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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

American Sniper


Realização: Clint Eastwood
Argumento: Jason Hall
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Cory Hardrict, Keir O'Donnell

“American Sniper is the biggest anti-war statement any film can make. It’s about what war does to the family and the people who have to go back into civilian life like Chris Kyle did and what it does to the people left behind.”

Com esta afirmação Clint Eastwood demarca-se das críticas de pró-guerra e islamofobia que fora acusado e descreve o seu novo filme como um sentido elogio às marcas de guerra e àqueles que têm força e coragem para ultrapassar as lembranças, os traumas.

Podemos concordar ou não – o veterano realizador é um republicano e patriota convicto, além de praticamente toda a sua filmografia assentar numa matriz de “o bem” vs “o mal”, portanto caberá a cada um de nós tirar as suas ilações – mas se há algo que sobressai neste biopic sobre Chris Kyle, o sniper norte-americano com maior número de mortes registado em qualquer palco de guerra em que os EUA tenham estado presentes e que era conhecido pelos seus pares como “Lenda”, é exactamente o foco que Eastwood coloca sobre o stress pós-traumático nos veteranos de guerra e no quão difícil é o regresso a casa, à família, ao quotidiano comum.

E é aí que residem os melhores momentos do filme, os regressos a casa de Kyle (fez quatro tours no Iraque): a dificuldade de ambientação expressa num misto de timidez e incómodo no relacionamento ou simples diálogo com outras pessoas (excelente Cooper nesse aspecto, sempre deslocado), o distanciamento da mulher e dos filhos, ainda crianças, e uma crescente ansiedade de Kyle face a todos aqueles que não pôde salvar e ao dever patriótico de voltar e continuar a lutar pela sua pátria, o seu povo – a cena do reencontro com o irmão à beira do embarque, espelho das diferenças grotescas que existem entre “obrigação” e “missão”.

Paradoxalmente, sempre que a película avança para terreno “inimigo” a qualidade perde-se, ou pelo menos dilui-se; há cenas excelentes, não quero ser mal interpretado – o momento inicial em que Kyle tem a mulher e o miúdo na mira, brutalmente tenso, e de repente o flashback para a infância, ou a inacreditável cena da tempestade de areia em Sadr City, tecnicamente um espanto – mas há demasiado “americanismo” exagerado em palco de guerra, culminado com a vingança pessoal de Kyle (que é antitético com o seu patriotismo e sentimento missionário) e a infeliz cena “à la Matrix” quando Mustafa é abatido.

A verdade é que o realismo contido e quase neurótico que Eastwood consegue transmitir nas cenas de regresso aos EUA – os olhos muito abertos de Kyle enquanto a mulher desespera na cena na cama, ou a psique em transe do militar quando vê e ouve um cenário de guerra que não existe em frente ao televisor desligado, seguida da “explosão” junto à piscina (Cooper novamente forte) –, esmorece e tudo se torna demasiado emocional, demasiado romanceado, demasiado plástico quando a acção voa para o Iraque.

Talvez seja normal, apesar de ser o último grande realizador americano clássico, desde 2008 e do seu maravilhoso Gran Torino – o círculo que se fecha na carreira e na vida de Clint, de Blondie/Joe/Man with No Name a Harry Callahan ou Bill Munny – que o octogenário entrou numa espécie de piloto automático, tocando vários géneros nas suas últimas películas mas sem nunca conseguir voltar a ser brilhante.

Por isso a sensação que fica é que American Sniper não é o que podia ter sido, o retrato cru e desolado da Guerra ao Terror norte-americana, na mesma linhagem de The Hurt Locker, a obra-prima de Kathryn Bigelow; e também não é a grande peça de guerra de Eastwood, mestre em todos os géneros. Essa é Letters from Iwo Jima.

Ainda assim, um filme com qualidade e com momentos grandes. Clint não sabe fazer mal.

Golpes Altos: Não sou fã de Cooper mas tem um bom desempenho, seguro dentro da insegurança e desequilíbrio da personagem. O retrato do stress pós-traumático enquanto veículo de destruição. A cena da tempestade de areia, de cortar a respiração.

