Realização: Robert Redford
Argumento: Lem Dobbs (baseado no romance de Neil Gordon)
Elenco: Robert Redford, Shia LaBeouf, Julie Christie, Stanley Tucci, Nick Nolte, Richard Jenkins, Susan Sarandon, Brendan Gleeson, Sam Elliott, Terrence Howard e Chris Cooper
Robert Redford está de volta, mas em muito má forma. Está velho ao ponto de acharmos que a qualquer momento lhe pode cair uma orelha, está velho de mais para tentar ser o bom actor que nunca foi, está ainda mais velho que os outros velhos todos que reuniu para fazer este filme mas, sobretudo, está velho de mais para correr! Olhar para um Redford de 77 anos a "correr" e a "saltar" vedações, faz-nos instintivamente tapar os olhos em aflição. Tanto é, que o único factor de suspense presente neste suposto thriller, é a constante dúvida de quando ou como Redford irá ter um enfarte, partir uma perna ou deslocar a bacia antes de conseguir terminar o filme.
O resto do filme é igualmente fraco e deprimente, mas com alguns pontos a favor. Vou começar pelos golpes altos, para depois poder cascar à vontade. The Company You Keep é um thriller político que reúne todos os desgraçados dos amigos de Redford e lhes dá uma facadinha no currículo. No meio, alguns são tão bons actores que se conseguem desviar da mediocridade do guião e entregar uma boa performance. São estes: Shia LaBeouf, Richard Jenkins, Susan Sarandon e Brit Marling. E estes quatro merecem todo o meu respeito, porque conseguiram fazer com que não me levantasse e saísse a meio do filme. Todos os outros deviam estar, ou reformados, ou mortos. Redford está péssimo (péssimo!); Christie é outra que nunca foi boa actriz mas agora chega a ser embaraçoso; Nolte é um canastrão que parece ter uma bola de cuspo constantemente presa na garganta e ninguém faz o favor de lhe dar umas pancadas nas costas para ver se aquela merda pára de borbulhar cada vez que ele fala; Gleeson é o gajo mais irlandês do mundo a tentar interpretar um rancheiro norte-americano (o resultado é que passamos meia hora a acreditar que tem uma deficiência de fala); Cooper, Tucci e Howard são bons actores mas aqui aparecem tão pouco que nem merecem referência.
Quanto ao filme, Redford é um bom realizador. Tem sentido de estética, dá-se maravilhosamente bem em paisagens naturais, em cenários abertos - mas não sabe filmar um thriller. Não sabe, pronto. Deixou um atrasado mental qualquer agarrar numa boa história e escrever um argumento de merda, cheio de plot points, personagens e reviravoltas e, por cima disso tudo, tentou conjugar esse clima frenético com uma realização plácida, estudada e contemplativa. Para o espectador, isto torna-se bastante confuso. Não percebemos quando é que é suposto ficarmos nervosos, ou quando é suposto pararmos para cheirar as flores. É como se as imagens nos dissessem uma coisa, e a história outra. Depois, todo o desenrolar da narrativa é fraco... não percebemos o que motiva os personagens, nem percebemos bem o que Redford nos quer transmitir. Andamos a baloiçar entre velhos esquerdistas - uns que se arrependeram (e bem) de serem esquerdistas, e outros que continuam a viver como se tivessem 20 anos (inclusive utilizam expressões como brother, yeah man e largam um like, you know entre cada três palavras). Isto não interessa a ninguém. Era muito mais interessante Redford ter agarrado nesta ideia, e explorado apenas os personagens, atendendo a diálogos profundos e close-ups intimistas. Porque isto é um filme sobre pessoas, em que o realizador parece estar constantemente mais interessado em filmar espaços.
Mas pronto, já chega de cascar no velhote. Já provou - num passado distante - que é um bom realizador. Fez um dos filmes da minha vida, uma adaptação do clássico de Norman Maclean, And a River Runs Through It. Protagonizou bons filmes, sempre conseguindo esconder a sua falta de talento relativamente bem, e montou o festival de Sundance com as suas próprias mãos. Por isso merece o meu respeito e a minha admiração mas, sobretudo, merece que o Estado lhe pague uma boa reforma para não ter de fazer mais filmes de merda como este.
Golpes Altos: Richard Jenkins e Shia LaBeouf são TÃO bons actores que, quando aparecem, parece que estamos num filme diferente. Brit Marling é a actriz revelação dos últimos anos - esta foi a sua primeira aventura fora do cinema independente... coitada. Boa realização em espaços abertos, um realizador do campo sem dúvida.
Golpes Baixos: O resto. E tantos velhos, porra.
