sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscars 2015 - Querer ou Ganhar?



Vamos deixar-vos aqui o que são as nossas escolhas de melhores do ano nalgumas categorias, e ao mesmo tempo dizer os que achamos que vão ganhar... porque como poderão ver não é bem a mesma coisa :) 

PS: dá para notar que o João viu o Boyhood ontem... e isso é impossível não influenciar tudo... eu vi há algum tempo e sei precisamente o que ele está a sentir... para mim o Boyhood em teoria devia ganhar TUDO de uma ponta à outra... é DE LONGE o melhor Filme do ano e é MARAVILHOSO. Deixa-nos com tudo à flor da pele... mas até isso é giro, um gajo que amou o Boyhood mas viu-o há umas valentes semanas, e outro que o viu ontem... Resultados:


MELHOR FILME
American Sniper
Birdman
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Selma
The Theory of Everything
Whiplash

B:
Quero – Boyhood
Ganha – Birdman

Obs: O Boyhood é o filme do ano… e é um prémio merecido quase como carreira para o Linklater. Andou a construir histórias reais ano após ano, a contá-las como se fossem nossas, e neste Filme aingiu o pico. Este prémio devia ser dele. Vai ser do Birdman porque é o Filme da moda, mais hollywood... um ou outro, não serão os comuns vencedores deste prémio, valha-nos isso.

JPFerreira:
Quero – Boyhood
Ganha – Boyhood

Obs: Ponto prévio: dos nomeados ainda não vi Selma e The Theory of Everything mas também não me parece que nenhum entre para estas contas.

Boyhood é de longe o melhor filme que vi este ano (apenas Leviathan se aproxima), uma epopeia delicada e subtil sobre o crescimento, as transformações, a importância do que vivemos, recordamos ou apagamos, e continuamos a viver. A vida como ela é, exposta com uma beleza rara. Tem ganho praticamente todos os principais prémios e ainda bem. Pode ser que a Academia desta vez acerte.


REALIZAÇÃO
Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel)
Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood) 
Bennett Miller (Foxcatcher)
Morten Tyldum (The Imitation Game)

B:
Quero – Alejandro González Iñárritu (Birdman)
Ganha – Alejandro González Iñárritu (Birdman)

Obs: E porque para mim não faz sentido o melhor Filme andar sempre de mão dada com o melhor Realizador... não faz mesmo... este ano é um caso desses. O Iñárritu foi o melhor Realizador. Um assombro tecnicamente... Merece este prémio e acho que o ganha.

JPFerreira:
Quero – Richard Linklater
Ganha – Richard Linklater

Obs: Quero lá saber dos malabarismos com a câmara, dos cortes e dos planos sequenciais ou dos maneirismos do Iñárritu – o que ele fez, ou tentou fazer, já outros fizeram e melhor. Para mim é simples: o Melhor Realizador deve ser aquele que melhor transmita, através duma obra (se possível de arte), o objectivo a que se propôs. Seja através de tecnicismos assombrosos, da beleza da imagem e ou da simplicidade dos diálogos e da mensagem. Iñárritu, no que se propôs, fez um filme de 6,5; Linklater, no que se propôs, criou uma obra-prima de 9.


MELHOR ACTOR
Steve Carell, (Foxcatcher)
Bradley Cooper, (American Sniper)
Benedict Cumberbatch, (The Imitation Game)
Michael Keaton, (Birdman)
Eddie Redmayne, (The Theory of Everything)

B:
Quero – Michael Keaton
Ganha – Eddie Redmayne

Obs: Incrível o papel do Keaton. Todos achávamos que ele não valia nada e olha... o Redmayne é uma espécie de Russel Crowe na Mente Brilhante... giro, mas já visto, muito visto mesmo.

JPFerreira:
Quero – Steve Carell
Ganha – Eddie Redmayne

Obs: Gostei do Keaton mas fico com o Carell. Papel poderoso, bruto, assustador até. Fazer de louco histérico é mais acessível, personificar uma mente perturbada mas incrivelmente contida é sempre mais difícil. E Carell fá-lo duma forma maestra, encabeçando um trio de actores que está excelente em Foxcatcher. Dito isto, Redmayne é o grande favorito, pelo que me disseram faz um papelão, oscarizável como tudo mas papelão, pelo que duvido que a estatueta lhe escape.


MELHOR ACTRIZ
Marion Cotillard (Two Days, One Night)
Felicity Jones (The Theory of Everything)
Julianne Moore (Still Alice)
Rosamund Pike (Gone Girl)
Reese Witherspoon (Wild)

B:
Quero – Julianne Moore
Ganha – Julianne Moore

Obs: Está mais que entregue. Nem preciso argumentar. Papel gigantesco.

JPFerreira:
Quero – Julianne Moore
Ganha – Julianne Moore

Obs: A nova Meryl? Still Alice é a oportunidade perfeita de ver uma actriz de geração no total e absoluto controlo das suas capacidades, no “topo do seu jogo”. Embora em pólos distintos, Julianne Moore faz aqui o mesmo que Cate Blanchett fez há um ano com a sua Jasmine: personagem “grande”, à medida; interpretação brilhante, sem falhas. Como diz o B, está entregue. 