Golpes Baixos: A falta de realismo, de contenção dramática, de frieza nos momentos de combate. Há uma heroicidade exagerada, por assim dizer. A cena da “bala lenta”, despropositada.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Serena


Realização: Susanne Bier
Argumento: Christopher Kyle
Elenco: Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Rhys Ifans, Toby Jones, Sean Harris, David Dencik

“We don't invest anything in either character, and with barely any tension, Serena grabs neither head nor heart.”
Ao dar uma vista de olhos nas avaliações do Metascore deparei-me com esta frase da crítica da Time Out London que resume bem o que penso da nova película de Susanne Bier, a dinamarquesa autora do excelente Efter brylluppet – After the Wedding e do muito badalado e oscarizado mas desinteressante Hævnen – In a Better World.

Centrada à volta dum recém casal em plena Grande Depressão que almeja criar um império da madeira mas que se debate com problemas de crédito e com um grupo de ambientalistas, a trama é minimalista no mau sentido, no sentido em que não sabemos donde vêm e para onde vão as personagens, quais as suas motivações para lá do egocentrismo e da ganância, da violência e da tentativa de sobrevivência.

Lawrence tem demasiados maneirismos na sua paranóia obsessiva, mas ainda vai sustentando o filme apenas com a sua presença impactante até que Bier decide arredá-la do desenlace trágico, encarcerando-a em casa durante os últimos 20 minutos do filme; e Cooper está sem nervo, pouco expressivo, pouco pulsante. Lembra mais o Cooper apagado do início de carreira do que o actor revitalizado, coeso e ascendente de quem tanto gostamos em The Place Beyond the Pines, Silver Linings Playbook ou American Hustle.

Já Bier em momento algum parece conduzir-nos de forma fluída, nem sequer consegue que sintamos o que quer que seja por aquelas personagens. Quer admiração, quer desdém. Acaba por falhar, dirigindo o elenco de forma errática e, recorrendo à frase do início, incapaz de conquistar-nos o coração pelo drama épico nem a mente pela “epopeia noir”.

Uma última nota: Jennifer Lawrence tem 24 anos, é aclamada pela crítica como uma espécie de herdeira de Katharine Hepburn e Meryl Streep, já conquistou um Óscar de Actriz Principal (e tem mais duas nomeações, uma de Principal e outra de Secundária), e ultimamente salta de grande projecto em grande projecto. Está numa vertigem de sucesso.
Ainda assim, e apesar de todos os elogios, nos últimos 4 anos e tal não voltei a ver a brutalidade de actriz de Winter’s Bone. Na minha opinião ainda não chegou sequer perto daquele nível. E com apenas 19 aninhos.

Golpes Altos: Pormenores técnicos como o guarda-roupa, a maquilhagem e os cabelos. A fotografia e alguns planos, sobretudo nas Smoky Mountains, são muito bonitos.

Golpes Baixos: A falta de alma da história, uma péssima direcção de actores e o extremo e transversal egoísmo que esvazia as personagens. Bradley Cooper.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Guardians of the Galaxy


Realização: James Gunn
Argumento: James Gunn, Nicole Perlman 
Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Lee Pace, Michael Rooker, John C. Reilly, Vin Diesel (voz), Bradley Cooper (voz)

Ponto de partida para avaliar o filme: Robert Downey Jr., ícone da reinvenção recente das películas da Marvel, afirmou há dias, pondo de lado muita daquela arrogância e gabarolice que se lhe reconhece, que Guardians of the Galaxy seria, em alguns aspectos, o melhor filme daquele universo de comics norte-americano.

Ora, dito isto é normal que pensemos que estamos perante mais uma aventura apocalíptica, com traços dark, muito na linha a que Nolan ou Singer nos têm habituado nas adaptações de Marvel/DC. Nada disso. A película de James Gunn leva-nos de volta à comédia despreocupada, aos heróis sem grandes valores – Quill, Rocket e Groot inicialmente movem-se por ganância e mais tarde por amizade e companheirismo, nunca por dever cívico e missionário –, numa animação que flui de forma inocente e desprovida de grande melodrama, seguindo a epopeia dum improvável grupo de mercenários, mutantes, prisioneiros e desertores na busca duma Jóia do Infinito (uma gema de destruição maciça…mesmo maciça!) que não pode chegar às mãos dum maníaco opressor.

