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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Stand Up Guys

Realização: Fisher Stevens
Argumento: Noah Haidle
Elenco: Al Pacino, Christopher Walken e Alan Arkin


Oh não... Outro filme de velhos... Será que está a pegar moda? Será que há público para ver estas palhaçadas de mau gosto, ou será que se fazem apenas para ir alimentando os egos mirrados de um punhado de ex-estrelas em declínio? Não sei, mas o resultado é uma hora e meia de tortura cinematográfica que (se retirarmos os planos das três carcaças a caminhar em slow motion) se traduz em cerca de 40 minutos de filme.

Era uma vez uma altura em que o cinema de bandidos, de golpadas e de 'kansas city shuffles' se fazia com estilo, com irreverência, com bons diálogos - com bom gosto. Eram bons tempos, mas morreram. Agora, todos os meses alguém se lembra de largar um cagalhão que envolva tiros, mafiosos e gajos cheios de pinta. Mas este filme não se fica só por aí, junta outro cliché encantador - o dos velhos que acham que o mundo hoje está perdido porque os carros têm ignição eléctrica e os bandidos maltratam as mulheres (sim, porque aposto que os gangsters dos anos '70 eram autênticos cavalheiros).

E o filme é todo isto: velhos a queixarem-se que as coisas já não são como antigamente. Sabem que mais? Quem já não é como antigamente é o Al Pacino, que está barrigudo, corcunda e parece que acabou de sair de um asilo; ou o Christopher Walken cujos maneirismos de fala já perderam a graça e reflectem agora o mau actor que ele é. Quanto a Arkin, esse mantém a dignidade - tem algumas cenas com graça, e morre antes do filme se tornar insuportável.

Não sei o que mais dizer, excepto que o realizador desta porcaria é aquele gajo estranho que nunca singrou como actor e agora está a tentar enveredar por outros caminho - Big Mistake!


Golpes Altos: Muita, muita gaja boa à volta das três carcaças - então a neta de Christopher Walken... Ui!

Golpes Baixos: Os dois velhos mais manientos de sempre; um argumento de merda e uma realização de alguém que se limita a apontar a câmara para o sítio certo.

terça-feira, 26 de março de 2013

Seven Psychopaths

Realização: Martin McDonagh
Argumento: Martin McDonagh
Elenco: Colin Farrell, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Christopher Walken, Tom Waits e Olga Kurylenko

Bem... esta vai ser difícil, mas aqui vai: Seven Psychopaths não presta. É um daqueles filmes que funcionaria, caso tivesse sido bem feito (uma espécie de Moeda Única Europeia, versão Hollywood). Mas comecemos pelo que joga a seu favor.

O elenco de luxo já seria uma grande ajuda, caso as personagens fossem minimamente decentes. Sam Rockwell e Christopher Walken estão óptimos. Têm graça e os personagens são minimamente complexos (minimamente). Os restantes "psicopatas" mais valia não existirem. O filme poderia chamar-se Two Psychopaths e aposto que funcionaria muito melhor - pelo menos não tínhamos de dividir a atenção entre sete (mas são mesmo sete? é que às tantas nem se percebe) personagens que alguns são quase figurantes.

E depois temos o Colin Farrell... Quem no seu perfeito juízo é que decide pôr este gajo a fazer de coitadinho inseguro ou - mais grave ainda - de INTELECTUAL?! Não se via um erro de casting destes desde que decidiram que o Russel Crowe dava um bom génio da matemática!

O realizador e escritor deste filme teve uma estreia bastante boa: In Bruges é um filme que cumpre os requisitos e até os supera em algumas situações. Boas personagens, boa história e boa concretização. Em Seven Psychopaths mete os pés pelas mãos. Pessoalmente, confesso já não ter grande paciência para filmes cheios de personagens e cheios de reviravoltas, plot points, twists e "a movie within a movie kind of thing" - por isso já adivinhava a banhada que poderia sair daqui.

Martin McDonagh, não sabes que "simples é o novo complicado"? Mantém-te atento às modas, já que queres fazer um filme cool. Deixa este género para aqueles anos cinzentos em que estrearam mil filmes iguais ao Smokin' Aces! Inventa, aventura-te, surpreende-me... mas, acima de tudo, se vais pôr a Olga Kurylenko num filme, ao menos despe-a só um bocadinho!