Argumento: Lem Dobbs (baseado no romance de Neil Gordon)
Elenco: Robert Redford, Shia LaBeouf, Julie Christie, Stanley Tucci, Nick Nolte, Richard Jenkins, Susan Sarandon, Brendan Gleeson, Sam Elliott, Terrence Howard e Chris Cooper
Robert Redford está de volta, mas em muito má forma. Está velho ao ponto de acharmos que a qualquer momento lhe pode cair uma orelha, está velho de mais para tentar ser o bom actor que nunca foi, está ainda mais velho que os outros velhos todos que reuniu para fazer este filme mas, sobretudo, está velho de mais para correr! Olhar para um Redford de 77 anos a "correr" e a "saltar" vedações, faz-nos instintivamente tapar os olhos em aflição. Tanto é, que o único factor de suspense presente neste suposto thriller, é a constante dúvida de quando ou como Redford irá ter um enfarte, partir uma perna ou deslocar a bacia antes de conseguir terminar o filme.
O resto do filme é igualmente fraco e deprimente, mas com alguns pontos a favor. Vou começar pelos golpes altos, para depois poder cascar à vontade. The Company You Keep é um thriller político que reúne todos os desgraçados dos amigos de Redford e lhes dá uma facadinha no currículo. No meio, alguns são tão bons actores que se conseguem desviar da mediocridade do guião e entregar uma boa performance. São estes: Shia LaBeouf, Richard Jenkins, Susan Sarandon e Brit Marling. E estes quatro merecem todo o meu respeito, porque conseguiram fazer com que não me levantasse e saísse a meio do filme. Todos os outros deviam estar, ou reformados, ou mortos. Redford está péssimo (péssimo!); Christie é outra que nunca foi boa actriz mas agora chega a ser embaraçoso; Nolte é um canastrão que parece ter uma bola de cuspo constantemente presa na garganta e ninguém faz o favor de lhe dar umas pancadas nas costas para ver se aquela merda pára de borbulhar cada vez que ele fala; Gleeson é o gajo mais irlandês do mundo a tentar interpretar um rancheiro norte-americano (o resultado é que passamos meia hora a acreditar que tem uma deficiência de fala); Cooper, Tucci e Howard são bons actores mas aqui aparecem tão pouco que nem merecem referência.
Quanto ao filme, Redford é um bom realizador. Tem sentido de estética, dá-se maravilhosamente bem em paisagens naturais, em cenários abertos - mas não sabe filmar um thriller. Não sabe, pronto. Deixou um atrasado mental qualquer agarrar numa boa história e escrever um argumento de merda, cheio de plot points, personagens e reviravoltas e, por cima disso tudo, tentou conjugar esse clima frenético com uma realização plácida, estudada e contemplativa. Para o espectador, isto torna-se bastante confuso. Não percebemos quando é que é suposto ficarmos nervosos, ou quando é suposto pararmos para cheirar as flores. É como se as imagens nos dissessem uma coisa, e a história outra. Depois, todo o desenrolar da narrativa é fraco... não percebemos o que motiva os personagens, nem percebemos bem o que Redford nos quer transmitir. Andamos a baloiçar entre velhos esquerdistas - uns que se arrependeram (e bem) de serem esquerdistas, e outros que continuam a viver como se tivessem 20 anos (inclusive utilizam expressões como brother, yeah man e largam um like, you know entre cada três palavras). Isto não interessa a ninguém. Era muito mais interessante Redford ter agarrado nesta ideia, e explorado apenas os personagens, atendendo a diálogos profundos e close-ups intimistas. Porque isto é um filme sobre pessoas, em que o realizador parece estar constantemente mais interessado em filmar espaços.
Mas pronto, já chega de cascar no velhote. Já provou - num passado distante - que é um bom realizador. Fez um dos filmes da minha vida, uma adaptação do clássico de Norman Maclean, And a River Runs Through It. Protagonizou bons filmes, sempre conseguindo esconder a sua falta de talento relativamente bem, e montou o festival de Sundance com as suas próprias mãos. Por isso merece o meu respeito e a minha admiração mas, sobretudo, merece que o Estado lhe pague uma boa reforma para não ter de fazer mais filmes de merda como este.
Golpes Altos: Richard Jenkins e Shia LaBeouf são TÃO bons actores que, quando aparecem, parece que estamos num filme diferente. Brit Marling é a actriz revelação dos últimos anos - esta foi a sua primeira aventura fora do cinema independente... coitada. Boa realização em espaços abertos, um realizador do campo sem dúvida.
Golpes Baixos: O resto. E tantos velhos, porra.
