achamos que o filme não pode estar mais mal feito, as actrizes não podem estar pior e a sincronização dos planos com a música sabe a amadorismo de um estudante de cinema da Reboleira, eis que o filme desata numa sucessão de twists e plot points absolutamente ridículos que, vejam bem, até mete uma gémea má no fim. De Palma, não me faças perder mais o meu tempo - principalmente se vais fazer um filme "sexy" com lesbianismo em que não se vê absolutamente NADA! Só por causa disso, vou voltar a ver o Black Swan, para não me esquecer de como se faz um bom filme e uma boa cena de lésbicas.


Golpes Altos: A música de Debussy - Prélude à l'Après-midi d'un faune. E uma cena ou outra em que Rachel McAdams sobrevive á péssima realização de De Palma e nós reparamos que ela é boa actriz.

Golpes Baixos: A realização, a realização, a realização.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Conversas de Café - "Há realizadores que não sabem envelhecer..."

Já foi aqui discutido o mau envelhecimento de certos actores de Hollywood. Os últimos filmes de monstros como Al Pacino, Robert DeNiro, Johnny Depp e até o falecido Marlon Brando foram flops que ameaçaram terminar carreiras gloriosas da pior forma possível. Mas os actores não são os únicos a padecer desta virose.

Ao analisarmos a carreira de realizadores como Danny Boyle, Guy Ritchie, Brian De Palma, Oliver Stone, Tim Burton e até o grande Coppola é como se estivessemos a assistir ao cansaço de uma antiga Miss Universo cujas plásticas não escondem um diabólico apetite por donuts.

Vamos por partes, e corrijam-me se estiver errado (ou não corrijam, qué p'ra eu não m'irritar).


1) Danny Boyle fez Shallow Grave, Trainspotting, The Beach, Millions e o espectacular Sunshine. E depois não vai de modos, e sai-se com a desgraça premiada que é o Slumdog Millionaire e a desgraça (por enquanto) não premiada que é Transe.

2) Guy Ritchie... Era tão bom quando ainda era um chunga inglês. Agora tem a mania que tem classe, mas perdeu o toque. Rock'nRolla é uma imitação barata dos seus primeiros sucessos e os Sherlock Holmes são filmes de entretenimento sem grande valor para além disso. E não esquecer aquela bosta que fez p'ra saltar à cueca à Madonna.

3) Brian De Palma... gostava de poder dizer que foi um realizador brilhante, mas nunca foi. Scarface é o seu melhor filme, e está longe de ser uma obra-prima. Mas o gajo tinha talento, não digo o contrário. Até chegar Black Dahlia e a porcaria do Passion que estreou esta semana.

4) Oliver Stone. Se alguém viu Savages ou Alexander the Gayest - palavras para quê? Bons velhos tempos do Natural Born Killers.

5) Tim Burton. Este já não é bom há tanto tempo que só me lembro de gostar dele em criança. Ao seu lado na espiral recessiva está Johnny Depp e Helena Bonham Carter. Alguém que os pare, por favor.

6) Francis Ford Coppola. Reconheço que é difícil superar o melhor filme de sempre, e o melhor filme de máfia de sempre. Mas, ainda assim, nada justifica a mediocridade de Tetro ou Youth Without Youth.


Alguma coisa a dizer?

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Sightseers

Realização: Ben Wheatley
Argumento: Alice Lowe e Steve Oram
Elenco: Alice Lowe e Steve Oram

Não sou fã de humor britânico. Acho-o pretensioso, arrogante, antiquado, aborrecido e peca por não cumprir com o propósito principal de uma comédia - não me faz rir. Também não gosto de filmes com pessoas feias. Principalmente se forem dois ingleses branquinhos, gordinhos e mal vestidos. Desculpem, mas há coisas que não suporto. Até poderia desculpar a falta de charme dos personagens caso fossem interessantes ou inteligentes, mas são duas pessoazinhas horríveis, "lixo branco" campista que adora viajar em auto-caravana e cuja ideia de partir à aventura é passear pelo country-side inglês com calções acima do joelho e meias a cobrir o resto da perna - blergh.

Dito isto, Sightseers tem a sua graça. Tem a sua graça porque está bem escrito, muito bem realizado e com dois personagens semi-complexos cujas atitudes psicóticas servem de parábola para o casamento. Ele, Chris, é um assassino psicopata regrado. Ele tem um estilo próprio, um modus operandi que segue à risca e que dá à sua psicopatia uma certa razão de ser. Ela é frustrada, passiva-agressiva, novata na arte de matar e profundamente fascinada por ele. Ela faz-lhe mal. 'I've killed more people in two days with you than I've killed in the last three months alone'. A parte boa, é que se amam muito. Poderia dizer-se que só se estraga uma casa mas, sendo que se tratam de dois assassinos em série, estraga-se bem mais que isso.