MELHOR FOTOGRAFIA
Emmanuel Lubezki, (Birdman)
Dick Pope, (Mr. Turner)
Robert D Yeoman, (The Grand Budapest Hotel)
Ryszard Lenczewski and Łukasz Żal, (Ida)
Roger Deakins, (Unbroken)

B:
Quero – Robert D Yeoman, (The Grand Budapest Hotel)
Ganha – Emmanuel Lubezki, (Birdman)

Obs: Adoro a fotografia do filme do Wes Anderson. De todos... e neste acho que ele foi mais longe ainda nas suas taras estéticas... No entanto, cheira a Birdman por todo o lado.

JPFerreira:
Quero – Robert D Yeoman, (The Grand Budapest Hotel)
Ganha – Emmanuel Lubezki, (Birdman)

Obs: Concordo absolutamente com o B. Conceptualmente os filmes do Wes Anderson tendem a ter uma fotografia maravilhosa, é uma das suas grandes forças, e neste realmente parece que ainda voou para toda uma nova direcção. Mas esta categoria técnica parece-me que premiará o Birdman.


MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Robert Duvall (The Judge)
Ethan Hawke (Boyhood)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
JK Simmons (Whiplash)

B:
Quero – JK Simmons
Ganha – JK Simmons

Obs: Está mais que entregue, papel de uma vida.

JPFerreira:
Quero – JK Simmons
Ganha – JK Simmons

Obs: Gostei muito dos quatro restantes actores nomeados e qualquer um deles – sobretudo Ruffalo e Hawke – merecem mais o prémio do que Simmons. Incoerente? Não, explico-me: Fletcher não é uma personagem secundária, isso é uma barbaridade que só a Academia podia proporcionar-nos. É tão o centro nevrálgico de Whiplash como o Andrew de Miles Teller. Se não mais. É um papel de carreira e é principal. Ainda assim, vencedor óbvio na categoria em que o colocaram.


MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Patricia Arquette (Boyhood)
Keira Knightley (The Imitation Game)
Emma Stone (Birdman)
Meryl Streep (Into The Woods)
Laura Dern (Wild)

B:
Quero – Patricia Arquette
Ganha – Patricia Arquette

Obs: Ano fraco neste prémio. A Arquette é mesmo a melhor de todas, penso que não há muitas dúvidas.

JPFerreira:
Quero – Patricia Arquette
Ganha – Patricia Arquette

Obs: Nenhum nome incrivelmente destacável. Gostei da Emma Stone (não vi a Meryl e a Laura Dern, em boa verdade) mas o desempenho da Patricia Arquette eleva-se. Keira Knightley? A sério?


MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Alejandro González Iñárritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood)
Foxcatcher (E. Max Frye and Dan Futterman and Bennett Miller Screenplay)
Wes Anderson and Hugo Guinness (The Grand Budapest Hotel)
Dan Gilroy (Nightcrawler)

B:
Quero – Foxcatcher (E. Max Frye and Dan Futterman and Bennett Miller Screenplay)
Ganha – Wes Anderson and Hugo Guinness (The Grand Budapest Hotel)

Obs: O Filme do Wes Anderson vai ter de ganhar qualquer coisa, acho que será este o prémio... No entanto, o Foxcatcher para mim é o melhor destes todos... até seria o Nightcrawler, mas aquele fim estragou tudo...

JPFerreira:
Quero – Richard Linklater (Boyhood)
Ganha – Richard Linklater (Boyhood) OU Alejandro González Iñárritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo (Birdman)

Obs: O mais admirável em Boyhood, para lá da ternura com que a história é contada, não é o seu próprio conceito? Ou seja, não é a originalidade e a magnitude da ideia e consequentemente do projecto? Logo, não veria forma do Argumento Original não ser merecidamente de Linklater. Todavia, aqui temo um assomo de “invenção de algibeira” da Academia, premiando a ideia incandescente e mirabolante do mexicano. 



MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Jason Hall (American Sniper)
Graham Moore (The Imitation Game)
Anthony McCarten (The Theory of Everything)
Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
Damien Chazelle (Whiplash)

B:
Quero – Damien Chazelle (Whiplash)
Ganha – Graham Moore (The Imitation Game)

Obs: 10-0 aos outros todos o do Whiplash... tudo bem feito, tudo bem construído, tudo a crescer como tem de crescer... perfeito. No entanto, acho que um dos filmes mais fracos do ano vai ganhar este prémio. É o típico caso da 2ª guerra ganhar óscares.

JPFerreira:
Quero – Damien Chazelle (Whiplash)
Ganha – Anthony McCarten (The Theory of Everything)

Obs: Uma vez mais concordo com o B, o Whiplash e Chazelle mereceriam este prémio mais do que ninguém, até porque só está na categoria de Argumento Adaptado porque advém duma curta com o mesmo nome, com o mesmo tema e do mesmo realizador. Ou seja, no fundo falamos dum argumento original. No entanto também acho que será premiado um típico melodrama, nomeadamente The Theory of Everything, que inclusivamente já venceu o BAFTA.


MONTAGEM
American Sniper
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Whiplash

B:
Quero – Whiplash
Ganha – Boyhood

Obs: Desculpa Linklater, nem imagino o que terá sido montar tanto filme... e por isso vais ganhar o óscar. Mas a edição do Whiplash é o estrondo do ano para mim.