Golpes Altos: Christopher Walken, Sam Rockwell, uma realização semi-dinâmica e... não sei... acho que mais nada.

Golpes Baixos: Argumento = Lixo; Colin Farrell a fazer de mariquinhas; Olga Kurylenko com demasiada roupa; repetição de tantos filmes iguais ou parecidos... já chega.


quarta-feira, 20 de março de 2013

Golpes de Génio - True Romance

Realização: Tony Scott
Argumento: Quentin Tarantino
Elenco: Christian Slater, Patricia Arquette, Gary Oldman, Dennis Hopper, Brad Pitt, Val Kilmer, Christopher Walken, Samuel L. Jackson e James Gandolfini

A ficção é melhor que a vida. No mundo real não há espaço para um amor verdadeiro, para um romance a sério. No mundo real, um jovem solitário é um jovem solitário, e pode descansar a cabeça sabendo que nenhuma das suas idiossincrasias será partilhada por uma jovem loira de lábios carnudos e sorriso frágil. Já no cinema, a história é diferente.

True Romance foi escrito por Quentin Tarantino, mas realizado por Tony Scott. E porquê? Provavelmente porque Tarantino ainda estava no início da sua carreira. Tinham passado meses desde o seu début com Reservoir Dogs, e a crítica ainda estava a digerir o homem que revolucionou o cinema na década de '90. Scott, por outro lado, já estava bem lançado. Uma carreira comercial pouco ambiciosa, que encarava o cinema como entretenimento mas não se deixava envergonhar. Juntaram-se - "e tudo vai pelo melhor, no melhor dos mundos possíveis".

O filme é indubitavelmente mais propriedade de Tarantino que de Scott. Podemos vê-lo em cada diálogo, em cada linha narrativa. Cada situação mais insólita, cada personagem progressivamente mais estranha. Mas Scott dá-lhe o equilíbrio que por vezes falta a Tarantino. Ajuda-o a manter uma certa sobriedade num argumento que tem de tudo menos de sóbrio. E o resultado é uma obra-prima. Para mim é o melhor argumento de Tarantino, e certamente o melhor trabalho de Tony Scott.

O elenco já o referi em cima. É um desfile de estrelas, todas com aparecimentos de curta-duração. Confesso que, se me fosse dada a oportunidade de fazer um casting para um filme meu, dificilmente fugiria do escolhido neste filme. É uma junção dos homens mais estranhos e talentosos do cinema moderno - sendo certo que uns tiveram uma carreira de sucesso, e outros morreram na praia. E depois temos Patricia Arquette. Patricia, onde estiveste tu a minha vida toda? No Lost Highway não te dei devida atenção, e ultimamente estás gorda e inchada e perdeste todo o teu carisma. Mas aqui... que sonho. Patricia, se pudesse escolher uma mulher para mim, escolhia-te a ti, tal e qual como estás aqui. Alabama, prostituta há 4 dias mas de coração puro e cheia de amor para dar.

E assim se fazem filmes - para aquecer corações solitários e imaginações férteis. Para nos fazer sonhar que algures no mundo há um sítio onde o carro de um homem é o seu cavalo, onde os cigarros entortam para baixo e as mulheres nunca nos deixam. Onde uma loira com um decote gigante e olhos sonhadores nos aquece a cama enquanto vimos um filme de acção, e nos sussurra no ouvido as três únicas palavras que queremos ouvir: "you're so cool, you're so cool, you're so cool".


Golpes Altos: Gary Oldman com rastas e dentes de ouro? James Gandolfini com algum cabelo? Brad Pitt constantemente pedrado? Patricia Arquette constantemente nua? E, em cima de tudo isto, honestamente um dos argumentos mais bem escritos que vi na minha vida. Isto é cinema! Mais a banda sonora que é óptima, e a cena de abertura que é histórica!

Golpes Baixos: Filmes como este deixam-nos com um sorriso melancólico. E com a estranha sensação de que - como disse um certo soprano da televisão - o melhor já passou, e nós chegámos no fim.