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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Silver Linings Playbook


Realizador: David O. Russel
Argumento: David O. Russel
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro

Há filmes difíceis de se dizer mal. Não por serem bons, mas por serem simpáticos, positivos, e terem grandes planos do rabo da Jennifer Lawrence. Ainda assim, faço questão de dar o meu melhor.

Silver Linings Playbook é uma comédia romântica, e o sexto filme de David O. Russel (Três Reis, The Fighter, Os Psico-Detectives). O primeiro erro do filme está em começar demasiado bem. Sim, é isso mesmo. O começo do filme é demasiado bom para uma comédia romântica. As personagens demasiado profundas e bem construídas, os diálogos demasiado bem escritos e uma realização inédita num filme deste género. O próprio título tem uma carga um tanto poética - Silver Lining sendo uma espécie de "lado bom da tempestade" ou "copo meio-cheio" - e torna-se o grito de guerra do personagem principal, juntamente com a palavra Excelsior - também utilizada por Walt Whitman e que significa "sempre melhor". Juntamos tudo isto a duas personagens complexas e clinicamente perturbadas (ele deixado pela mulher, ela viúva muito cedo) e o filme tem tudo para me cativar, e tudo para ser mais que uma simples comédia romântica. E eis que a coisa começa a correr mal.

O argumento parece não estar satisfeito com a trama inicial. Desata numa trapalhada de twists horríveis com apostas de jogos - impulsionadas pela personagem de DeNiro, um pai obsessivo compulsivo com um problema de jogo - cartas que foram e não foram escritas, intenções escondidas, ela afinal coiso, e ele afinal pumba e, afinal, o filme dá merda. Torna-se demasiado complexo para poder ser coerente. Subitamente, os problemas psicológicos deixam de ser credíveis, bem como as suas supostas recuperações. Perde-se a vertente dramática, e a coisa deixa de ter piada (sendo que nunca teve muita). Muito por culpa de maus diálogos, mas muito também por culpa da péssima actriz que é Jennifer Lawrence. Nós sabemos que ela é óptima atrás, à frente, de lado e foi difícil abstrair-me disso e concentrar-me na sua actuação, mas a realidade é que ela é mázinha, e o filme perde com isso (fez-me imaginar o que uma Natalie Portman faria desta personagem).

Custa-me dizer isto, porque me agrada a ideia de se fazer uma comédia romântica com conteúdo, bom gosto, boa realização, boas referências... Mas não é isto. E custa-me que este filme seja candidato aos Óscars, enquanto se fazem comédias românticas independentes tão muito melhores com metade do orçamento (exemplo do ano: Celeste and Jesse Forever).

David O. Russel, tu és bom. Eu sei isso. Fizeste coisas incríveis e de muito bom gosto. Onde foi parar o humor dos Psico-Detectives? Esse humor subtil, inteligente? Trocaste-o por uma comédia familiar com cenas que só fazem rir quem nasceu antes do 25 de Abril, e isso não é fixe. No entanto, obrigado pelo esforço em fazeres algo diferente, obrigado por pores o personagem principal a ter um ataque de fúria com um livro de Hemingway (um final de livro frustrante até para quem não tem problemas psicológicos), obrigado por mostrares que o Bradley Cooper é bom actor, e obrigado... muito obrigado por me mostrares o corpo da Jennifer Lawrence. É um escândalo e merece ficar na história. Agora vai-te lixar, que já não há desculpa para certos erros.


Golpes Altos: Realização, Primeira Hora de Filme, Banda Sonora, Pormenores de Guião, Cu da Jennifer Lawrence (desculpem, juro que não falo mais nisto).

Golpes Baixos: Robert DeNiro que subitamente deixou de ser bom actor, Jennifer Lawrence que nunca vai ser boa actriz, Chris Tucker que é praí o pior comediante de sempre, péssimos twists, argumento demasiado ambicioso e, por isso, trapalhão, cenas cómicas muito fraquinhas.