JPFerreira:
Quero – The Grand Budapest Hotel
Ganha – Boyhood OU Whiplash

Obs: Tal como com a fotografia, a montagem dos filmes do Wes Anderson deixa-me completamente extasiado. É brutal. Mas não me parece que saia vencedor, provavelmente será o Boyhood. Embora o Whiplash já tenha vencido o BAFTA, daí a minha dúvida.


MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Ida (Poland)
Leviathan (Russia)
Timbuktu (Mauritania)
Wild Tales (Argentina)
Tangerines (Estonia)

B:
Quero – Ida (Poland)
Ganha – Ida (Poland)

Obs: Admito que está aqui porque o vi e porque o adorei...

JPFerreira:
Quero – Leviathan (Russia)
Ganha – Leviathan (Russia)

Obs: Daqui vi três: Relatos salvajes/Wild Tales é mediano, não acrescenta muito; Ida é muito bom mas até é de 2013, não entendo muito bem porque foi agora nomeado; mas Leviathan, como disse acima, é para mim o segundo melhor filme do ano. Uma pedrada no charco. Feroz, agreste, desumano quase. Ao nível dos anteriores de Zvyagintsev – que caminha para um dos meus realizadores de culto, como um Audiard.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

The Theory of Everything



Realizador: James Marsh
Argumento: Anthony McCarten (adaptação), Jane Hawking (livro)
Actores: Eddie Redmayne, Felicity Jones

Há histórias de conquistas e derrotas que têm de ser contadas... Quem atirou a 1ª pedra até foi a mulher do protagonista, que escreveu um livro sobre ele e sobretudo sobre eles, agora adaptado de forma coerente e simples.

O Stephen Hawking é um personagem incontornável das gerações próximas da nossa... Um génio pensador com uma notável retórica, mesmo falando através de um computador. Com descobertas e redescobertas cientificas na área da cosmologia, marcou o seu estatuto de forma cabal junto de todos os outros génios pensadores, de agora e do passado.

Mas este Filme passa pelo seu trajecto profissional levemente... não é o foco... o foco é a relação com a mulher, o foco é o amor no seu estado mais puro, o foco é a força de uma mulher, a força de uma família e a vontade de fazer dos seus dias, o melhor possível.

Uma entrega total, absoluta... uma vivência onde só a derrota estava prevista, mas que uma mulher de armas nunca aceitou, nunca se deu por vencida e nunca seguiu o caminho mais fácil, o dela sem ele.

Atravessar com ele a degradação do seu estado de saúde, atravessar com ele as piores expectativas de prazos de vida, vencendo-as, atravessar com ele a opinião alheia por vezes tão demolidora, enfrentar as mudanças, os filhos, as boas ideias, as más ideias... tudo... no fundo, atravessar com ele a vida, de mão dada.

O final da história não muda nada, rigorosamente nada... as lutas não deixaram de existir, as conquistas também não, a opinião alheia continua a surgir, bem como a chegada de mais membros da família, mais vida... Uma ligação destas nunca acaba, seja de que forma decidir continuar a existir.

Todo o filme é bonito e muito bem interpretado. Redmayne está incorrigível, mas penso que a belíssima Felicity Jones não lhe fica nada atrás... Interpretações intensas, que amadurecem com o filme e ganham uma dimensão monstruosa.

Não vai ficar na história, nem sequer o nomeava para melhor Filme com uma lista de 10 ou 20 possíveis, mas é uma história bonita, muito bem contada, que vale a pena ver. Não sairão desiludidos da sala, até porque não acredito que tenham as maiores expectativas.

Vejam o Filme. O James Marsh sabe contar histórias, o melhor exemplo será o Man on Wire, ele que se dedicou maioritariamente a documentários, aqui eleva o "tom" documental para algo mais perto de uma homenagem a uma bonita história de Amor.


Golpes Altos: Interpretações, História, Podermos acreditar que este Amor ainda existe.

Golpes Baixos: A lenga-lenga de Deus (incontornável por foi importante na história deles), a precipitação de algumas evoluções da história, com alguns saltos...

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Testa-a-Testa – Birdman


Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Alejandro González Iñárritu
Elenco: Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward Norton, Andrea Riseborough, Amy Ryan, Emma Stone, Naomi Watts

Como já não fazemos um testa-a-testa há muito tempo e eu e o B. não tivemos a mesma opinião sobre a nova e badalada película de Iñárritu, eis uma boa oportunidade para voltarmos ao formato. (No fundo até tivemos parecida… penso que ambos gostámos do filme, eu mais que tu, e ambos entendemos que faltou um pouco de consistência na história e de “arrepio”… densidade vá…)

Contudo, e para não tornar o texto demasiado extenso e mastigado, optámos por destacar somente aquilo que interpretamos como pontos-chave do filme, sejam positivos ou negativos.