Escondida sob uma capa de humor negro, está uma crítica social engraçada. Ao longo do filme, chegam-nos agradáveis surpresas que nos fazem acreditar que há mais em Chris e Tina do que aparenta. A crítica social é uma crítica de classes, muito à maneira inglesa. Chris é um aspirante a escritor de classe média-baixa, de esquerda, naturalista, que segue a tradição inglesa da vida pastoral em comunhão com a natureza - mas em versão trailer park trash. Isto percebe-se quando Chris e Tina matam a sua primeira pessoa juntos e ela se mostra em choque com o sucedido e ele sossega-a 'He was not a person, he was a Daily Mail reader'. Juntamos estes pequenos pormenores com uma passagem do poeta inglês William Blake a ser recitada durante um assassinato e poderíamos ter um filme interessante e original. Mas, ainda assim, não me convence.

O problema de Sightseers, está na sua génese. Originalmente, Chris e Tina eram dois personagens criados pelos dois actores numa série de sketchs de humor britânico. E isso talvez tivesse resultado melhor, dentro do "melhor" que pode ser o humor inglês que permanece inalterado desde o final dos anos '70. Mas em filme, isso perde-se. Perde-se porque, na verdade, o filme não tem interesse. Não apetece continuar a ver, tem cenas de apenas curiosidade estética e, perdendo a piada graças à insistência naquele tipo de humor seco, torna-se aborrecido. Dando crédito ao realizador Ben Wheatley pela sua ousadia de câmara e aos dois actores e argumentistas pela criação das personagens, acho, no entanto, que Sightseers seria um desperdício de bobine, caso esta ainda existisse.


Golpes Altos: Os dois actores, sem dúvida. A realização, os personagens e a escolha da banda sonora.

Golpes Baixos: A história não tem interesse suficiente para se fazer um filme dela. No final, fica a sensação de tempo perdido.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

After Earth

Realizador: M. Night Shyamalan
Argumento: Will Smith e M. Night Shyamalan
Elenco: Will Smith, Jaden Smith


O pai ensina-o a respirar, ensina-o a pensar. Pede-lhe que se ajoelhe, que se acalme - 'Fear is not real. The only place where fear can exist is in our thoughts of the future. It is a product of our imagination, causing us to fear that which does not at present and may not event exist. That is near insanity'. Esta é a lição principal de um filme que é feito para nos ensinar, ou relembrar, de alguns ensinamentos importantes e aquilo de que somos feitos. O filho tenta provar-se a um pai cujos feitos não dão espaço para outro homem em casa. Não é fácil, envolverá uma separação - para que o filho cresça, o pai terá que o largar, guiá-lo à distância - pelas estrelas.

After Earth é um filme sobre crescimento, e o próprio filme parece crescer com o tempo. Depois de um começo fraco, pouco claro acerca de si mesmo, deixando-nos a temer pelo pior, inicia-se uma bonita fábula que, ainda que bem ao estilo de M. Night Shyamalan, consegue limpar o cadastro do seu último flop 'The Last Airbender'. Para muitos, este não foi o único erro do realizador que prometia ser o próximo Hitchcock. Os seus espectadores mais criticos odiaram 'Lady in the Water' e 'The Happening'. Eu discordo.

Acho que percebo M. Night. Percebo o que ele quer fazer com a sua carreira, percebo o papel que está a tomar como realizador. Shyamalan está a construir um fabulário. Começou com 'Signs', em que nos ensina sobre a fé, o perdão e o destino. Passou para 'The Village', onde nos ensina sobre a bondade, a inocência e o que significa protegê-la. Em 'Lady in the Water', consolidou na perfeição uma fábula para crianças com um ensaino acerca de cinematografia e guionismo - para mim, é um dos seus melhores filmes e uma verdadeira obra de arte. Agora, com After Earth, o fabulário continua.

Desta vez, Shyamalan junta-se a Will Smith e cria uma história fabulosa acerca da coragem, do medo, da esperança e do que significa proteger e criar. Uma águia protege as suas crias e mais tarde protege Kitai (Jaden Smith) como se o seu próprio pai nela se materializasse. A águia morre, mas ensina-lhe uma lição. O planeta terra foi destruído por nós, e isso ensina-nos uma lição. Kitai quer dizer esperança em Japonês e o salto que Kitai dá da montanha, em desafio às ordens do pai, é um salto de fé. After Earth não é uma obra de arte, não é um filme perfeito - é uma história que promete ensinamentos a crianças e a adultos, e estou certo que cumprirá o seu propósito.


Golpes Altos: Um argumento sólido, alguns momentos de realização bonitos e fiéis ao estilo do realizador.

Golpes Baixos: Ainda que considere Jaden Smith uma promessa de Hollywood, acho que ainda não ganhou estatuto para ter um filme centrado nele. Não tem idade para ser a voz-off de um filme desta dimensão. Quanto a M. Night, deixa um pouco a desejar nos momentos mais introdutórios do filme, em que o suspense e a fantasia não têm lugar.