O elenco cumpre, com destaque para um delicioso Chris Pratt como o pateta vigarista/apaixonado e bondoso Quill (o Walkman e os phones como sinais duma cultura pop e de memórias que não queremos largar nem perder para sempre…), a voz de Bradley Cooper num Rocket que rouba todas as cenas em que aparece, Lee Pace num Ronan que esteticamente é aterrador – talvez até demais tendo em conta o contexto –, e alguns pequenos papéis deliciosos como o de Michael Rooker ou John C. Reilly (há algo que este tipo não faça muito bem?). Ah, e o corpaço da Zoe Saldana. Seja pintada de azul ou de verde, a senhora é um espanto.

Ou seja, tendo em conta o que se tem feito ultimamente neste género, a verdade é que este Guardians of the Galaxy aparece como uma lufada de ar fresco, na medida em que nos faz recuar no tempo até aos anos em que os filmes de super-heróis eram simplesmente assim: um objecto de entretenimento que tem tanto de capaz e divertido como completamente despretensioso, capaz de agradar a jovens e não tão jovens.

Golpes Altos: A história e a forma como é contada. Simples e alegre, sem sisudez e maniqueísmos. A Zoe Saldana meio despida. O Walkman (“I'm hooked on a feeling / I'm high on believing / That you're in love with me”).

Golpes Baixos: Apesar de Lee Pace estar impecável, Ronan não será um vilão demasiado “agressivo” e desmesurado tendo em conta a narrativa light do filme? A luta final: Ronan merecia outra morte, pelo menos numa cena menos “metida a martelo”.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

American Hustle



Realizador: David O. Russel
Argumento: Eric Warren Singer, David O. Russell
Actores: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Louis C.K.

Imaginem o David O. Russel a tentar desde a escolha da capa do Filme fazer um "Scorsese", mas acabou por ficar quanto muito perto de um "Soderbergh" aprendiz. E reparem: O Filme é bastante porreiro, mas não é mais que isso... É um filme que entretém bastante mas que daqui a 2 semanas já não nos lembramos muito bem dele...

O Filme traz-nos uma "Trama" à Americana, um filme de golpadas, de negociatas, de "espionices" com FBI ao barulho, criminosos ao barulho, casinos, mulheres bonitas e semi-despidas, homens de charuto, roupas estilosas e cenários bem trabalhados. Um Filme que, e aqui o O. Russel nunca falha, tem diálogos muito bem trabalhados e nos quais se baseia para os reflexos de humor e para envolver o espectador numa teia comum a este tipo de "policial-cool-com-cenas-porreiras". 

Ora... Onde falha? Falha no quanto é previsível, falha no quanto se prende aos bons diálogos sem perceber que nestes filmes o fulgor estético é tão ou mais importante, falha na falta de risco em mostrar mais cenas cruas, mais cenas de desconforto. Torna-se assim um filme muito parecido a coisas já vistas por aí, vindo de um talentoso Realizador e Escritor pedia-se mais... 

Christian Bale: ASPIRA qualquer cena onde entra, tudo à volta dele desaparece e enche sem qualquer dose de histerismo o ecrã, mostra que ali é ele que tem de ter a luz por cima, é ele que tem de conduzir a cena, é ele que tem de mostrar a todos os talentos (maiores ou menores) que o rodeiam que estão perante um dos de topo. Um papel gigante e mais uma transformação física arrepiante. Depois de no Maquinista ter chegado aos 55Kg, neste filme engordou 20Kg... É só parvo, mas isto mostra dedicação e trabalho, além dos 20Kg herdou ainda 2 hérnias pela má postura. Enfim, fait-divers à parte é mais um papel monstruoso. 