Assim, os meus comentários primeiro e dos B. em itálico:

- Birdman não tem uma mensagem concreta, não é um objecto definido, por assim dizer. Uma das características que mais irrita em determinados filmes é tentarem ser várias coisas em simultâneo e acabarem por ser nenhuma, apenas uma amálgama de situações e intenções, sem que saibamos aonde o realizador quer chegar.
Sátira de costumes? Drama existencial? Rábula sobre sociedade de consumo vs cultura “elitista”? Crítica cínica mas surrealista sobre o showbiz? Sinceramente não sei. É uma mistura pouco palpável.
O Duarte dizia noutro dia que era uma espécie de Black Swan versão solar, e entendo a comparação, mas o filme de Aronofsky tinha uma identidade vincada. A deste não consegui descortinar.
(Acho que o filme até se foca de forma clara em 2 temas. Um principal: a decadência da fase mais negra do pós-estrelato. Um paralelo ou secundário: o showbiz e as suas variações…
Penso que não se perde em nenhum dos assuntos…onde pode confundir é no nº de ferramentas que usa para falar sobre os temas… Ou seja, para descrever a queda de uma estrela, vai ao fundo da questão com as relações com a ex-mulher e com a filha, com o drama existencial que o persegue diariamente entre a rotina do sucesso e o mais que provável insucesso, etc., etc…
No 2º tema temos novamente muitas ferramentas… o ator “metódico” vs o hollywoodesco, a crítica e a barbaridade que por vezes representa, o sucesso instantâneo por causa de um vídeo na internet descabido…
Ou seja, penso que os 2 temas são claros e obviamente se cruzam (não podes falar da queda de uma estrela sem mencionar todo o mundo do showbiz), mas acabam por usar tantas ferramentas, que por vezes podem-se até confundir com mais e mais temáticas, quando no fundo nem são.
O Aronofsky é um Deus existencial e que em todos os filmes dele retratou a obsessão… Daí ter falado dele no Whiplash… Aqui faz menos sentido porque é uma sátira com cenas de teor cómico, mas o Iñárritu correu o risco de sair da sua alcofa habitual e tomara muitos terem-se dado tão bem como ele… perfeito nunca poderia ser…)

- Falta alma nas cenas essenciais do filme. Naquelas definidoras, como a destruição do quarto ou o atrofio no topo do prédio com o alter-ego. Carece de carga dramática, daquela força telúrica que faz com que recordemos essas mesmas cenas como as mais brilhantes do filme. Não sei se o que quis fazer foi simplesmente isso, ser propositadamente desalmado. Lá está, nunca tenho grandes certezas com as intenções de Iñárritu neste trabalho e isso não é bom. Mas sei que me soube a pouco.
(Aqui concordamos em absoluto… A cena mais poderosa do filme é quando ele acorda com a cara no lixo e começa a andar na rua com o Birdman… cena essa onde acaba por descolar e sobrevoar a cidade… Essa cena TINHA de ser chave, TINHA de arrepiar e passar-nos um poderoso momento de cinema, daqueles que levantava de facto os nossos pêlos todos… Mas não o conseguiu… nem aí nem nas tais cenas do quarto… e qual a culpa disto tudo? Até é fácil de entender, uma espécie de auto-castração que menciono no parágrafo seguinte.)

- Apesar de tecnicamente ter momentos muito bons, com long take shots preciosos e alguns diálogos excelentes (adoro os de Mike e Sam no terraço!), há um constante pretensiosismo do mexicano com a câmara, sempre a saltitar e com close-ups sufocantes, num género de “Olhem o que sei fazer, como sou incrível!”. Também não me agradou. Algum histerismo de realizador.
(Fazer um filme assim, é de uma dificuldade abrupta… só gajos como ele, estrondosos tecnicamente o conseguiriam… não posso criticar em termos técnicos uma coisa soberba, é como achar ridículo um jogador vir da defesa até à baliza contrária a fazer cuecas a TODOS os adversários e meter golo… porque porra… é do caraças!!
Quanto aos close-ups sufocantes para mim são perfeitos…mais até com a doentia conjugação de planos de sequência longuíssimos… o filme é suposto ser totalmente claustrofóbico… desde os corredores apertados, à tensão constante de estar tudo a partir e a quebrar a qualquer momento… ao facto de 80% do filme ser em interior, não é suposto teres tempo para respirar e este tipo de plano é para isso mesmo… para te deixar desconfortável e quase quereres sair dali… penso que se alguém consegue fazer isto apenas com técnica, não pode nunca ser criticado, é de mestre e de quem sabe o que está a fazer… podes não gostar? Ok… mas não se pode criticar o realizador por ter conseguido esse efeito.
Quanto aos planos de sequência… sim, são mesmo difíceis de fazer… sim, são mesmo difíceis de coreografar e de sair tudo bem à primeira, sim, são doentios para repetir… No entanto, aqui ele exagerou… muito! A ideia tecnicamente pode ser genial, mas NUNCA pode meter em causa o filme ou a emoção/sensação que ele possa querer transmitir…e mete… Voltando ao ponto anterior, é graças a esta obsessão que as tais cenas mencionadas não arrepiam, não nos encostam à cadeira, não nos deixam demolidos… O jeito que davam uns cortes valentes no plano na cena com o Birdman na rua… o jeito que davam uns cortes valentes na cena em que ele parte o quarto todo… tenho a certeza que o problema esteve aqui… porque a coreografia das cenas é boa, as representações também, mas isto falha…e falha redondamente…aqui ele colocou a técnica e a brincadeira dos planos acima do filme, e isso é um erro adolescente de quem sai da universidade, ao qual um Iñárritu não se pode dar ao luxo…).

