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domingo, 24 de agosto de 2014

Snowpiercer



Realizador: Joon-ho Bong
Argumento: Kelly Masterson, Joon-ho Bong
Actores: Chris EvansJamie BellTilda Swinton, Kang-ho Song, Ed Harris, John Hurt, Octavia Spencer

Tenho um gosto especial por cenários apocalípticos... Nuns filmes isso não passa de um mero Guilty Pleasure, noutros não passa de um fetiche e por fim há uns que são apenas uma prova de bom gosto :)

Este Filme é um bom Filme. É mesmo!

Em Snowpiercer, o mundo gelou e toda a humanidade está concentrada num comboio de alta velocidade. Este comboio está dividido tendo em conta uma hierarquia rígida, tendo na frente do mesmo os membros mais valiosos da sociedade, e no fundo a carne para canhão. Depois disto, depois deste micro-cosmos muito bem trabalhado, temos todas as outras pontas soltas típicas da nossa sociedade, retratadas de forma muito eficaz.

O Chris Evans não me parece que alguma vez se torne um bom actor, mas aqui cumpre o seu papel de herói de forma capaz. Já a Tilda Swinton, deduzo desde já que seja nomeada para melhor actriz secundária nos próximos Óscares.

Voltando ao Filme, é uma luta aparentemente desigual que tem de ser travada. A passagem pelas carruagens é toda uma aula de regimes ditatoriais, de teorias enfiadas no nosso prato sem questões aparentes, de compra e venda de opiniões, de rigidez sem qualquer momento de reflexão sobre a mesma. Tudo isto é uma caricatura do que existe de pior no nosso mundo, de todas as desigualdades e que acabam por provocar uma batalha contra a impunidade dos "seres superiores".

É um Filme fácil de ver, daqueles que quem quiser parar para pensar um pouco pode, e quem quiser apenas divertir-se com um blockbuster cheio de ação também recebe o que quer. Uma espécie de Filme camaleão que é muito mais do que aparenta ser à primeira vista.

Não entendo a estratégia de quem criou o Filme, mas parece-me engraçada esta mistura de boas ideias com todas as dinâmicas típicas de um Filme para massas.


Golpes Altos: Os paralelismos.

Golpes Baixos: Capacidade para tratar os ambientes exteriores ao Comboio, provavelmente por falta de budget.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Captain America: The Winter Soldier




Realização: Anthony Russo e Joe Russo
Argumento: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson, Robert Redford, Sebastian Stan, Anthony Mackie

Ponto prévio inicial: não vi o primeiro Captain America, de 2011, pelo que não posso entrar em análise comparativa ou até de sucessão.
Novo ponto prévio: a saga de Captain America não é uma comic que conheça por aí além ou nutra grande simpatia, assim como a S.H.I.E.L.D. e o desinteressante Nick Fury.

Dito isto, e falando do “filme pelo filme”, a verdade é que tem pontos fortes e pontos fracos mas no cômputo geral acabei por gostar. Entretém, não é maçador e os irmãos Russo conseguem durante mais de duas horas gerir algo que se tem revelado complicado em filmes mais recentes inspirados em comics: as expectativas, a soberba e o preciosismo.
Ou seja, limitam-se a contar a história duma forma enérgica, divertida, intensa, mas aguentando-se bem na linha ténue entre alguma infantilidade aparvalhada – que evitam, gerindo bem as expectativas dos fãs mais incondicionais –, tiros, explosões e orgias de acção desproporcionadas – que também evitam, não vacilando perante uma certa soberba cataclísmica como acontece, recordo-me, nos falhados Hulk's da década anterior –, e a resistência a um preciosismo de mensagem profunda, dum significado paralelo entre o divino e o metafísico, que depois não passa de argamassa balofa (vide o Man of Steel do ano passado…calma, Duarte!).
Este filme tem uma história e quem o fez prestou-se a contá-la da melhor forma que pôde e soube. Ponto. É só isso. Por vezes é positivo que seja só isso. Não o torna genial, nem sequer muito bom, mas também evita que seja opaco, vazio e pseudo-brilhante.

Se tem algo menos bom? Claro. A personagem do Falcon tem pouca graça, alguns diálogos entre o Captain America e a Black Widow são fracos e sem química, alguns mauzões têm um ar só estúpido e o Chris Evans, apesar de parecer uma escultura, é meio goofy, sim. Mas não é menos verdade que o Steve Rogers é um tipo cheio de princípios éticos e morais, que pauta o seu comportamento pela rigidez do que é certo e errado, pela defesa dos fracos e oprimidos, bla, bla, bla.
Isto é, não podemos querer o estilo dum Bale ou dum Downey Jr. num super-herói que não tem essa história, não tem esses contornos, não têm essa mística. Ainda assim admita-se que não sendo adorável, Evans também não faz a tristíssima figura do Henry Cavill nessa pérola que é o já referido Man of Steel, fazendo um paralelismo entre super-heróis meio amorfos, com pouco nervo e ironia (caaalmaa, Duarte!).