Christian Bale é claramente uma boa pancada do David O. Russel que tem outras não tão boas mas competentes: A linda Lawrence e o estiloso Cooper. Ninguém dava nada por eles há uns anos e estão-se a tornar actores que devemos pelo menos respeitar e até ter esperança em vê-los "maiores" dentro de alguns anos. 

A belíssima Amy Adams está muito bem, mas ela já nos habituou a ser das melhores Actrizes da "praça". Penso que o pico dela no filme é antes de começar a "surtar", a fase mais contida dela é muito potente precisamente por percebermos que ela está a esconder constantemente um turbilhão de sentimentos e emoções, uma contenção sempre prestes a explodir. 

Notas finais para a aparição rápida do velhinho De Niro que foi dos maiores de sempre e hoje em dia faz cenas para amigos, e para o Louis CK que faz um papel quase irrelevante mas gosto tanto dele que não podia deixar de o mencionar. Faz mas é mais uma série do Louie porque morro de saudades. 


Golpes Altos: Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale, Christian Bale... Banda Sonora, Caracterização e diálogos.

Golpes Baixos: Com mais força da próxima vez O. Russel... com mais força...

quinta-feira, 30 de maio de 2013

The Hangover - Part III

Realização: Todd Philips
Argumento: Todd Philips e Craig Mazin
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms, Zach Galifianakis e John Goodman

Drogas, macacos, bebés, tatuagens, mini-pilas chinesas, homossexualidade (pouco) subtil, óculos de sol e... já disse drogas? A matilha está de volta, com uma conclusão muito pouco épica para uma trilogia que merecia passar do 'politicamente incorrecto' para o 'socialmente intolerável' - mas não cumpre.

Já tínhamos visto praticamente tudo aquilo que nunca queríamos ter sido obrigados a ver numa sala de cinema. No primeiro filme, Todd Philips reinventou a loucura de Old School e fez-nos acreditar que Las Vegas era o sítio para se estar. Dois anos depois Todd Philips, de uma forma bastante preguiçosa, agarra na mesma estrutura do primeiro filme e muda-lhe apenas o cenário - desta vez, saímos do filme a esfregar as mãos - 'Bangkok, bitches?'. Outros dois anos passam, e Todd Philips tem o bom senso de perceber que não é possível fazer-se três filmes com exactamente o mesmo argumento. Decide 'apimentar' as coisas. A história desta vez é mais complicada, mais trabalhada, mais coerente. As cenas de acção são melhores, as personagens são mais tridimensionais e consegue cumprir os requisitos de um último capítulo, fechando todas as portas deixadas abertas pelo primeiro. Então, o que falha? O que falha, é que ninguém espera de Hangover um filme com grandes tramas, boas cenas de acção ou personagens com conflitos interiores. O que nós queremos, é que esta merda nos faça rir. Rir às gargalhadas, tapar os olhos de nojo, abanar a cabeça em jeito reprovador - 'Epah, não acredito que estes gajos fizeram isto..'. A questão é que a conclusão épica para a trilogia, tinha implícita a obrigatoriedade de ser ainda mais incorrecta que as outras duas. Queria cocaína a voar pelo ar, Ed Helms a ser violado por um anão, Bradley Cooper a ser desfigurado com uma navalha (não quero viver num mundo onde tenho de competir com este tipo de gajos) e Zach Galifianakis a... ser ele próprio.

Em vez disto, temos demasiado protagonismo dado a Mr. Chow - o homenzinho asiático com o pénis do tamanho de um berlinde - que claramente não tem estrutura para tanto tempo de antena. Mr. Chow tem graça quando aparece de vez em quando, mas não pode ser mais importante que Ed Helms ou Bradley Cooper, isso é simplesmente errado. E assim termina uma saga, que nos proporcionou boas gargalhadas e alguns prelúdios de vómito, de uma forma bem menos ousada do que seria de esperar. No entanto, se quisermos ver os membros da matilha a caminhar em câmara lenta, ao som de clássicos como Santana, Billy Joel, Phil Collins ou Black Sabbath, vale sempre o dinheiro do bilhete de cinema.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Silver Linings Playbook


Realizador: David O. Russel
Argumento: David O. Russel
Elenco: Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro

Há filmes difíceis de se dizer mal. Não por serem bons, mas por serem simpáticos, positivos, e terem grandes planos do rabo da Jennifer Lawrence. Ainda assim, faço questão de dar o meu melhor.