- Além disso a banda sonora tirou-me do sério! A bateria de Antonio Sánchez é brutalmente manipuladora, como há muito tempo não sentia num filme – mais do que a do recente Interstellar, tão criticada há uns meses por essa mesma manipulação. Não discuto o virtuosismo do músico, que existe, mas é de tal forma obsessiva que a dada altura estava a causar-me incómodo. Incómodo real. Ainda para mais, e recuando ao ponto anterior, tendo em conta a falta de punch emocional que se sente necessário, aquela banda sonora pareceu-me algo deslocada, antitética.
(Aqui repito o que disse acima nos planos fechados… é perfeita. Esta banda sonora leva o tal desconforto claustrofóbico que ele pretende criar, para um nível estratosférico. Penso que a equipa só pode estar de Parabéns por o ter conseguido… os índices de aperto e de sufoco são inimagináveis… achei todo este tema da claustrofobia incrível).

- Dito isto, não odiei o filme, simplesmente saí da sala desiludido. Esperava algo brilhante – podia inclusive tê-lo sido – e não passou dum filme engraçado e meio louco. No entanto há que referir que o elenco está todo ele a grande nível (óptimos Keaton e Norton!) e com uma excelente direcção de actores.
(Eu esperava o filme do ano… e não foi… por aí também saí desiludido. Esperava daqueles filmes que ia ficar realmente marcado, mas não fiquei… acabei por sentir isso num Boyhood que esperava, ou num Whiplash que não esperava… Mas é um dos grandes filmes do ano, mas sem a consistência que podia ter. Toda a direção de atores é irrepreensível…)

- Ah, e não me desagradou nada ver a Naomi Watts e a Andrea Riseborough numa espécie de “explosão conjunta de carinho e afecto”! Bem Alejandro, bem.
(Só estranho como é que um Mexicano não se estica mais em cenas dessas… Em terra de Salma Hayek… não se esperava menos…)

Vá, já “esprememos umas quantas laranjas”, agora digam de vossa justiça!:)

Golpes Altos: O elenco e a direcção de actores. Alguns diálogos. O tecnicismo da realização em determinados momentos.
(Interpretações, sufoco transmitido e qualidade técnica.)

Golpes Baixos: Acima de tudo a falta de definição do objecto. É uma obra que a meu ver peca por não ser concreta, que tenta ser muitas coisas em simultâneo e faz com que nos percamos. Iñárritu engasgou-se na sua ambição desmedida.
(Planos de sequência a roubar dramatismo a cenas-chave. Falta de densidade.)

sábado, 31 de janeiro de 2015

70 anos da libertação de Auschwitz


Para quem nunca viu Shoah, é um tratado. Cinematográfico, histórico, cultural e, acima de tudo, moral.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

American Sniper


Realização: Clint Eastwood
Argumento: Jason Hall
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Luke Grimes, Jake McDorman, Cory Hardrict, Keir O'Donnell

“American Sniper is the biggest anti-war statement any film can make. It’s about what war does to the family and the people who have to go back into civilian life like Chris Kyle did and what it does to the people left behind.”

Com esta afirmação Clint Eastwood demarca-se das críticas de pró-guerra e islamofobia que fora acusado e descreve o seu novo filme como um sentido elogio às marcas de guerra e àqueles que têm força e coragem para ultrapassar as lembranças, os traumas.

Podemos concordar ou não – o veterano realizador é um republicano e patriota convicto, além de praticamente toda a sua filmografia assentar numa matriz de “o bem” vs “o mal”, portanto caberá a cada um de nós tirar as suas ilações – mas se há algo que sobressai neste biopic sobre Chris Kyle, o sniper norte-americano com maior número de mortes registado em qualquer palco de guerra em que os EUA tenham estado presentes e que era conhecido pelos seus pares como “Lenda”, é exactamente o foco que Eastwood coloca sobre o stress pós-traumático nos veteranos de guerra e no quão difícil é o regresso a casa, à família, ao quotidiano comum.

E é aí que residem os melhores momentos do filme, os regressos a casa de Kyle (fez quatro tours no Iraque): a dificuldade de ambientação expressa num misto de timidez e incómodo no relacionamento ou simples diálogo com outras pessoas (excelente Cooper nesse aspecto, sempre deslocado), o distanciamento da mulher e dos filhos, ainda crianças, e uma crescente ansiedade de Kyle face a todos aqueles que não pôde salvar e ao dever patriótico de voltar e continuar a lutar pela sua pátria, o seu povo – a cena do reencontro com o irmão à beira do embarque, espelho das diferenças grotescas que existem entre “obrigação” e “missão”.

Paradoxalmente, sempre que a película avança para terreno “inimigo” a qualidade perde-se, ou pelo menos dilui-se; há cenas excelentes, não quero ser mal interpretado – o momento inicial em que Kyle tem a mulher e o miúdo na mira, brutalmente tenso, e de repente o flashback para a infância, ou a inacreditável cena da tempestade de areia em Sadr City, tecnicamente um espanto – mas há demasiado “americanismo” exagerado em palco de guerra, culminado com a vingança pessoal de Kyle (que é antitético com o seu patriotismo e sentimento missionário) e a infeliz cena “à la Matrix” quando Mustafa é abatido.

A verdade é que o realismo contido e quase neurótico que Eastwood consegue transmitir nas cenas de regresso aos EUA – os olhos muito abertos de Kyle enquanto a mulher desespera na cena na cama, ou a psique em transe do militar quando vê e ouve um cenário de guerra que não existe em frente ao televisor desligado, seguida da “explosão” junto à piscina (Cooper novamente forte) –, esmorece e tudo se torna demasiado emocional, demasiado romanceado, demasiado plástico quando a acção voa para o Iraque.