Por outro lado a trama é engraçada, bem montada e com uma interligação que começa a fluir duma forma escorrida e no momento exacto – o ressurgimento de Zola (um demente Toby Jones!) e da HYDRA, a identidade do Winter Soldier, o verdadeiro Alexander Pierce (óptimo Redford!) –, como disse anteriormente as cenas de acção são relativamente contidas dentro do género e nada confusas, os vilões são excelentes, tanto os actores como a história de cada personagem, e a Scarlett, ruiva e naquele fato, é uma escandaleira.

Golpes Altos: A humildade de querer filmar uma película de super-heróis sem pretensiosismos de algibeira. Os vilões, sobretudo a cena do aparecimento de Zola na cave. A pinta do Winter Soldier. Já disse que a Scarlett está incrível?

Golpes Baixos: Alguns diálogos e piadas demasiado básicos. O ar de panhonha e o tronco do Chris Evans andam par a par. Samuel L. Jackson, se estás a ouvir-me: foste grande mas já chega. Dá-nos uma pausa.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

The Iceman

Realização: Ariel Vromen
Argumento: Morgan Land e Ariel Vromen
Elenco: Michael Shannon, Winona Ryder, Ray Liotta e Chris Evans


O que aconteceu aqui não foi bonito. Richard Kuklinski matou mais de 100 pessoas (ou 200, sendo que existe uma discrepância entre os valores das legendas americanas e portuguesas) a sangue-frio. Matou-as porque alguém lhe pagou para o fazer, mas também porque era um sádico traumatizado psicopata. Mas isto não choca assim tanto. O mundo está cheio de malucos. O que choca, é fazer-se um filme tão vazio, tão medíocre e tão inconsequente como este The Iceman.

Não sendo um filme horrível, The Iceman consegue agarrar numa história perfeitamente válida, e construir uma trama foleira que assenta sobre um único princípio sobre o qual todo o universo e todas as personagens do filme se regem: Richard Kuklinski era um assassino, mas também era um homem de família. Ok. Então mas não querem explorar melhor a complexa natureza do psicopata? Não querem mostrar pormenores dos negócios em que esteve envolvido? Não querem tornar uma biografia aborrecida num filme minimamente artístico? Não. Ariel Vromen não quis nada disso.

O que Ariel Vromen - realizador imberbe de origens judaicas e talento reduzido - quis fazer com este filme, foi tentar misturar o seu entendimento de um filme Scorceseano com uma biografia do canal história. O resultado foi uma produção medíocre que, com a ajuda de um elenco semi-válido, conseguiu projecção suficiente para pagar os custos de produção. É uma pena. Um realizador mais ousado e mais talentoso teria transformado esta história em algo mais. Teria explorado planos de autor, cenas fantásticas em que conseguiríamos espreitar para dentro da alma do assassino. Em vez disso, temos meia dúzia de mortes descontextualizadas - uma delas a do personagem de James Franco que, honestamente, a única coisa que faz bem é cair para o lado morto -, uma visita ao irmão na prisão, uma recordação de umas chicotadas do pai e um ataque de fúria junta da mulher e das filhas.

Pelo meio, temos uma personagem interessante - Mr. Freezy, interpretado por Chris Evans. De facto, Mr. Freezy é tão mais interessante que The Iceman, que me fez pensar porque raio é que não escolheram um em vez do outro. Gostaria de ter visto mais do personagem de Evans, tal como gostaria de ter visto Ray Liotta a fazer qualquer outro personagem que não um mafioso desautorizado pelo seu chefe - Ray, já chega. Enfim, The Iceman é um filme datado por um realizador sem visão e sem identidade. Um conselho para Ariel Vromen: vai fazer documentários!


Golpes Altos: Interpretação de Michael Shannon, Chris Evans, Winona Ryder e as duas miúdas. Cena da discoteca é uma pérola face ao ambiente semi-gélido do filme.

Golpes Baixos: Um filme sem talento, escrito por um guionista sem talento que, veja-se bem, também é um realizador sem talento. Mediocridade na sua forma mais pura. David Schwimer a tentar ser um mafioso é como ver o Ross dos Friends a tentar não ser o Ross dos Friends.