Silver Linings Playbook é uma comédia romântica, e o sexto filme de David O. Russel (Três Reis, The Fighter, Os Psico-Detectives). O primeiro erro do filme está em começar demasiado bem. Sim, é isso mesmo. O começo do filme é demasiado bom para uma comédia romântica. As personagens demasiado profundas e bem construídas, os diálogos demasiado bem escritos e uma realização inédita num filme deste género. O próprio título tem uma carga um tanto poética - Silver Lining sendo uma espécie de "lado bom da tempestade" ou "copo meio-cheio" - e torna-se o grito de guerra do personagem principal, juntamente com a palavra Excelsior - também utilizada por Walt Whitman e que significa "sempre melhor". Juntamos tudo isto a duas personagens complexas e clinicamente perturbadas (ele deixado pela mulher, ela viúva muito cedo) e o filme tem tudo para me cativar, e tudo para ser mais que uma simples comédia romântica. E eis que a coisa começa a correr mal.

O argumento parece não estar satisfeito com a trama inicial. Desata numa trapalhada de twists horríveis com apostas de jogos - impulsionadas pela personagem de DeNiro, um pai obsessivo compulsivo com um problema de jogo - cartas que foram e não foram escritas, intenções escondidas, ela afinal coiso, e ele afinal pumba e, afinal, o filme dá merda. Torna-se demasiado complexo para poder ser coerente. Subitamente, os problemas psicológicos deixam de ser credíveis, bem como as suas supostas recuperações. Perde-se a vertente dramática, e a coisa deixa de ter piada (sendo que nunca teve muita). Muito por culpa de maus diálogos, mas muito também por culpa da péssima actriz que é Jennifer Lawrence. Nós sabemos que ela é óptima atrás, à frente, de lado e foi difícil abstrair-me disso e concentrar-me na sua actuação, mas a realidade é que ela é mázinha, e o filme perde com isso (fez-me imaginar o que uma Natalie Portman faria desta personagem).

Custa-me dizer isto, porque me agrada a ideia de se fazer uma comédia romântica com conteúdo, bom gosto, boa realização, boas referências... Mas não é isto. E custa-me que este filme seja candidato aos Óscars, enquanto se fazem comédias românticas independentes tão muito melhores com metade do orçamento (exemplo do ano: Celeste and Jesse Forever).

David O. Russel, tu és bom. Eu sei isso. Fizeste coisas incríveis e de muito bom gosto. Onde foi parar o humor dos Psico-Detectives? Esse humor subtil, inteligente? Trocaste-o por uma comédia familiar com cenas que só fazem rir quem nasceu antes do 25 de Abril, e isso não é fixe. No entanto, obrigado pelo esforço em fazeres algo diferente, obrigado por pores o personagem principal a ter um ataque de fúria com um livro de Hemingway (um final de livro frustrante até para quem não tem problemas psicológicos), obrigado por mostrares que o Bradley Cooper é bom actor, e obrigado... muito obrigado por me mostrares o corpo da Jennifer Lawrence. É um escândalo e merece ficar na história. Agora vai-te lixar, que já não há desculpa para certos erros.


Golpes Altos: Realização, Primeira Hora de Filme, Banda Sonora, Pormenores de Guião, Cu da Jennifer Lawrence (desculpem, juro que não falo mais nisto).

Golpes Baixos: Robert DeNiro que subitamente deixou de ser bom actor, Jennifer Lawrence que nunca vai ser boa actriz, Chris Tucker que é praí o pior comediante de sempre, péssimos twists, argumento demasiado ambicioso e, por isso, trapalhão, cenas cómicas muito fraquinhas.