Talvez seja normal, apesar de ser o último grande realizador americano clássico, desde 2008 e do seu maravilhoso Gran Torino – o círculo que se fecha na carreira e na vida de Clint, de Blondie/Joe/Man with No Name a Harry Callahan ou Bill Munny – que o octogenário entrou numa espécie de piloto automático, tocando vários géneros nas suas últimas películas mas sem nunca conseguir voltar a ser brilhante.

Por isso a sensação que fica é que American Sniper não é o que podia ter sido, o retrato cru e desolado da Guerra ao Terror norte-americana, na mesma linhagem de The Hurt Locker, a obra-prima de Kathryn Bigelow; e também não é a grande peça de guerra de Eastwood, mestre em todos os géneros. Essa é Letters from Iwo Jima.

Ainda assim, um filme com qualidade e com momentos grandes. Clint não sabe fazer mal.

Golpes Altos: Não sou fã de Cooper mas tem um bom desempenho, seguro dentro da insegurança e desequilíbrio da personagem. O retrato do stress pós-traumático enquanto veículo de destruição. A cena da tempestade de areia, de cortar a respiração.

Golpes Baixos: A falta de realismo, de contenção dramática, de frieza nos momentos de combate. Há uma heroicidade exagerada, por assim dizer. A cena da “bala lenta”, despropositada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Whiplash




Realizador: Damien Chazelle
Argumento: Damien Chazelle
Actores: Miles Teller, J.K. Simmons

Este Realizador fez este mês 30 anos... aponta muito alto... é capaz de nos envolver numa paixão que ele tem, o jazz, de uma forma única e mais surpreendente ainda: transversal. O Jazz é um namoro antigo dele, em 2009 realizou um filme também sob o mesmo tema que a crítica gostou bastante, agora fez uma obra prima que embora possa parecer ter uma temática de "nicho", qualquer público se vai render ao vê-la.

Ele próprio tentou ser baterista de Jazz, tendo percebido cedo que não tinha qualidade para tal... dedicou-se (ainda bem) ao Cinema, e voltou a esta temática tendo estado por dentro da obsessão brutal que uma carreira nesta área exige. Se aliarmos isto a um mentor com aura de general e que procura de forma incessante a busca por algo maior, para lá das nossas expectativas sobre nós mesmos, temos Whiplash. Se, em cima de tudo isto, juntarmos um actor que toca bateria desde os 15 anos e é apaixonado pelo instrumento...

O filme centra-se na relação aluno/mentor, com papéis dignos de nomeações, de prémios e de lembrança no futuro. J.K. Simmons está incrível, com um papel visceral elevando também ele para outra dimensão as expectativas da interpretação... Miles Teller é já há algum tempo dos jovens que merecem ser seguidos, uma espécie de coqueluche do Cinema Indie que mostra aqui uma dimensão global para a qual já tinha apontado.

O crescendo do filme agarra-nos à cadeira, não queremos nunca desviar a atenção...e o Realizador não deixa! A edição do Filme dá-nos o "tempo", como se nós próprios fizéssemos parte da banda e tivéssemos que entender o ritmo do filme tal como ele o quer passar. E é bem sucedido. Um ritmo com picos totalmente alucinantes.

Vê-se mesmo a paixão à volta do tema, a entrega a algo que as pessoas envolvidas adoram, um exercício explosivo também por isso.

Um filme de obsessão, carregado por interpretações estrondosas e um final enorme, há algum tempo que não via um desfecho tão bem conseguido num filme. Um amigo meu num cinema em Londres aplaudiu o filme no final, não é para menos... Bravo!

Como disse o Brian Henry Martin da UTV: "This is what happens when the kids from Fame meet the drill sergeant from Full Metal Jacket." - touché

Curiosidade: Este filme, tal é o trabalho feito à volta da obsessão pelo próximo estágio de evolução, tal é a densidade com que se entregam aluno e mentor ao trabalho, tal é a competitividade vivida em todos os momentos, podia ter sido feito pelo Aronovsky... aquele que é para mim o mestre da obsessão. Mas não acredito que fosse melhor, diferente sim, talvez até mais negro, mas não sei se melhor. 

Incrível: "Although Miles Teller has been drumming since he was 15 years old, he took additional lessons 4 hours a day, 3 days a week to prepare for the movie. Although a visual double was used, all of Andrew's drumming were performed by Miles Teller himself."

Golpes Altos: Interpretações, ritmo do filme, edição, trabalho exímio da construção das personagens, banda sonora e final arrebatador. 

Golpes Baixos: Convido-vos a escrever qualquer coisa aqui... eu não consigo... 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Foxcatcher


Realização: Bennett Miller
Argumento: E. Max Frye, Dan Futterman
Elenco: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Sienna Miller, Vanessa Redgrave

Bennett Miller, aqui com a sua terceira longa-metragem (Capote, Moneyball), todas elas assentes em histórias verídicas, começa lentamente a despontar como um dos mais competentes retratistas dos contornos cinzentos da sociedade norte-americana – o novo e percursor vs o old fashion vigente, a classe pobre e aculturada mas trabalhadora e honrada vs as elites cultas e instruídas mas amorais, a heroicidade do talento puro vs o vazio do dinheiro enquanto matriz de conquista.

E a cada filme que passa parece melhorar: Capote, apesar dum esplendoroso Philip Seymour Hoffman, era um filme mediano, sem grande sumo para lá da densidade da personagem; e Moneyball, esse sim um belo filme, acaba por ser simultaneamente mais leve, menos impactante e, provavelmente de forma injusta, mais facilmente esquecível. Todavia com Foxcatcher, Miller eleva o seu cinema para uma dimensão de ambiguidade ética e moral e paralelamente de frieza emocional em que nunca tinha estado.

O ritmo é lento, muito lento, os próprios diálogos são vagarosos, há planos sequenciais muito longos a acompanhar a fotografia suja, quase granulada, que nos remete para os crime films das décadas de 70 e 80; juntem a isso um clima sempre cinzento, sempre chuvoso, em que as raras excepções são algumas passagens de manhãs outonais na propriedade da família du Pont, com foco sobre a vida selvagem – os pássaros que John (Carell), orgulhoso ornitólogo, tanto gosta de observar e estudar e os cavalos milionários da mãe Jean (Redgrave), símbolos únicos de vida “pura” e sã naquela propriedade –, a quase integral ausência de banda-sonora e o comportamento obsessivo e complexado que John vai evidenciando de forma cada vez mais alarmante à medida que o filme vai avançando, e ficam com uma amálgama tensa e pesada, uma panela de pressão prestes a explodir a qualquer momento. E o melhor de tudo, o segredo da narrativa, está no truque de Miller em nunca fazer-nos sentir quando é que esse pathos ocorrerá. Daí os últimos 15 minutos serem tão cruéis e difíceis de digerir quanto brilhantemente orquestrados.

Por fim, e porque seria injusto não o realçar, mais do que um virtuoso com a câmara ou um construtor de narrativas ímpar (a ambos os pedestais poderá chegar mas precisa de mais filmografia para isso), é na direcção de actores que Miller se vai mostrando magistral: se Seymour Hoffman e Brad Pitt, muito bem coadjuvados por Catherine Keener e Jonah Hill respectivamente, tiveram com Miller papéis de carreira e nomeações para os Óscares (tal como os secundários referidos), em Foxcatcher somos surpreendidos com três interpretações poderosas: Ruffalo num papel “físico”, com muitos tiques de wrestler mas menos denso emocionalmente – é o “talento puro”, feliz com a carreira e com a vida, a personagem solar do tridente; Tatum como um outrora campeão que luta contra a encruzilhada em que a vida o colocou, um solitário sem relacionamentos pessoais e ávido dum reconhecimento profissional à altura do do irmão – o lado lunar; e Carell, com uma rara aparição no drama, assustador enquanto um bilionário filantropo que por detrás duma suposta paixão pelo wrestling se revela um indivíduo sombrio, dominado por demónios de inveja, fracasso, repudia e carente de amor, afirmação e admiração.

Uma daquelas películas que não revemos tão cedo e que mesmo para vermos temos de estar com a predisposição correcta, Foxcatcher é um retrato frio, indigesto e brutalmente triste do dark side of America. Como dizia Peter Bradshaw na sua crítica no The Guardian, “It is a gripping film: horrible, scary and desperately sad.”

Golpes Altos: Bennett Miller, sobretudo pela irrepreensível direcção de actores. A sinergia entre o ritmo ultra lento da narrativa e o tom melancólico do quadro criado. Os três protagonistas, encabeçados por Steve Carell.

Golpes Baixos: Como disse acima, é um filme que dificilmente revemos de tão parado e pesado que é.

sábado, 24 de janeiro de 2015

The Imitation Game


Realização: Morten Tyldum
Argumento: Graham Moore
Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Mark Strong, Charles Dance, Rory Kinnear

Biopics sobre génios da Humanidade, mais ou menos (re)conhecidos, que a determinada altura tiveram um papel importante ou até mesmo decisivo no rumo da História há às carradas em décadas de cinema. O problema hoje em dia prende-se com a capacidade de ser inventivo, original na abordagem e, simultaneamente, manter a qualidade da narrativa, da fidedignidade da trama e do nível das interpretações.

The Imitation Game não cumpre com esses requisitos. Ou melhor, digamos que é uma simples e descafeinada biografia, enaltecimento de Alan Turing, brilhante matemático e cientista inglês, personagem pouco conhecida mas preponderante no desenlace da Segunda Grande Guerra.

Resumindo em poucas linhas, Turing e a sua equipa, contratados secretamente pelos serviços de inteligência britânicos, após meses de trabalho e vicissitudes desenvolveram a chamada Turing machine, preâmbulo dos computadores actuais, que permitiu descodificar a evoluída máquina de encriptação nazi Enigma. Assim, mensagens e movimentações de guerra germânicas foram interceptadas e consequentemente antecipadas e a vitória aliada acabaria por ocorrer mais cedo.

É justo dizê-lo, Cumberbatch, com o seu ar estranho, desconfiado, quase vazio, personifica de forma competente um Turing com vários problemas de sociabilização, tímido e deveras complexado, que esconde a sua homossexualidade e o trauma duma perda passada.
Mas o problema na película do norueguês Morten Tyldum, numa primeira aventura por produções anglo-americanas, é que a parte boa fica praticamente por aí. Há ainda umas tiradas descontraídas e engraçadas – a anedota do urso, a cena do engate de Hugh no bar –, mas nos momentos dramáticos o filme espalha-se ao comprido. Não há alma, não há intensidade, as tensões são tocadas ao de leve, as emoções mal geridas, mal trabalhadas, e o resultado claramente desinteressante.

Mesmo a questão da perseguição aos homossexuais durante décadas, que Turing acabou por sofrer com consequências trágicas, é explorado somente nos últimos 15 minutos e numa cena algo soporífera.
A ajudar, dois pontos negros mais: os flashbacks para a infância são exagerados e algo macabros, com um Turing novinho que parecia saído dum filme de terror; e, ainda mais importante, o restante elenco tem um desempenho entre o fraco e o fraquíssimo, com destaques para Knightley, que por muito que se esforce não é mais do que uma carinha bonita; Strong, que parece que está nos Oceans, de tanto estilo que vai largando; e Dance, que por muito que aprecie, tem uma não-personagem de tão oco que é o seu “lobo mau”. Ah, e isto sem contar com o espião metido a martelo que puseram lá no meio! Momento infeliz.

Golpes Altos: Cumberbatch (este tipo anda lançado!). A exposição da vida de Turing e do seu trabalho.

Golpes Baixos: A "normalidade" e falta de ambição do projecto, da narrativa e da forma que foi contada. A ausência de intensidade, de dramatismo – não há entranhas neste filme. Todas as restantes personagens.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Alguns Nomeados para os Oscars 2015. Ainda não vi tudo mas faço uma pré-pré-previsão dos melhores "pintando-os" de vermelho... (se virem algum a verde, é porque preferia que ganhasse esse)

BEST PICTURE

American Sniper
Birdman
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Selma
The Theory of Everything
Whiplash

BEST ACTOR

Steve Carell, (Foxcatcher)
Bradley Cooper, (American Sniper)
Benedict Cumberbatch, (The Imitation Game)
Michael Keaton, (Birdman)
Eddie Redmayne, (The Theory of Everything)

BEST ACTRESS

Marion Cotillard (Two Days, One Night)
Felicity Jones (The Theory Of Everything)
Julianne Moore (Still Alice)
Rosamund Pike (Gone Girl)
Reese Witherspoon (Wild)

BEST SUPPORTING ACTOR

Robert Duvall (The Judge)
Ethan Hawke (Boyhood)
Edward Norton (Birdman)
Mark Ruffalo (Foxcatcher)
JK Simmons (Whiplash)

BEST SUPPORTING ACTRESS

Patricia Arquette (Boyhood)
Keira Knightley (The Imitation Game)
Emma Stone (Birdman)
Meryl Streep (Into The Woods)
Laura Dern (Wild)

CINEMATOGRAPHY

Emmanuel Lubezki, (Birdman)
Dick Pope, (Mr Turner)
Robert D Yeoman, (The Grand Budapest Hotel)
Ryszard Lenczewski and Łukasz Żal, (Ida)
Roger Deakins, (Unbroken)

COSTUME DESIGN

Milena Canonero, (The Grand Budapest Hotel)
Mark Bridges, (Inherent Vice)
Colleen Atwood, (Into The Woods)
Anna B. Sheppard, (Maleficent)
Jacqueline Durran, (Mr Turner)

DIRECTING

Wes Anderson (The Grand Budapest Hotel)
Alejandro Gonzalez Inarritu (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood) 
Bennett Miller (Foxcatcher)
Morten Tyldum (The Imitation Game)

FOREIGN LANGUAGE FILM

Ida (Poland)
Leviathan (Russia)
Timbuktu (Mauritania)
Wild Tales (Argentina)
Tangerines (Estonia)

MAKEUP AND HAIRSTYLING

Foxcatcher
The Grand Budapest Hotel
Guardians of the Galaxy

ORIGINAL SCORE

Grand Budapest Hotel
Interstellar
Mr Turner
The Theory of Everything
Imitation Game

ORIGINAL SCREENPLAY

Alejandro Gonzalez Inarritu, Nicolas Giacobone, Alexander Dinelaris Jr, Armando Bo (Birdman)
Richard Linklater (Boyhood)
Foxcatcher (E. Max Frye and Dan Futterman and Bennett Miller Screenplay)
Wes Anderson and Hugo Guinness (The Grand Budapest Hotel)
Dan Gilroy (Nightcrawler)

ADAPTED SCREENPLAY

Jason Hall (American Sniper)
Graham Moore (The Imitation Game)
Anthony McCarten (The Theory Of Everything)
Paul Thomas Anderson (Inherent Vice)
Damien Chazelle (Whiplash)

ANIMATED FEATURE FILM

Big Hero 6
The Box Trolls
How To Train Your Dragon 2
Song of the Sea
The Tale Of Princess Kaguya

DOCUMENTARY FEATURE

CitizenFour, Praxis Films
Finding Vivian Maier, Ravine Pictures
The Salt of the Earth, Decia Films
Virunga, Grain Media
Last Days in Vietnam

FILM EDITING

American Sniper
Boyhood
The Grand Budapest Hotel
The Imitation Game
Whiplash

ORIGINAL SONG

Everything is Awesome (The Lego Movie)
Glory (Selma)
Grateful (Beyond the Lights)
I'm not Gonna Miss You (Glenn Campbell: I’ll Be Me)
Lost Stars (Begin Again)

VISUAL EFFECTS

Captain America
The Winter Soldier
Dawn of the Planet of the Apes
Guardians of the Galaxy
Interstellar
X-Men: DOFP